Tempo valioso

O tempo é valioso, mas vai ficar escasso. A vitória sobre o Atlético Mineiro, até então líder isolado do Campeonato Brasileiro, vai contribuir para aumentar o nível de confiança do Corinthians, mas o grupo ainda vai oscilar, como todos os rivais na competição. ÓPtime mostra evolução, não uma certeza.

Paulo Calçade, O Estado de S. Paulo

20 de julho de 2015 | 03h00

A campanha no Brasileirão divide-se em duas fases bem distintas. A primeira, influenciada pelas derrotas para o Guarani do Paraguai, na Copa Libertadores, foi turbulenta. Em oito partidas, o grupo faturou 54% dos pontos disputados, mantendo-se em posição intermediária na tabela. A imagem era de perda, de esvaziamento técnico.

Além de lidar com o fracasso na competição internacional, Tite precisava trabalhar pela reconstrução da equipe e devolver a ela sentido coletivo após a saída de Guerrero, Emerson Sheik e Fábio Santos. 

O momento ruim foi agravado pela ausência de Elias, convocado para a Copa América, e pela dívida com os jogadores. Asfixiado financeiramente, o clube ainda parece disposto a aceitar qualquer proposta por titulares, reservas e garotos da base. Basta aparecer com o dinheiro.

O segundo período no campeonato é formado pelas últimas seis partidas, período com 89% dos pontos conquistados. Os números são excelentes, mas há muito para ser feito, principalmente porque a maior característica do nosso futebol é a instabilidade. 

O resultado é fundamental, mas a forma e o método é que lhe dão consistência. O retorno de Elias e a troca de Edu Dracena por Felipe melhoraram o rendimento corintiano, incidiram diretamente na forma de jogar e nos resultados.

Nesta fatia de invencibilidade, o Corinthians tem números relevantes. Não sofreu gols e marcou 10, superando a fase anterior com alguns ajustes. No sistema 4-1-4-1, com Bruno Henrique na vaga de Ralf, posicionado entre as linhas de defesa e de meio-campo, a movimentação e as funções têm sido mais importantes do que a disposição tática.

No jogo de xadrez não basta conhecer as posições das peças, é preciso saber movimentá-las. Bruno Henrique, Elias e Renato Augusto conseguem trabalhar bem a saída de bola para o ataque, minimizando o desperdício do passe, por dentro e pelos lados. E eis um pouco de virtude num defeito dramático do futebol brasileiro atual, a transição ofensiva.

Com Vagner Love na vaga de Guerrero, o time prende menos a bola na frente, sente falta do trabalho de pivô e de um pouco de profundidade, trabalho de centroavante que o peruano faz muito bem. Mas o atacante vai se adaptando, ou tentando. Não foi brilhante contra o Atlético Mineiro, mas fez a jogada do gol de Malcom, no contra-ataque que construiu a vitória.

No sistema de Tite, Renato Augusto é jogador imprescindível. Entende-se muito bem com Elias, é meia, é volante, aproxima-se da área e faz a transição triangulada pela faixa central do gramado e pelo setor esquerdo com Uendel. 

Infelizmente a instabilidade do futebol brasileiro não permite fazer projeções. Contusões, convocações para a seleção e um ou outro período com excesso de jogos podem acabar com tudo. 

Como bem disse Tite, comparações entre Vagner Love e Guerrero são descabidas. Por estilo e pelo momento, não existe semelhança. O Corinthians vai oscilar, mas já saiu do limbo. Isso explica a procura por outro atacante para a função, alguém mais parecido ao estilo do agora jogador do Flamengo. 

MEDO

Sempre presente nas reuniões da Fifa, até naquelas sem nenhuma importância, o presidente da CBF decidiu não comparecer à mais valiosa, a que vai começar a definir o futuro eleitoral da entidade. Marco Polo Del Nero permanecerá no País para cuidar do futebol. Acredite quem quiser.

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