John Taggart/Reuters
John Taggart/Reuters

Testemunha diz que ex-presidente da Conmebol 'poderia ter roubado' US$ 5 milhões

Burzaco também relatou à Corte que ele "criou e controlou" algumas empresas de fachada

Ricardo Leopoldo, Estadão Conteúdo

16 Novembro 2017 | 18h10

O empresário argentino Alejandro Burzaco, ex-presidente da companhia Torneos y Competencias, disse que o ex-presidente da Conmebol Nicolás Leoz foi capaz de "confundir contas pessoais com recursos" da entidade. "Posso dizer que ele poderia ter roubado a Conmebol", disse, em depoimento no julgamento do ex-presidente da CBF, José Maria Marin, que ocorreu na Corte do Distrito Leste de Nova York nesta quinta-feira. Burzaco é uma das principais testemunhas de acusação no maior escândalo de corrupção da história da Fifa.

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De acordo com Alejandro Burzaco, ele pode falar que Leoz pode ter desviado recursos da instituição que presidia, pois tinha conhecimento que "devido a um torneio de clubes da Fifa", aquela entidade repassaria US$ 5 milhões para Conmebol. Ele não informou a data do torneio. "Mas o dinheiro foi depositado na sua conta particular em uma agência do Banco do Brasil no Paraguai", destacou o empresário argentino.

Burzaco também relatou à Corte que ele "criou e controlou" algumas empresas de fachada, para poder pagar propinas, sem detalhar para quem fazia tais pagamentos e quais eram os montantes. Ele afirmou que tinha uma conta no banco Merrill Lynch, na qual admitiu o recebimento de US$ 4,23 milhões em junho de 2008 e a saída de US$ 3,95 milhões em outubro de 2010.

Por lidar no seu cotidiano no mundo empresarial do futebol da Argentina, Alejandro Burzaco admitiu que conhecia Julio Grondona, que faleceu em 2014 e foi presidente da Associação do Futebol Argentina por três décadas. Segundo ele, Grondona era um homem poderoso no mundo do esporte no país e era conhecido como "Papa" por diversas pessoas. "Quando o Papa Francisco foi escolhido, dizia-se que Grondona era o primeiro Papa argentino.", apontou.

No tribunal, Burzaco admitiu que "interagiu" com políticos argentinos a pedido de Júlio Grondona, especialmente para que eles "não prejudicassem" a realização de torneios de futebol pelo país. Ele também disse que ajudou o ex-executivo da Fox, Hernan Lopez, a ser recebido pela ex-presidente de seu país, Cristina Kirchner. E apontou que Grondona poderia participar da reunião, mas não informou qual seria o assunto a ser tratado.

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