Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Terceiro goleiro, Victor comemora fazer parte da seleção brasileira

Jogador do Atlético-MG ficou fora em 2010 e agora enaltace estar presente no grupo de Felipão

Sílvio Barsetti - Colaborou Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

27 de maio de 2014 | 20h20

TERESÓPOLIS - Convocado para a seleção após uma disputa acirrada com o goleiro Diego Cavalieri, do Fluminense, e impulsionado pela campanha do Atlético-MG em 2013 e vários jogos deste ano, Victor deixou para trás a frustração de ter ficado fora da lista de Dunga em para a Copa do Mundo em 2010. Ele tinha sido chamado pelo então técnico da seleção para a Copa das Confederações de 2009 e acreditava que seu nome estivesse naquela relação. Agora, mais experiente, diz que está pronto para servir o time de Luiz Felipe Scolari, embora tenha à sua frente os outros dois goleiros: o titular Julio Cesar e Jefferson.

"No dia da convocação de 2010, eu tinha um jogo pelo Grêmio (contra o Santos), no Olímpico. Fui avisado na concentração da equipe – atuava pela equipe gaúcha – e fiquei mal. Minha cabeça rodou", conta Victor.

"Naquele mesmo dia, eu me reergui, graças ao apoio da torcida do Grêmio. Quando entrei no gramado para fazer o aquecimento, a torcida veio abaixo. Eles gritavam o meu nome, cantavam aquele refrão que termina em seleção ("Victor é seleção"). Aquilo mudou tudo, eu me senti outro."

Nesta terça-feira, na Granja Comary, ele repetiu parte do que dissera em entrevista exclusiva na semana passada ao Estado. Reconheceu que não disputou o Mundial de 2010 "porque não tinha feito o suficiente".

Agora, a motivação é maior e ele diz que não se preocupa com a preferência de Luiz Felipe Scolari pelos outros goleiros da seleção. "Não penso nisso. Fazer parte do grupo já é uma vitória. Estou preparado para qualquer situação. Até porque as oportunidades aparecem quando menos se espera. É inegável o sonho de jogar. Mas em primeiro lugar está o título de campeão."

Para Victor, disputar uma Copa que vai trazer Cassillas, Buffon, entre outros grandes da posição, é um privilégio. Ele acredita que o Mundial que começará em 12 de junho será marcado como a Copa dos goleiros e não dos atacantes. "A preparação dos goleiros avançou muito, hoje está mais sofisticada, com base científica, avaliações físicas mais específicas, na área de fisiologia também um trabalho direcionado."

Ele credita a Felipão uma capacidade ímpar de motivar e cobrar ao mesmo tempo, sem deixar que o ambiente se deteriore. "Ele sabe a hora de esticar a corsa e sabe também o momento de descontrair. Sua bagagem faz diferença." Victor contou que recebeu os "parabéns" de seu colega de clube Ronaldinho Gaúcho tão logo soube de sua convocação para o Mundial de 2014. "Fiquei feliz com essa manifestação dele, que é um ícone do futebol mundial."

Quando Felipão anunciou a lista em 7 de maio, Victor vivia expectativa diferente da que passou em 2006. Lá atrás, achava que estaria na lista. Desta vez, disse, preferiu não pensar muito no que viria. Ele estava em casa com parentes e amigos, assistindo à TV. Soube minutos antes que o anúncio dos 23 nomes se daria por ordem alfabética.

No momento em que Felipão começou a ler a lista com os convocados para a sua posição, ouviu o primeiro nome, Jefferson, e então uma gritaria tomou conta da sala de sua casa. Como ele disputava vaga com Diego Cavalieri, ficou claro que agora a segunda chance não escaparia. A 'explosão' veio em segundos, com Felipão divulgando seu nome.

"Difícil descrever aquilo tudo. Um sonho realizado, todo mundo chorava em casa, o telefone não parava de tocar, mensagens chegavam de todos os lados. Mas isso já passou. Agora, é olhar pra frente e treinar, treinar, treinar, dar o máximo. Quem sabe? Estou mais amadurecido, psicologicamente mais fortalecido, conheço melhor os atalhos da área e cheguei a uma idade (31) em que se aprende com os erros."

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