Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Tempo de mandato do presidente faz Palmeiras viver clima de 'guerra'

Proposta de alteração do estatuto para aumentar de dois para três anos o período de gestão divide os conselheiros

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

04 Maio 2018 | 07h00
Atualizado 04 Maio 2018 | 09h57

No próximo dia 21 o Palmeiras vai votar alteração no estatuto e aquecer o clima para a eleição presidencial de novembro. O Conselho Deliberativo decidirá se aumenta o mandato do presidente de dois para três anos, como querem o atual ocupante do cargo, Mauricio Galiotte, e a empresária Leila Pereira, ou se mantém o formato, como deseja o ex-presidente e adversário político da dupla, Mustafá Contursi.

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A discussão sobre a mudança no tempo de comando começou ainda no primeiro mandato de Paulo Nobre (2013 a 2014), mas o tema não evoluiu na ocasião pela falta de interesse interna em discutir a pauta. Ao assumir a gestão, no começo do ano passado, o presidente Galiotte e o presidente do Conselho Deliberativo, Seraphim Del Grande, retomaram o projeto. Os defensores explicam que, das principais equipes do futebol brasileiro, somente Palmeiras, Inter e Sport têm gestões bienais. Além disso, sustentam que os três anos permitem uma governabilidade maior.

Entre os contrários estão nomes tradicionais da política alviverde, como Gilto Avallone e Roberto Frizzo. As críticas principais do grupo são ao fato de a mudança ser uma alteração brusca no estatuto, entrar em vigor já na próxima eleição e, portanto, poder beneficiar quem já está no comando. O processo também é tratado como uma forma de antecipar a chegada de Leila à presidência e possibilitar que ela suceda a Galiotte logo após a saída dele.

Se a alteração for aprovada, o ganhador do pleito de novembro ficará no cargo até 2021.

A mudança gera polêmica e tem como pivô principal a presidente da Crefisa. Favorável ao mandato de três anos, Leila Pereira atua nos bastidores para conquistar mais apoiadores. Se a alteração for aprovada, ela teria tempo para atender o requisito necessário para se candidatar à presidência em 2021.

Eleita conselheira do Palmeiras em 2017, Leila precisa obrigatoriamente estar no mínimo no segundo mandato de quatro anos na função para concorrer ao comando do clube. Isso pode ser cumprido em fevereiro de 2021, data do novo pleito para o Conselho, e nove meses antes disputa presidencial.

Nos bastidores, a empresária tem se movimentado bastante. No dia 17 ela vai realizar jantar em um hotel em São Paulo para selar o apoio de conselheiros à mudança. Nos últimos dias, Leila convidou potenciais aliados para embarcar em seu jatinho e ir ao Rio e a Buenos Aires ver jogos do Palmeiras. O próximo embarque será no fim de semana, para Curitiba. Seus adversários apelidaram as viagens de “aeroestatuto’’.

Os contrários à alteração também têm atuado nos bastidores. Uma corrente defende o não comparecimento em peso à reunião no Conselho, para diminuir a possibilidade de aprovação. A mudança avança se no mínimo 143 dos 284 conselheiros (50% mais um voto) aceitarem a proposta, que pode ser votada independentemente do número de presentes. O passo seguinte é a apreciação do assunto pelos demais sócios.

A disputa presidencial deve ter como adversários dois antigos aliados. Galiotte deve buscar a reeleição contra um dos antigos vices. Genaro Marino Neto se afastou do atual mandatário e deve contar com o apoio dos ex-presidentes Mustafá e Paulo Nobre. Galiotte terá como principal aliada Leila Pereira.

PACOTE DE MEDIDAS

Além da votação sobre o tempo de mandato, no dia 21 a reunião vai tratar de outros assuntos. Um outro tópico polêmico diz respeito à diminuição do número de conselheiros vitalícios, de 148 para cem, fora questões burocráticas, como a alteração do endereço da sede de Rua Turiassu para Rua Palestra Itália.

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