Sergio Castro/Estadão
Sergio Castro/Estadão

‘Tenho certeza de que seremos campeões’, avisa Cueva

Novo camisa 10 do São Paulo, peruano teve contrato prorrogado até 2021

Entrevista com

Christian Cueva

Marcius Azevedo e Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

25 Fevereiro 2017 | 07h00

O meia Cueva está em grande fase no São Paulo. O jogador acertou um novo vínculo com o clube e tem sido fundamental no time. Hoje, seus pais e sua filha chegam para passar um tempo com ele no Brasil. Nesta entrevista ao Estado, a primeira exclusiva que ele dá desde que chegou ao Brasil, ele fala de suas ambições.

Como você se sente por ter prorrogado seu vínculo com o São Paulo até junho de 2021?

Fico feliz pela renovação. Tanto o São Paulo quanto eu estamos conscientes do que temos de fazer como clube e jogador. Tenho de me dedicar em campo e fora dele, sendo disciplinado e constante nas minhas coisas pessoais. Estou agradecido pela confiança que o presidente tem me dado e também o Rogério. Estou aprendendo muitas coisas com ele.

Você parece já estar bem adaptado ao clube. Esperava que fosse tão rápido?

Tenho de confiar no meu talento e capacidade como futebolista e pessoa. Sei que seria difícil me adaptar ao São Paulo, um clube tão grande, e graças a Deus foi rápido, mas não me conformo com isso, quero muitas coisas mais com o São Paulo. Cheguei aqui e me senti como parte da família, uma parte importante, e isso facilitou muito na adaptação.

Sua confiança é tão grande que você quis colocar no contrato um bônus caso seja eleito o craque do Brasileirão. Qual sua expectativa?

Fiz isso pensando no campeonato. Eu sei que saindo campeão, posso conseguir isso. Se não for, as chances são menores. Conversei com o presidente e realmente tenho certeza de que esse ano vamos ser campeões, então temos de trabalhar muito, não é só da boca para fora. Tenho sempre que querer cada vez mais. Não posso me conformar e, por isso, colocamos esta cláusula de melhor do Brasileiro.

Você acredita que gols nos clássicos o tornaram ídolo da torcida?

Para ser ídolo eu preciso fazer muitas coisas. Ídolo é Lugano, Rogério... Eu gosto de jogar futebol. No clássico, simplesmente fiz isso. Sei o que significa o clássico para os torcedores, é importante para mim, para o clube. Tenho o Lugano como companheiro, o Rogério, como treinador. Mas, repito, para ser ídolo preciso fazer muitas coisas, como ser campeão.

O São Paulo fez você ser mais conhecido internacionalmente?

O clube me ajudou a crescer como jogador, não sei se me deu fama ou ser conhecido na América. É bonito quando te reconhecem, faz parte da nossa carreira. O São Paulo, a seleção e outros clubes onde passei me fazem crescer como jogador. Estou em um momento bonito da minha carreira. Quando tiver um momento ruim terei de ser homem para superar também. Estou sempre trabalhando nisso, aproveitar os momentos bonitos e estar pronto para os momentos ruins.

Como foi sua infância no Peru?

Foi um infância dura, lógico, que sempre vou lembrar. Foi vivida com meus pais e eles foram o principal motivo de seguir adiante. Deus te põe provas no caminho e você tem de superá-las. Nunca vou esquecer disso, ao lado dos meus pais, meus irmãos. Foram momentos muito felizes. Hoje em dia também estou vivendo ao lado da minha família, minha mulher, minhas filhas. E isso é muito importante. Estou vivendo um sonho.

Você gosta de homenagear seus parentes com marcas no corpo. Como tomou gosto pelas tatuagens?

No começo eu não gostava. Depois coloquei o nome da minha mãe e começou tudo por aí. Tem onome do meu pai, tem a Virgem Maria, o Cristo e minha filha. Fui fazendo com o tempo, todas têm um significado. Não vou tatuar alguma coisa que não tenha um significado para mim.

Esta temporada você ganhou a camisa 10 no São Paulo. Gosta de vestir uma camisa tão simbólica para os brasileiros?

