Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians
Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

'Temos a preocupação de revelar homens e não atletas no Corinthians', disse Coelho

Auxiliar de Osmar Loss destaca trabalho psicológico para ajudar os garotos na base alvinegra

Entrevista com

Coelho, auxiliar de Osmar Loss

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2016 | 07h01

O Corinthians espera aproveitar a boa geração de talentos oriundos da base, para voltar a revelar talentos. O auxiliar técnico do time Sub-20, Dyego Coelho, é um exemplo para os garotos, já que saiu da base do clube, se profissionalizou, atuou por anos no time alvinegro, depois se aventurou no futebol europeu, grandes clubes brasileiros e até teve rápida passagem pela seleção brasileira. 

Em entrevista ao Estado, o auxiliar de Osmar Loss falou sobre o time para a disputa da Copa São Paulo, comentou sobre a necessidade de ajudar os meninos a se prepararem psicologicamente para o futuro e contou o que falta para seguir a carreira de técnico. 

O que podemos esperar do Corinthians na Copa São Paulo?

A gente vai brigar. O clube gosta de jogar essa competição e temos que ter responsabilidade. Não sei se vamos chegar à final, mas vamos lutar por isso.

O quanto é importante para os garotos ter você como auxiliar, um ex-jogador, que veio da base do clube e passou por todos os estágios que eles sonham passar?

Para falar a verdade, eu aprendo mais com eles do que eles comigo. Eu dou dicas de como as coisas funcionam. O jogo, a torcida, a imprensa... A torcida do Corinthians é espetacular e eles vão sentir isso na Copinha. Mas junto com o apoio vem a cobrança, que será muito maior. Na base, a cobrança é da comissão técnica e dos mais. Lá em cima, é da torcida e da imprensa, algo muito maior. Não é o fim do mundo, mas é uma responsabilidade boa para eles terem. Jogar em um Pacaembu lotado não é para qualquer um.

A diretoria de base do Corinthians quer fazer uma maior interação entre o futebol de campo e do salão. O quanto acha que isso pode ajudar os atletas?

Demais, ainda mais se começar fazendo isso desde cedo, com os garotos de oito, dez anos. Nesta fase, você consegue aprimorar a habilidade, tomar decisões mais rápidas e quando ele tiver com seus 15 anos, já terá uma base técnica apurada. Ele vai chegar ao Sub-20 dando passe de esquerda e de direita e sabendo cabecear uma bola, por exemplo. Aprovo e acho que isso já deveria ser feito. Nossos maiores craques saíram do futsal.

Como trabalhar a cabeça dos garotos, já que muitos deles não chegarão a ser grandes jogadores? 

Eles precisam entender que isso tem grandes chances de acontecer. Daqui, torcemos para que todos cresçam e virem atletas de ponta, mas sabemos que a maioria ficará no meio do caminho. Sempre falo para eles que eles têm de acordar todo dia e pensar que quer ser jogador e fazer de tudo para ir em busca disso. É uma competição entre eles e um desafio chegar lá em cima. Temos a preocupação de revelar homens e não jogadores. A gente tem que ajudar a criar cidadãos.

Você fazer isso? Todos aqui só pensam em ser jogador de futebol e ficam empolgados por jogar no Corinthians...

O Corinthians tem um trabalho maravilhoso com psicólogos, mas nós, da comissão técnica, muitas vezes temos de ser psicólogos também. Eu sempre falo para eles que eles ainda não chegará lá e tem muita coisa para fazer, antes de 'se acharem jogador do Corinthians'. Eles precisam saber usar o Corinthians para se tornarem grandes profissionais e não usar o clube para serem estrelas. Não existem motivos para empolgação demais.

A Copinha é uma vitrine para os jogadores, mas pode ser também para comissão técnica. Acredita que pode se destacar e pensar em se tornar técnico?

A curto e médio prazo, não. Tenho 33 anos e muita coisa para aprender ainda. Faz um ano e meio que estou trabalhando com o Osmar e quero aprender muito, não só com ele, como com toda a estrutura que o Corinthians tem. Sempre mais escutando do que falando, vou aprendendo e ainda preciso de muita bagagem para um dia ser treinador. 

 

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