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Terror no clássico

Quem respira futebol se encanta com praticamente tudo. Vai à loucura nos clássicos e chega até a delirar com a poesia dos jogos de várzea. É impossível explicar o que sentimos para quem não faz parte do nosso mundo.

Paulo Calçade, O Estado de S. Paulo

04 de abril de 2016 | 03h00

Um domingo de futebol com a morte de um inocente, atingido por um tiro durante um conflito entre torcedores, é inadmissível. No sábado, assisti a Barcelona 1 x 2 Real Madrid, em mais uma daquelas partidas que emocionam os malucos por este negócio.

Aqui em Barcelona, a preocupação era outra. Não era a violência entre as torcidas, mas a possibilidade de um atentado terrorista no clássico de maior atenção midiática do planeta. 

As ruas da cidade não se tornaram um inferno porque o trio MSN enfrentaria o trio BBC. E também não se modificaram porque tem crescido o movimento independentista na região. 

As barracas em torno do Camp Nou vendiam basicamente produtos relacionados ao time Catalão, mas era possível avistar cachecóis e bonés do Real Madrid, no mesmo espaço. Ninguém foi atacado por isso. 

O estádio do Barça recebeu uma partida de futebol muito importante, de ingressos caros e esgotados, apenas isso. Por mais que a temperatura tenha subido dentro e fora do campo no período em que Guardiola e Mourinho dirigiram Barcelona e Real Madrid, no gramado esperava-se uma exibição de gala dos seus craques.

Diante da lógica terrorista, é natural que um jogo de futebol dessa dimensão seja o cenário ideal para uma ação de gente que não dá importância à vida. Em novembro, durante França x Alemanha, o Stade de France foi um dos alvos do grupo que atacou Paris.

A morte trágica de um cidadão, que nada tinha a ver com Palmeiras x Corinthians, escancara a fragilidade da segurança pública em nosso País. É óbvio que o futebol europeu não é um mar de rosas. Dos antigos hooligans aos fascistas de plantão, a morte pode ser apenas uma diversão. 

Em novembro de 2014, Francisco Romero, torcedor do Deportivo La Coruña, foi agredido e atirado ao Rio Manzanares, em Madrid. Ele foi a vítima fatal de uma batalha agendada para momentos antes da partida entre Atlético e Deportivo. 

No centro da guerra, a Frente Atlético, de torcedores de extrema direita, e o Riazor Blues, representando a esquerda. A questão central, porém, seja em Manzanares ou em São Miguel Paulista, é a intolerância que domina essa gente, apesar da sofisticação que o tema político insere ao debate.

Com muita experiência nessa área, os ingleses resolveram agir de forma inteligente. Deslocaram alguns policiais, não muitos, para monitorar diariamente as torcidas. Conhecem cada movimento dos elementos perigosos. 

Com um mínimo de ação política e respeito às leis já existentes, daríamos um passo gigantesco para minimizar o problema. Não é difícil colocar os marginais na cadeia. O maior prazer dos assassinos é justamente exibir seus feitos.

‘El clásico’. Na partida que homenageou Johan Cruyff, dois jogadores brasileiros tiveram atuação especial no time merengue. Marcelo e Casemiro foram figuras centrais da histórica vitória do Madrid, que desde 1965 não vencia de virada no Camp Nou.

O ex-volante são-paulino deu sustentação ao meio de campo do time de Cristiano Ronaldo, goleado no primeiro turno, em casa, por 4 a 0. No sábado, com apenas com três faltas no jogo, protegeu a defesa com classe e encarou Messi.

Marcelo aproveitou a frágil marcação no setor direito do Barcelona e conduziu os merengues, organizando-os e contra-atacando com perfeição. O resultado não aumenta as chances de título do Real na Liga, mas exibe um modelo capaz de fazê-lo chegar a mais um título da Champions.

 

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