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Teste do líder

Marcelo Oliveira ficou desconfortável ao tentar explicar o Palmeiras após a derrota para o Goiás. Não havia como transferir a responsabilidade da equipe para a arbitragem. Melhor, então, falar a verdade, reconhecer que, ao contrário do que se imaginava para o segundo turno, o time ainda não havia alcançado a maturidade desejada.

Paulo Calçade, O Estado de S. Paulo

07 de setembro de 2015 | 07h00

A alteração de sistema ajudou a desatar o nó de péssimas atuações. Marcelo mudou de ideia, deixou de lado o preferido 4-2-3-1 e com nova formatação tática a equipe ganhou movimento.

Mais perto dos zagueiros, o volante Amaral ajuda a liberar os laterais. Abertos no campo ofensivo, Lucas e Zé Roberto dão amplitude ao time. Com os lados ocupados por eles, Gabriel e Dudu podem e devem movimentar-se para os embates individuais e para construir gols com velocidade, variando entre o lado e o centro do gramado.

O jogo palmeirense foi quase todo construído sobre a lateral-esquerda corintiana, com o Lucas vitorioso nos confrontos contra a dupla Malcom-Guilherme Arana. Defeito que Tite conseguiu amenizar no segundo tempo com Cristian na vaga de Marciel e Jadson deslocado para o setor.

As contusões e a busca pela formação ideal contrastam com a fartura de jogadores à disposição do treinador palmeirense. A procura pelo encaixe perfeito em todos os segmentos da equipe evidencia o problema e pede mais tempo de trabalho.

O exemplo está no adversário. De outubro de 2010 até agora, o Corinthians só não foi dirigido por Tite no ano passado. Portanto, não é difícil perceber que, mesmo com a troca de jogadores, existe uma forma de jogar bem definida, que não é imune a crises, mas que tem força suficiente para minimizá-las.

Com todas as dificuldades enfrentadas nesta temporada, do atraso de salários à negociação de jogadores, o futebol corintiano tem muito conteúdo tático, é muito bem preparado coletiva e individualmente, apesar dos equívocos nos 3 a 3 do clássico.

E os árbitros? As falhas dos árbitros e de seus assistentes surrupiam pontos, criam vantagens indevidas e trocam clubes de divisão. Não é fácil entendê-las ou aceitá-las num momento tão difícil do País e do próprio futebol.

Os problemas não estão apenas na arbitragem, aparecem também na inscrição de jogadores, em escalações irregulares e principalmente no lixo de calendário que transfere talentos do campo para o departamento médico. Ou os roubam dos clubes para entregar às seleções enquanto a bola rola por aqui.

O sistema apodreceu e cabe aos seus protagonistas recuperá-lo. Se a ideia de transformá-lo no jogo dos acertos e não no jogo dos erros for mesmo verdadeira, estamos todos convocados para a tarefa.

Quem deseja mesmo corrigir a situação e não apenas ingressar no clube de vantagens precisa expandir sua percepção do problema. Entrevistas chiliquentas são simplórias e oportunistas. Treinadores e dirigentes realmente empenhados nessa cruzada deveriam começar a faxina por suas equipes. E não apenas atacar os árbitros.

Se a cruzada ética é mesmo real, não seria o momento de praticá-la de verdade e conscientizar jogadores a não cavar faltas? Que tal reprovar o atacante da sua equipe quando ele ludibria o árbitro? Pênaltis inventados por ações teatrais são tão danosos quanto impedimentos mal marcados. Afinal, se a questão é o “roubo”, de que lado está o ladrão?

Infelizmente esses trambiques são absorvidos pela cultura do futebol, que os aceita como traço dominante da nossa personalidade, de um estilo de jogo construído por conveniências.

Treinadores, cartolas, jogadores e a imprensa têm responsabilidade demais nessa história. Dizer que o campeonato está manchado pela arbitragem é fato, mas apenas dizer é uma das formas de distorcer.

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