Tem brasileiro brilhando em Hong Kong

É comum as pessoas comentarem que em todos os lugares do mundo há um brasileiro jogando futebol. Mas, dificilmente alguém arriscaria seu dinheiro para apostar que existem representantes do país sul-americano atuando em Hong Kong. Como se não bastasse um, existem oito jogando bola na ilha asiática. E um deles virou ídolo, é reconhecido por boa parte das pessoas nas ruas e nem pensa em retornar ao Brasil.Trata-se de Cristiano Cordeiro, um zagueiro gaúcho de 31 anos, bastante adaptado ao diferente estilo de vida chinês. "Gosto muito daqui, tenho tranqüilidade, não há pressão dos dirigentes e da torcida, o lugar é agradável e oferece segurança", contou o atleta, neste domingo, após jantar num dos restaurantes da badalada Rua Lan Kway Fong, situada na região central de Hong Kong.Depois de ter-se formado no Internacional-RS, clube no qual se profissionalizou, e defendido o Fortaleza por alguns meses, foi indicado por Casemiro Mior, atualmente técnico do Atlético-PR, para defender o South China, equipe mais popular de Hong Kong - na época, Casemiro mantinha contato com os chineses, para os quais já trabalhou.Aceitou o convite e desde aquele ano, 1998, e nunca mais pensou em retornar ao País de origem. "É verdade que aqui a estrutura não é tão evoluída, que o futebol não é tão profissional, mas, além de receber em dia, ganho mais do que ganharia em muitos clubes do Brasil". Os estrangeiros - normalmente quatro por equipe - recebem entre US$ 6 mil e US$ 8 mil por mês, mas costumam ter regalias, como o aluguel do apartamento pago.Cristiano transferiu-se, em 2003, para o Sun Hei, com o qual foi campeão da Liga de Hong Kong na última temporada. O título deu ao time o direito de disputar, neste ano, a Copa dos Campeões da Ásia e rendeu ao jogador ainda mais prestígio. A Liga de Hong Kong conta com 10 participantes e, embora tenha algumas equipe da China, é separada do Campeonato Chinês. Antes de Cristiano, houve brasileiros em Hong Kong, como Serginho Chulapa. O atacante, ex-São Paulo e Santos, porém, depois de assinar contrato, resolveu retornar ao País sem dar explicações. "Esse tipo de coisa prejudica a imagem do jogador brasileiro", lembrou o zagueiro.Nos momentos de folga, o ex-colorado gosta de visitar ilhas e lugares próximos, na própria Ásia, acompanhado da mulher, Andrea, e da filha, Maria Eduarda, além de ir ao cinema, a restaurantes, a um boteco de um amigo para comer pastel de queijo e à praia. "Minha mulher se adaptou ainda mais facilmente do que eu, porque já chegou a Hong Kong sabendo inglês." Além da amizade de colegas de clube, mantém relacionamento com brasileiros que vivem no local.Embora o futebol não seja paixão nacional, como no Brasil, Cristiano diz que se diverte em Hong Kong, seguramente um dos lugares mais exóticos e bonitos do mundo. A Liga recebe entre 2 mil e 4 mil pagantes por jogo e é transmitida pela televisão. Em Hong Kong, o esporte de maior sucesso é o turfe, que atrai dezenas de milhares de pessoas por semana. "Os chineses adoram apostar."

Agencia Estado,

06 de fevereiro de 2005 | 22h58

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