Pierre Philippe Marcou/AFP
Pierre Philippe Marcou/AFP

Temporada 2018-2019 no PSG deve começar por Neymar e sem Emery 

Craque fica, apesar do assédio do Real, garante diretor esportivo; já o treinador chegou ao seu limite

Andrei Netto, de Paris, O Estado de S. Paulo

06 Março 2018 | 19h08

Derrotado dentro de campo pelo Real Madrid, um dos clubes cuja envergadura almeja alcançar um dia, o Paris Saint-Germain deve iniciar nas próximas semanas uma nova etapa de seu projeto de conquistar a Europa. Mesmo com a ausência de Neymar no momento decisivo da copa, o prestígio do craque brasileiro segue intacto entre os diretores do clube, que garantem sua permanência em Paris, apesar do assédio madrileno. Quem não goza dos mesmo prestígio é Unai Emery, cuja demissão deve marcar o início do planejamento para 2018-2019.

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Emery foi um sobrevivente do trágico 6 a 1 para o Barcelona no Camp Nou, em 2016, e manteve o posto apesar de também perder a Liga 1 do Campeonato Francês. A justificativa da direção foi que seu time havia feito uma apresentação de gala no 4 a 0 sobre o próprio Barcelona, no Parque dos Príncipes, na mesma edição da Liga dos Campeões e que ele mereceria um voto de confiança.

Sua manutenção no cargo aconteceu mesmo com a reformulação de toda a direção esportiva, com a promoção do brasileiro Maxwell a coordenador esportivo e a chegada de um novo diretor esportivo, o português Antero Henrique. Questionado sobre a próxima temporada, coube a Henrique reiterar no último domingo que Neymar não será negociado. "É claro que Neymar vai permanecer em Paris na próxima temporada", sentenciou o dirigente. Ou seja, para o PSG 2018-2019 começa pelo brasileiro.

Já Emery teria chegado a seu limite. Tricampeão da Liga Europa pelo Sevilla, o espanhol não conseguiu se impor em Paris como o comandante que levaria o clube ao topo do mundo. O desgaste que já havia da temporada passada foi ampliado ao longo da atual em razão da suposta falta de controle em momentos de tensão que afloraram no grupo de estrelas. O mais claro desses episódios foi o atrito entre Neymar e Cavani pelo posto de batetor de pênaltis. Sua aparente falta de pulso expôs os jogadores dentro de campo e provocou certa antipatia em relação a Neymar entre torcedores do PSG e na França.

O episódio parecia superado, quando suas escolhas para o confronto com o Bayern Munich e a derrota por 3 a 1 quase provocaram sua queda, que teria sido cogitada por Antero Henrique, segundo o jornal Le Parisien. 

Já a primeira partida com o Real Madrid relançou as dúvidas sobre sua capacidade de gerenciar o grupo e, ao mesmo tempo, de tirar o melhor de um plantel milionário. No jogo da Espanha, Thiago Silva, até então capitão da equipe, foi sacado e substituído por uma jovem promessa, Kimpembe, de 22 anos. A escolha do jovem meia argentino Lo Celso, 21 anos, ex-prodígio do Rosario Central, para fazer a função de volante mais recuado do time, também se mostrou desastrosa. Por fim, a entrada de Meunier na lateral-direita, avançando Daniel Alves para o ataque, acabou sendo vista como a razão pela qual um bem-vindo empate em 1 a 1 se transformou em uma derrota por 3 a 1 difícil de reverter.

Em Paris, a pressão da imprensa não ajuda. Pierre Menès, célebre comentarista esportivo do Canal+, da França, já pediu sua cabeça após o primeiro jogo. "Ele nunca ganha um jogo importante fora de casa. Há um ano e meio. É por acaso?", questionou, ironizando: "continuem a crer que ele tem o nível que o PSG precisa…" 

Logo, em Paris parece consenso que o PSG buscará um novo comandante para o vestiário na temporada de 2018-2019. Alguns nomes já são inclusive especulados, como Antonio Conte, do Chelsea, e Diego Simeone, do Atlético de Madrid. Outra possibilidade seria mais simples, está desempregado e tem, no CV duas grandes vantagens: tricampeão da Liga dos Campeões e uma boa passagem pelo PSG em 2012-2013. Trata-se de Carlo Ancelotti. Mas o italiano teria planos de retornar à Inglaterra.

No grupo já milionário, as mudanças não devem ser radicais. As grandes questões da janela de transferências devem ser a contratação de um novo goleiro - Jan Oblak, do Atlético de Madrid, é o favorito -, de um lateral-esquerdo para a vaga de Kurzawa, que não convenceu, e de um volante para lugar do veterano Thiago Motta, 35 anos. 

Do lado das saídas, nomes como o argentino Pastore já vinham sendo cogitados na pequena barca parisiense, que ainda busca o equilíbrio das contas para evitar infringir o fair play financeiro da UEFA. Outro cuja saída chegou a ser mencionada é do alemão Julien Draxler. Vale lembrar que o clube tem a missão dupla de compensar os € 222 milhões por Neymar, objetivo já próximo, e justificar os € 180 milhões por Mbappé, que serão pagos ao Monaco ao término de seu empréstimo.

A última possibilidade, que não vem mais sendo muito evocada, mas foi uma das hipóteses cogitadas ao longo do ano, seria a venda de Cavani. Ídolo número 2 do clube - para muitos, o número 1 -, o artilheiro uruguaio é o vértice do ataque parisiense, mas uma eventual venda poderia resolver dois problemas: preencher o caixa e evitar sanções da UEFA e, se ainda existirem, resolver um eventual mal-estar com o astro brasileiro.

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