Sou torcedor da seleção brasileira, tenho dois ídolos que são Ronaldo e Ronaldinho. Então tenho muito respeito por ela. Foi usada por grandes jogadores no mundo todo, inclusive aqui no São Paulo. Isso faz parte da minha infância, eu chorava para usar a camisa 10 nas equipes que jogava. Às vezes não tinha a oportunidade porque outra pessoa pegava a camisa primeiro. Eu tinha seis, sete anos, queria muito. Sempre quis jogar com este número. Não é fácil, logicamente tem de fazer por merecer. Agora posso usá-la aqui no São Paulo, na minha seleção. Claro que nunca vou esquecer o número 13, que pude usar na minha trajetória no México e no começo no São Paulo.

Você vem chamando a atenção pelos gols e assistências. De onde vem essa facilidade para encontrar os companheiros em boas condições?

Cada um tem um talento, mas isso não basta. Essas coisas temos de trabalhar muito. Também é importante a qualidade dos jogadores que se tem ao lado. Hoje tenho grandes companheiros, um grande treinador e isso faz diferença.

Você costuma sair dos jogos de óculos. É estilo ou necessidade?

Eu tenho miopia.

Mesmo assim enxerga bem para encontrar um companheiro livre?

É só um pouco, mesmo assim consigo jogar o futebol. Não preciso usar lentes de contato. Mas tenho de cuidar dos olhos para não ter problema no futuro.

Outra coisa que chama sua atenção é a baixa estatura. Isso já te incomodou algumas vez?

Isso nunca me incomodou. Só não pode faltar com o respeito. Tem um baixinho no Barcelona também, o melhor do mundo. Não temo ninguém, só a Deus. Pode ter três, quatro metros de altura, que vou para cima.

Você foi sondado pelo futebol chinês e nunca escondeu a ambição de jogar na Europa. Como projeta sua carreira?

As propostas chegam ao clube, e ele me comunica algumas coisas. Mas é uma decisão entre eles. Minha prioridade era ficar no São Paulo, conquistar coisas e, como qualquer jogador, após conquistar isso que falei, posso pensar em jogar na Europa.  Mas quero ser campeão pelo São Paulo antes disso.

Você também é um grande destaque na seleção peruana. Como vê essa geração de jogadores do seu país?

A seleção vem crescendo. Nós perdemos muito tempo até nos darmos conta de que temos potencial, logicamente passa pela formação. Estamos crescendo muito bem, é um trabalho de longo prazo e me sinto feliz pelo que estamos fazendo. Todos estamos conscientes do talento e da capacidade do time. Temos condições de conquistar uma vaga na Copa do Mundo. A chegada do técnico Gareca ajudou muito nisso, ele me deu confiança em um momento duro na minha vida para assumir protagonismo na seleção. Isso sempre vou reconhecer, ele foi a pessoa que em encaminhou para hoje em dia estar aqui.

E agora você é comandado pelo Rogério Ceni. Como tem sido o trabalho dele?

Não gosto de comparar o trabalho dos treinadores, pois cada um tem uma maneira de trabalhar. Parece que o Rogério faz isso há anos, apesar de estar começando sua trajetória de treinador agora. Tenho pouco mais de um mês com ele e já posso assimilar o que ele pede, e pode pedir mais a mim e todos os companheiros.

A torcida está eufórica com você e Pratto. Como tem sido essa parceria?

Conhecia ele de ver jogar e tivemos uma amizade imediata. É um jogador de muita qualidade e isso facilita bastante. Mas também temos outros atacantes de muita qualidade no elenco.

Você foi advertido duas vezes em clássicos por comemorar colocando a mão no ouvido. O futebol está chato?

Sim, principalmente no Brasil. As pessoas faziam gols e celebravam de maneiras diferentes, mas isso se perdeu. Espero que o jogador possa poder comemorar, sem faltar com o respeito para qualquer torcida. É o meu jeito de comemorar. Tenho um irmão fã do Riquelme, o Jorge Luís, que sempre me pediu para comemorar assim. Contra um clube menor, você não recebe o cartão. Temos de conhecer o árbitro, mas ele também precisa conhecer o jogador, saber como ele comemora. Sempre comemorei desta maneira.

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