Tensão política ofusca duelo das Coreias nas Eliminatórias

Iminente lançamento de um foguete norte-coreano tira a atenção do confronto decisivo para a vaga asiática

Jack Kim, Reuters

31 de março de 2009 | 10h16

Em meio à tensão militar provocada pelo iminente lançamento de um foguete norte-coreano, passou quase despercebida a chegada a Seul da seleção de futebol da Coreia do Norte, para disputar um jogo das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010 contra a Coreia do Sul.

O desembarque, no domingo, atraiu muito mais jornalistas do que torcedores, e o time norte-coreano teve um forte esquema de segurança, feito por policiais e agentes de inteligência. Desde então, porém, os jogadores praticamente não foram mais vistos.

A partida de quarta-feira será decisiva para a definição de uma das vagas asiáticas para a Copa da África do Sul, mas o lançamento de um foguete norte-coreano na semana que vem ofuscou o interesse esportivo.

Pyongyang diz que pretende colocar um satélite de comunicações em órbita, enquanto os EUA e seus aliados asiáticos suspeitam que na verdade se trate de um teste disfarçado com o míssil de longo alcance Taepodong-2, o que violaria sanções da ONU contra a Coreia do Norte, em vigor desde 2006.

Em entrevista coletiva na terça-feira, o técnico norte-coreano, Kim Jong-hun, recusou-se a especular sobre se o jogo poderia melhorar as relações entre Norte e Sul. Preferiu exaltar a garra dos seus comandados. "Nosso espírito de luta é elevado", disse Kim. "Os jogadores têm confiança de que podem enfrentar qualquer time no grupo."

A Coreia do Norte derrotou os Emirados Árabes por 2 a 0 no fim de semana e assumiu a liderança do Grupo 2, mas pode ser ultrapassada caso a Coreia do Sul vença o jogo em Seul.

"Os jogadores e eu estamos plenamente conscientes de como esses três pontos são importantes para avançar na fase de qualificação", disse Kim. "Todos os jogadores estão preparados para jogar com tudo o que têm para ganhar esses três pontos."

As duas seleções mais bem colocadas se classificam automaticamente para a Copa, e a Coreia do Norte tem chances reais de ir à sua primeira Copa desde 1966, quando chegou às quartas-de-final. As duas Coreias nunca disputaram uma Copa simultaneamente.

"Será bom para nós, da mesma nação coreana, irmos para a Copa juntos", disse o técnico sul-coreano, Huh Jung-moo. "Será uma grande honra e fonte de orgulho."

 

Em 2008, durante o primeiro turno das Eliminatórias, a Coreia do Norte anunciou que não iria tocar o hino e hastear a bandeira da Coreia do Sul em Pyongyang. Por causa disso, a Fifa transferiu a partida para Xangai, na China. O jogo terminou em 1 a 1.

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