Maurício Oliveira/Divulgação
Maurício Oliveira/Divulgação

'Tento aplicar um modelo europeu', diz Milton Mendes

Técnico do Atlético-PR exalta reação da equipe na temporada

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

13 de junho de 2015 | 17h00

O Atlético quase foi rebaixado no Estadual e agora faz boa campanha. O que mudou no time?

O treinador mudou e também algumas formas de trabalho. Valorizamos mais o coletivo, o clube, os jogadores, damos prioridade à parte tática. A equipe começa a atacar de trás para frente e não o contrário. Para se formar um bom ataque precisa ter uma boa defesa e vice-versa. Nosso grupo atende à ideia do futebol total, trabalhamos com o objetivo de ser uma família, de um ajudar ao outro. Procuro valorizar os jogadores, que são os protagonistas.

Como resgatou a autoconfiança dos jogadores?

Não foi só conversa. Confiança não se adquire só conversando. Foi preciso fazer um trabalho de parte tática, aos poucos, a cada dia, o time foi crescendo. Logicamente as conversas e os vídeos foram, mas também o trabalho, o dia a dia, e a formatação da equipe. Sabemos que os jogadores dentro de campo têm os seus direitos e deveres. Cada um sabe o que tem que fazer dentro de campo. Nossa ideia é fazer jogos intensos. Jogamos muito bem taticamente, temos um bom posicionamento e exploramos os pontos fracos dos adversários.

Como tem sido o comportamento do Walter?

Ele é extremamente importante. Um atacante de altíssimo nível, todos respeitamos aqui, tem qualidade inegável. Todos aceitaram o Walter muito bem. Ele aceita tudo muito bem, é determinado e ídolo da torcida. Já jogou oito partidas pelo clube, está extramente bem, super contente, bem inserido. É um líder do nosso grupo, um dos nossos capitães. Se continuar dessa forma, vai abrir outras portas para ele.

O Atlético-PR tem na tecnologia uma das armas. Como isso funciona?

Quando os jogadores estão concentrados, todos recebem um tablet com informações sobre os adversários, todas as ideias da nossa estratégia com vídeo e posicionamento do outro time. O material ainda tem informações sobre todos os jogadores que vamos enfrentar. Temos uma equipe para levantar informações, o DIF (Departamento de Inteligência do Futebol) coordena a parte teórica do clube, que está muito organizado e fortalecido. Trouxemos uma empresa americana que tem um projeto para orientar a forma do jogador correr, de trabalhos preventivos, pré-treino e pós-treino.

Como foi a sua passagem na Europa?

Joguei no Vasco e no Criciúma e fui para Portugal em 1987, onde tenho residência até hoje. Deixei de jogar lá, fui treinador, estudei e fiz todos os meus cursos em Lisboa. Fiz uma pós-graduação em Londres. Tenho a licença profissional tirada na Europa, pela Uefa, ou seja, com o curso que tenho, posso treinar qualquer seleção e qualquer clube do mundo. Tenho procurado colocar a organização europeia dentro dos melhores jogadores do mundo, que são os brasileiros. Se eles conseguirem entender a partida tática, tendo a técnica, fica tudo muito mais fácil e os brasileiros vão chamar muito mais atenção na Europa. Torço também para que mais treinadores possam ir para a Europa. Para mim foi extremamente importante a oportunidade que recebi da Ferroviária e do Atlético-PR. Tenho conseguido demonstrar algumas coisas novas.

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