Ian Langsdon/EFE
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Tenistas vão atrás de técnicos estrangeiros para melhorar o rendimento

Dos oito principais tenistas brasileiros, seis trabalham atualmente com treinadores de outros países

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2018 | 04h29

Os técnicos estrangeiros estão dominando o tênis de alto rendimento do Brasil. Dos oito melhores do País em simples, seis trabalham com treinadores de outros países. As exceções são os duplistas Bruno Soares e Marcelo Melo, campeões de Grand Slam, que seguem sendo comandados por compatriotas.

A opção por estrangeiros não é algo recente. Dois dos principais tenistas do Brasil, Gustavo Kuerten e Fernando Meligeni, por exemplo, contaram com estrangeiros por breves períodos em suas carreiras. Mas a presença deles vem aumentando nos últimos anos. Thiago Monteiro (atual 123.º do mundo), Rogério Dutra Silva (165.º) e Thomaz Bellucci (242.º), os três primeiros brasileiros do ranking de simples masculino, têm parcerias com técnicos de outros países. E até treinam fora do Brasil.

Os dois primeiros estão na Argentina e Bellucci se mudou para os Estados Unidos neste ano. No feminino, as duas melhores brasileiras no ranking – Beatriz Haddad (187.ª) e Carolina Alves Meligeni (365.ª) – também trabalham com estrangeiros. 

Na opinião de Gustavo Kuerten, a opção se justifica porque a formação de treinadores ainda é um gargalo no tênis nacional.

“Acho que conseguimos evoluir imensamente na parte embrionária, que é ter o professor. Ali, no início do processo, melhoramos muito o nosso tênis. E agora estamos conseguindo trabalhar em equipe para deslocar estes professores para um projeto de alto rendimento com os tenistas”, avaliou Guga, tricampeão de Roland Garros, em entrevista ao Estado.

Apesar disso, o ex-número 1 do mundo concorda com tenistas e técnicos que acreditam no alto nível dos treinadores do País. A dificuldade, na avaliação deles, está na quantidade ainda insuficiente de profissionais para atender as demandas do alto rendimento dos atletas brasileiros. “Temos bons treinadores no Brasil. Mas eles são poucos ainda. Temos de ter maior escala”, diz Guga, que trabalhou com Larri Passos durante a maior parte de sua carreira. 

Para Bellucci, cujo atual treinador é o espanhol Germán López, faltam opções no mercado nacional por causa da pouca rodagem em nível mundial. “Existem muitos técnicos bons no Brasil. Mas sem tanta experiência no circuito. É difícil para jogadores como nós pegar um treinador que ainda está aprendendo”, disse o dono de quatro títulos de nível ATP. “No Brasil, tem muita pouca gente que trabalha com tênis. Aqui os profissionais competentes são poucos e isso compromete o desenvolvimento”, diz Guilherme Clezar, atual 251.º do mundo – pelo ranking dos tenistas brasileiros, há espaço para crescer. 

O último a embarcar numa experiência internacional é Thiago Monteiro. Em agosto, ele trocou a academia Tennis Route, no Rio, pela Academia Blengino Tênis, em Buenos Aires. Saiu o técnico Duda Matos e entrou o argentino Fabian Blengino na vida do atleta. “Foi questão de motivação. Sentia que precisava de uma mudança para alcançar outro nível”, explica Monteiro. 

Apesar do domínio recente dos estrangeiros, o técnico brasileiro Leo Azevedo faz avaliação positiva dos seus colegas. “Em termos de capacidade, o Brasil sempre teve histórico de bons treinadores, como o Carlos Kirmayr e o Larri Passos”, aponta Azevedo, que já trabalhou nos Estados Unidos e hoje está em Barcelona, ao citar um ex-tenista e o ex-técnico de Gustavo Kuerten. “Pode ser apenas um período de transição e daqui a pouco voltaremos a ter um bom número de treinadores (e tenistas) no País”, aposta

Capacitação no país tem nível ouro

Ao mesmo tempo em que tenistas brasileiros buscam treinadores estrangeiros, a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) exibe prestígio internacional em seus processos de capacitação. A entidade ostenta o grau máximo de certificação (nível ouro) segundo avaliação da Federação Internacional de Tênis. Além do Brasil, outros 17 países têm a avaliação, como Espanha e França. 

Esta certificação, realizada em abril, tem validade até o fim de 2020 – há ainda os níveis prata e bronze. “Nosso programa de capacitação é consolidado. Se temos o nível ouro é porque nossa estrutura, materiais, programação e estudos têm nível bom”, diz César Kist, coordenador do departamento de capacitação da CBT – ela informa que os 24 cursos oferecidos, divididos em sete módulos, contaram com 489 participantes neste ano. Somando as aulas a estudos avançados, congressos e workshops, 1.429 profissionais passaram pelo programa de capacitação. “Não existe uma formação linear, um curso que forma sozinho um treinador. O estudo é contínuo.”

 

 

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