Phil Noble/Reuters
Phil Noble/Reuters

Temporada mais longa e inusitada do Campeonato Inglês termina neste domingo

Competição europeia contou com Liverpool soberano, paralisação devido a pandemia, estreia do VAR e muito mais

Redação, Estadão Conteúdo

25 de julho de 2020 | 15h44

Passadas horas após a entrega do troféu do Campeonato Inglês, na última quarta-feira, torcedores do Liverpool ainda escalavam os portões e grades de Anfield Road, soltando fogos que enchiam o céu da cidade com uma névoa vermelha.

A comemoração à distância iniciada ainda no dia 25 de junho, com a conquista antecipada graças a uma derrota do Manchester City, só vai acabar neste domingo, data da rodada de encerramento desta que foi a temporada mais longa da história da competição.

A ordem de dispersão determinada pela polícia local e as recomendações de distanciamento social em função da pandemia não foram suficientes para evitar que os apaixonados pelo Liverpool se espremessem nos arredores do estádio após o confronto válido pela penúltima rodada. Era o mais perto que eles conseguiam chegar da festa que a lendária arena vermelha demorou 30 anos para sediar.

Apenas algumas centenas de protagonistas e convidados haviam sido autorizados a entrar no local para testemunhar a vitória por 5 a 3 sobre o Chelsea. Além de jogadores e equipes técnicas, somente jornalistas e familiares estiveram no estádio.

Era realmente um privilégio poder assistir ao vivo a coroação desta que foi a temporada mais marcante da competição desde seu início, em 1888. Uma oportunidade única, negada a qualquer torcedor comum, de ver o fechamento de um histórico ciclo vencedor após as conquistas da Liga dos Campeões e do Mundial de Clubes no ano passado.

NOVA REALIDADE

Com a interrupção abrupta do campeonato na segunda semana de março, o cancelamento da temporada havia se tornado uma possibilidade real, à medida que o número de mortos por coronavírus aumentava no Reino Unido. A única maneira segura de retomar as partidas após 100 dias de suspensão era restringir a capacidade dos estádios para menos de 300 pessoas, deixando de fora os torcedores que são a força vital da competição.

Os cerca de 25 jornalistas presentes na área de imprensa já formavam uma reunião maior do que qualquer aglomeração permitida atualmente na sociedade inglesa. "Acho que esta já é a minha sétima entrevista. Nenhuma multidão no estádio, mas obviamente a mídia teve permissão para estar aqui", ironizou o técnico Jürgen Klopp após o fim da fila de 30 anos.

Na maioria das transmissões pela TV desde a retomada do campeonato, o som artificial substitui o barulho das multidões para fornecer um ar de normalidade. Dentro dos estádios, a nova realidade trouxe estranhezas e experiências a serem relatadas.

Enquanto reportam os jogos em seus computadores, os jornalistas conseguem ouvir até os suspiros mais altos. Jogos com portões fechados exigem uma atenção ainda maior no jogo, aproveitando os sons que não estão mais abafados pelas arquibancadas. Instruções gritadas do banco e palavrões agora podem ser detectados com clareza. Os choques entre os jogadores e a bola explodindo no travessão ecoam ao redor do estádio vazio.

Atletas e treinadores agora passam por testes de sangue e barreiras de segurança sanitária. Só podem dar entrevistas à distância ou até mesmo por meio de chamadas de vídeo. Repórteres usam máscaras e têm a saúde controlada com termômetros e medidores de oxigênio. Talvez o único grupo a ver pontos positivos nas partidas com portões fechados seja o dos árbitros, poupados temporariamente dos xingamentos das torcidas.

Em uma temporada na qual o VAR (árbitro de vídeo) fez sua estreia no Campeonato Inglês, a longa e criticada espera pelos replays e decisões pôde ser preenchida pela música, por exemplo, no estádio do Tottenham. Com os áudios temporariamente permitidos pela Premier League nas pausas do jogo, o clube utilizou o artifício para aumentar a tensão durante as revisões dos lances mais polêmicos.

Do lado de fora, até os estacionamentos dos estádios agora são compartilhados com tendas para a testagem da covid-19 na população geral, lembrando a emergência de saúde que tornou essa a temporada mais longa da competição.

Os jogadores desejando apoio, os executivos atingidos financeiramente pela falta de receita, e a mídia ansiando pelo clima proporcionado pelos torcedores reais: todos esperam que o barulho habitual da multidão volte logo - talvez ainda mais alto - quando a nova temporada do Campeonato Inglês começar em 12 de setembro.

ÚLTIMA RODADA

Com impressionantes 18 pontos de sobra na liderança, a equipe do técnico Jürgen Klopp apenas cumpre tabela em ritmo de festa contra o Newcastle, às 12h (de Brasília). Para outras equipes, porém, ainda estão em disputa vagas na Champions League e na Liga Europa, além da luta contra o rebaixamento.

Manchester United, Chelsea e Leicester City brigam entre si para definir os dois últimos classificados à Liga dos Campeões (Liverpool e Manchester City já estão garantidos). Assim, o confronto direto entre Leicester e United torna-se o grande destaque da rodada, enquanto o Chelsea recebe o Wolverhampton. Todos os jogos estão marcados para as 12h.

O Wolverhampton aparece à frente do Tottenham na corrida para ir à Liga Europa, e para isso torce por um tropeço da equipe de José Mourinho diante do Crystal Palace, como visitante.

Na parte de baixo da tabela, Aston Villa, Watford e Bournemouth buscam a sobrevivência na elite do futebol inglês contra, respectivamente, West Ham, Arsenal e Everton, em duelos fora de casa. Dos três, dois serão rebaixados e se juntarão ao lanterna Norwich.

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