Tensão marca preparação do Botafogo para enfrentar o Santos

Jogadores calados, técnico silencioso e o discurso de falar pouco e trabalhar muito em General Severiano

Leonardo Maia, Agência Estado

05 de outubro de 2007 | 17h34

Em clima soturno se preparou o Botafogo para o jogo contra o Santos, neste sábado, às 18h10, no Engenhão. Jogadores calados, técnico silencioso e o discurso de falar pouco e trabalhar muito predominou na equipe que liderou as primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro e era elogiado pelos críticos como o time de futebol mais vistoso do País. Agora na oitava posição, com 42 pontos e em queda livre, o Botafogo precisa da vitória sobre o Santos - terceiro colocado, com 48 pontos - como um peixe precisa de água. "Temos que falar pouco e trabalhar muito. O Santos é um adversário direto na luta pela Libertadores e, se vencermos, aliviamos um pouco a pressão sobre a gente", disse o goleiro Júlio César, que segue como titular com a contusão de Roger. "Estamos silenciosos porque estamos tristes, mas o ambiente entre os jogadores não é pesado. É preciso ter equilíbrio nesses momentos." Equilíbrio tem sido item de luxo em General Severiano, principalmente de quem deveria ser o ponto central de tranqüilidade: a diretoria. As fortes e humilhantes declarações do diretor Carlos Augusto Montenegro (entre outras coisas, chamou os jogadores de frouxos) ainda ardem fundo na alma dos atletas alvinegros. "As palavras (do Montenegro) foram muito duras. Foi difícil superar. Mas acho que esse baque passou. Não adianta guardar mágoa, pois isso se reflete dentro de campo", admitiu o zagueiro Alex, que volta a formar o trio de zaga com Juninho e Renato Silva. O atacante Dodô, que sempre foi de poucas palavras, também comentou a explosão do dirigente, após a derrota por 4 a 2 para o River Plate que eliminou o Botafogo da Copa Sul-Americana, com direito a três gols sofridos nos últimos minutos. "Infelizmente aconteceu o que aconteceu. Não adianta ficar remexendo, mas eu não concordo com o que ele falou. Os jogadores são culpados sim, mas não foram os únicos." O técnico Mário Sérgio mantém o esquema com três zagueiros. Durante o coletivo, fez treino específico de marcação individual, com Lúcio Flávio perseguido em todos os lados do campo por Leandro Guerreiro. "Não terei tempo para implantar um novo padrão tático. A idéia é manter mais ou menos o que vinha sendo feito. Estou fazendo mais os que os próprios jogadores querem. Meu trabalho é mais recuperar a auto-estima deles. Acho que eles não estão muito confiantes e isso é fundamental", comentou Mário Sérgio, que substitui Cuca após a "Tragédia Monumental", referência ao nome do campo do River. O treinador se mostrou preocupado com o sistema defensivo, vitimado com 11 gols nas últimas quatro partidas - não que o ataque esteja uma beleza, pois no mesmo período o abalado Botafogo marcou apenas duas vezes. "Todos os times do Vanderlei Luxemburgo (técnico do Santos) jogam ofensivamente, sem respeitar o campo do adversário. Todos os jogadores terão de se comprometer na marcação. Hoje, não dá mais para um jogador ficar confortavelmente sem marcar os adversários", analisou o treinador alvinegro.

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