Nelson Almeida/AFP
Nelson Almeida/AFP

Temer assiste chegada de vítimas no aeroporto e decide ir ao velório

Presidente iria apenas prestar homenagem aos familiares, mas mudou de ideia

Gilberto Amendola, enviado especial a Chapecó, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2016 | 10h45

O presidente Michel Temer chegou ao aeroporto municipal de Chapecó às 8h50 de sábado para participar de uma cerimônia em homenagem às vítimas do acidente aéreo envolvendo atletas da Chapecoense. A presença presidencial foi polêmica durante toda a semana. Alguns familiares chegaram a reclamar do fato de precisarem ir até o aeroporto "encontrar o presidente". 

A indecisão sobre a presença ou não de Temer no estádio durou até o fim da Cerimônia. No final, Temer decidiu ir ao local do velório. " Não disse antes que iria ao estádio porque se eu dissesse a segurança iria colocar pórticos ao redor do estádio e revistar as pessoas que entram. Só comuniquei que vou lá agora para facilitar a vida de todos".

A comitiva presidencial estão os ministros do trabalho, Ronaldo Nogueira e dos Esportes, Leonardo Picciani. Além do secretário geral da CBF, Walter Feldman. Às 9h05, o presidente entrou em uma área reservada para conversar com as famílias. Esse encontro foi motivo de polêmica durante toda a semana. Familiares das vítimas mostraram clara insatisfação com o foto de se deslocarem do estádio para o aeroporto. Quem mais vocalizou essa insatisfação foi o pai do zagueiro Felipe Machado, Osmar Machado, ainda no gramado da Arena Condá, na última sexta-feira. "Isso é um desrespeito. Eu ter que sai daqui para dar um abraço no presidente. Quem deveria vir até nós era ele", disse. Osmar, de fato, não foi ao aeroporto.

Enquanto o presidente cumprimentava os familiares em uma sala privada, informações conflitantes surgiram sobre a ida dele ao estádio. A assessoria da Chapecoense informou a ida do presidente à Arena Condá aos repórteres que estavam no local. Mas, ao mesmo tempo, a assessoria da presidência não confirmava a informação. A parente de uma das vítimas foi quem avisou aos repórteres que no encontro , Temer teria afirmado que iria ao velório.

Quando o primeiro avião chegou trazendo os corpos das vítimas, os familiares saíram do encontro com o presidente e se dirigiram para uma área externa, perto da pista. O clima era de muita comoção. Os caixões foram desembarcados um a um, com um pano branco envolvendo-os. Eles passaram por duas fileiras de militares perfilados - ao som da Marcha fúnebre. 

Cada corpo que passava era recebido por palmas. Como os caixotes estavam identificados com o nome das vítimas, os parentes caiam em prantos ao vê-los passar. 

Chovia muito forte e o presidente declarou: " Quando vejo essa chuva, penso que deva ser São Pedro chorando a morte desses jogadores".

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