Teixeira quer mudar estatuto da CBF

Depois de doze anos dirigindo de forma centralizadora a CBF, o presidente, Ricardo Teixeira, que não pretende tentar a reeleição em 2003, quer submeter as decisões de seu sucessor à aprovação de um comitê executivo, a ser criado no futuro. Mais: propôs que seja permitida apenas uma reeleição para o cargo que ocupa - ele próprio se reelegeu duas vezes. As mudanças a serem estudadas por uma comissão, formada por juristas ligados ao futebol, são conseqüências da CPI do CBF/Nike, como admitiu o dirigente. Segundo Teixeira, o comitê será eleito pelo colégio eleitoral da CBF, hoje composto pelos 28 clubes da primeira divisão e os 27 presidentes das federações estaduais. Ainda pode aumentar o número de integrantes do próprio colégio eleitoral da CBF, que elege o presidente da entidade. "Isso tudo será estudado pela comissão, que irá definir o colégio", contou. Os candidatos ao comitê, explicou o presidente, não terão de preencher pré-requisitos para postular o cargo, o que abriria o caminho para que ex-jogadores participassem da administração da CBF. "Será nos moldes da Fifa, onde tudo tem de ser aprovado pelo comitê executivo." Assim como na Fifa, as vagas no comitê nacional seriam ocupadas por região. As alterações na estrutura da CBF só poderão entrar em vigor a partir de 2003, quando Teixeira deixar a entidade. "É impossível fazer eleição porque estamos no meio de um mandato", rechaçou. Todas as mudanças serão introduzidas no estatuto da entidade, considerado "ultrapassado" pelo dirigente, mas nunca modificado anteriormente por ele. Disse ainda que as mudanças foram fruto das contribuições da CPI da CBF/Nike. "Não há como negar isso." O estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) também o influenciou, segundo o dirigente. A comissão que vai determinar as propostas para modificar o estatuto será comandada pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Rubens Aprobbato. Ao seu lado, estarão, entre outros, o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Luiz Zveiter, e o funcionário do departamento Jurídico da CBF, Valed Perry. Eles ainda vão estudar mudanças no Código Brasileiro Disciplinar de Futebol (CBDF). Uma das primeira alterações, no entanto, já foi feita por meio de uma Resolução de Diretoria (RDI) anunciada hoje. Foram tomadas medidas para controlar a transferência de jogadores entre 16 e 23 anos para o exterior, o que foi motivado pelo escândalo do caso de passaportes falsos. Pelas medidas, os casos serão encaminhados ao Ministério Público se houver suspeita de fraude. Ambev - Hoje, foi oficializada a assinatura do contrato entre a CBF e Ambev, que torna o Guaraná Antártica o novo patrocinador da seleção brasileira. A Ambev pagará, pelo menos, US$ 10 milhões à entidade, durante os próximos 18 anos. Esse valor pode ser acrescido de um percentual em caso de aumento da venda de refrigerantes. "Com esse contrato, a CBF está garantida, financeiramente, até o fim de sua existência", garantiu Teixeira.

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