'Tenho tranquilidade para me aprimorar', diz Assunção

Bem de vida após aposentadoria, ele auxilia colegas mais jovens

Daniel Batista, O Estado de S. Paulo

30 de maio de 2016 | 07h00

Marcos Assunção se aposentou recentemente e é um exemplo de atleta que soube gerenciar seus rendimentos com cautela e organização. O ex-jogador de Palmeiras, Roma, seleção brasileira conta que desde o início da carreira tinha a preocupação de não passar por dificuldades depois que pendurasse as chuteiras e que sempre tentou passar a sua experiência aos mais jovens.

Você tem diversos imóveis e uma vida financeira bem saudável. Foi difícil chegar neste nível ao fim da carreira?

Eu tinha uma base com pessoas do bem ao meu lado, como meu empresário, o Ely Coimbra Filho, que conheço desde os 17 anos. A carreira de jogador é curta e vivemos um sobe e desce muito grande. Hoje, você pode receber um bom salário, mas amanhã pode estar em um time pequeno. Por isso é preciso manter uma média do quanto gastar. Hoje, tenho tranquilidade para estudar e me aprimorar para seguir outra carreira. Desde que comecei a jogar tive essa preocupação de não ter de sair feito um louco procurando emprego sem saber o que fazer, só para ter uma renda. Vejo vários amigos passando por isso.

Você aconselhava os jogadores mais jovens a poupar dinheiro?

Tinha muita dessas conversas com os mais novos no Palmeiras e no Santos. Falava com o Gabriel, Alison, Geuvânio, Gasparotto, o Renato (do Palmeiras). Eu falava para eles que hoje eles ganham R$ 100 ou R$ 200 mil e estão no Palmeiras ou no Santos, então gaste R$ 30 mil, R$ 40 mil ou até R$ 50 mil e guarde o resto. Amanhã, você entra em uma fase ruim, vai parar em time pequeno, ganhando menos e vivendo outra realidade. A pior coisa é você ter sido um cara famoso, com dinheiro e não ter nada depois. O que me deixava feliz é que eles me ouviam e me respeitavam muito.

Sua família apoiava sua postura?

Totalmente. Sei que jamais voltarei a receber o que recebia nos tempos em que era jogador, mas terei condições de levar minha família em um bom restaurante ou poder dar um presente que meu filho quer. Só que sempre mostrei para ele a importância do dinheiro. Hoje, ele têm quatro pares de tênis e eu na idade dele tinha um chinelo quebrado que eu colocava prego para conseguir usar. Meu pai saía para trabalhar às 5h da manhã e chegava em casa às 23h e nunca conseguiu dar o que estou dando para eles. Só quero que meu filho valorize isso e entenda que as coisas não são fáceis na vida.

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