Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Teixeira diz que acordo com Espanha motivou voto no Catar

Ex-presidente da CBF nega que tenha recebido propina

O Estado de S. Paulo

17 de junho de 2015 | 13h57

O ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, enfim deu sua versão sobre um dos polêmicos temas de corrupção que atingem a Fifa: a escolha do Catar como sede da Copa do Mundo de 2022. Ele, que voltou a morar no Rio de Janeiro, negou que tenha recebido dinheiro ou outro bem material para votar a favor do país árabe. "Não recebi nada, rigorosamente nada. Esse negócio do Catar é completamente estapafúrdio", afirmou em entrevista ao portal Terra

Há várias acusações contra Teixeira sobre o 'caso Catar'. Uma delas, da revista World Soccer, sugere que ele teria recebido 30 milhões de euros (R$ 105 milhões) para votar no Catar. Outra versão é a de que ele teria recebido um relógio de ouro do emir Hamad bin Khalifa Al Thani num encontro no Rio de Janeiro. "O Emir não me deu relógio, não me deu picolé, não me deu nada. Nem ali nem fora do clube (Itanhangá Golf Club). Isso é absolutamente ridículo."

Na entrevista publicada nesta quarta-feira, Teixeira revela o por quê de ter votado no Catar como sede da Copa. Segundo ele, houve um acordo na seguinte base: o Catar apoiaria a escolha de uma Copa compartilhada entre Espanha e Portugal em 2018 em troca dos votos para sediar o Mundial de 2022. "As pessoas dizem que eu votei no Catar, que a CBF votou no Catar. Por que eu? Não é bem assim. É mais claro dizer que a América do Sul votou no Catar (para 2022)", afirmou. "Quem estava coligado na candidatura da Espanha? Não era Portugal? Sim, eles pleiteavam uma Copa compartilhada. Então, com Portugal na disputa, lógico que o voto do Brasil (também do comitê executivo da Fifa) seria para eles. Aí que entra a questão."

Segundo Teixeira, houve uma reunião entre ele, Angel Maria Villar, presidente da Federação Espanhola, e Julio Grondona, presidente da Federação Argentina. Grondona morreu em 2014. Essa reunião, na versão de Teixeira, teria como objetivo obter votos para o Catar ganhar a disputa de 2022. "E qual foi o acordo? O Catar votaria conosco (com a candidatura Espanha/Portugal) para 2018 e em troca receberia nosso apoio em 2022. Foi esse o acordo. Foi somente esse o acordo. E o que se viu? A Espanha conseguiu chegar à última rodada de votação, mas perdeu para a Rússia. A história não difere um milímetro disso aí."

O ex-presidente da CBF também negou que um amistoso da seleção brasileira com a Argentina, realizado no Catar, seria um pretexto para o pagamento de propina referente à Copa de 2022, como revelou o Estado na semana passada. "Inventaram um monte de histórias sobre esse jogo do Brasil com a Argentina no Catar. Mas rezava o contrato em vigor - ‘acho que ainda é assim’ -, de que a empresa (Kentaro, da Suíça) me pagava uma cota fixa com a seleção jogando no Brasil, na Alemanha, no Catar, onde fosse. Qual é o problema?", perguntou.

Teixeira comandou a CBF entre os anos de 1989 e 2012, quando renunciou ao cargo em meio à denúncias de corrupção. Na época, ele chegou a se afastar, alegando problemas de saúde, e depois entregou oficialmente o cargo ao sucessor José Marin Marín, então vice-presidente mais velho. Marin está preso na Suíça. Ele responde processo por corrupção na Fifa.

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