Vitor Silva/Botafogo
Vitor Silva/Botafogo

Terceira rodada do Brasileiro estremece relação entre clubes e VAR

Além de reclamações dos jogadores, CBF vai receber queixa formal sobre arbitragem vinda do Fortaleza, de Ceni

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

06 de maio de 2019 | 11h52
Atualizado 06 de maio de 2019 | 17h47

A terceira rodada do Campeonato Brasileiro estremeceu a lua de mel entre os times e o árbitro de vídeo (VAR), principal novidade aplicada pela CBF para a edição deste ano do torneio. Depois de 30 partidas realizadas na competição, o recurso recebeu no último fim de semana as críticas mais pesadas, com direito até mesmo a um clube promoter enviar à CBF uma reclamação formal sobre as decisões da arbitragem.

Se o VAR foi criado para acabar com as dúvidas e polêmicas no futebol, o Campeonato Brasileiro tem mostrado até agora que as discussões não devem terminar. Apesar de a Copa do Brasil do ano passado ter utilizado o recurso, assim também como as partidas finais de alguns Campeonatos Estaduais, a principal competição do País ainda parece longe de confiar à tecnologia o papel de encerrar queixas.

As reclamações mais intensas vieram do Fortaleza, comandado por Rogério Ceni. O atual campeão da Série B perdeu por 1 a 0 para o Botafogo, no Engenhão, e se queixou que a arbitragem não deu um pênalti depois de empurrão de Gilson no atacante Wellington Paulista. O árbitro Wagner Reway chegou a analisar o lance. "O árbitro foi e olhou o VAR. Não sei para que existe, se existe para olhar. Todo mundo olha e vê. Ele interpretou de forma errada, na minha opinião", criticou o técnico Rogério Ceni.

"O árbitro veio ver o VAR, olhou o VAR e também não deu o pênalti. É pênalti, tem de dar. Se tem o VAR, é para quê? Não é para auxiliá-los? Estão colocando para auxiliar, mas eles não querem", afirmou o atacante Wellington Paulista. A diretoria do Fortaleza também ficou irritada. O presidente do clube, Marcelo Paz, prometeu protocolar nesta segunda-feira na CBF uma queixa formal contra a arbitragem.

"O que aconteceu foi inadmissível de passar em branco. O VAR é uma tecnologia excelente e cumpriu seu papel, identificou a falta e chamou a arbitragem. Mas o árbitro brigou com a imagem, ao não dar o pênalti", reclamou o dirigente ao Estado. "Não podemos achar normal um árbitro cometer um erro dessa natureza e a gente ficar calado diante disso", completou.

No empate por 1 a 1 entre São Paulo e Flamengo no Morumbi também houve reclamação. Do lado paulista, a grande crítica foi pela cotovelada do zagueiro Thuler no atacante Alexandre Pato, que sofreu lesão na região cervical, teve de deixar o gramado mais cedo e é dúvida para a próxima partida. "É lance de expulsão, não tem nem o que dizer. É um lance que o atleta chega um pouquinho atrasado, e por isso ele adianta o cotovelo para que o contato não fosse mais forte", afirmou o coordenador técnico do clube, Vágner Mancini.

O Flamengo, por sua vez, criticou um possível pênalti não marcado. O clube entendeu que o zagueiro Bruno Alves tocou com a mão na bola após disputar jogada pelo alto com Rafael Santos. O lance ocorreu nos minutos finais da disputa, mas nada foi marcado, o que provocou muita reclamação. No jogo do Morumbi, houve reclamações dos dois lados em relação ao VAR.

Mesmo após uma vitória marcante, o técnico do Fluminense, Fernando Diniz, aproveitou a ocasião para reclamar da atuação do VAR em partidas anteriores. Apos os 5 a 4 sobre o Grêmio, em Porto Alegre, o treinador disse que a tecnologia falhou em outras ocasiões, como na primeira rodada, quando o time carioca perdeu para o Goiás. "Bom frisar que poderíamos estar com seis pontos agora. O VAR, contra o Goiás, nos tirou a vitória. Hoje, se não tivesse um árbitro firme, poderíamos ter sido prejudicados também", disse. "O VAR apita contra o Fluminense sempre."

Nesta terceira rodada, o VAR alterou a decisão de campo em três dos dez jogos disputados. No sábado, o Vasco teve um pênalti assinalado contra o Corinthians graças à tecnologia. Máxi López converteu. No mesmo dia, no jogo Ceará e Atlético-MG teve um gol anulado depois da revisão do lance no vídeo. No domingo, em Salvador, o vídeo corrigiu marcação de um pênalti dado equivocadamente para o Bahia contra o Avaí.

A CBF ainda não se manifestou sobre o assunto.

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