Andrew Gombert/EFE
Andrew Gombert/EFE

Testemunha pagou US$ 160 milhões em propinas para 30 pessoas ligadas ao futebol

Alejandro Burzaco admite ter formado aliança com Julio Grondona, ex-presidente da AFA, por negócios no esporte

Ricardo Leopoldo, correspondente em Nova York, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2017 | 21h22

O empresário argentino Alejandro Burzaco, ex-presidente da companhia Torneos y Competencias, afirmou nesta quinta-feira que ele e seus sócios pagaram suborno para cerca de 30 pessoas, num montante total "aproximado de US$ 160 milhões", enquanto esteve à frente da empresa entre 2004 e 2015. "É uma estimativa", ressaltou.

+ Burzaco afirma que pagou R$ 8,8 milhões para José Maria Marin

Segundo ele, os subornos foram feitos para ter vantagens comerciais em alguns torneios, como a realização de edições da Copa America. Ele não revelou mais detalhes sobre quem recebeu tais recursos e fez os comentários em depoimento no julgamento do ex-presidente da CBF, José Maria Marin, que aconteceu na Corte do Distrito Leste de Nova York. Burzaco é uma das principais testemunhas de acusação no maior escândalo de corrupção da história da Fifa.

Burzaco afirmou que enquanto esteve na condução da Torneos y Competencias, obteve uma fortuna próxima a US$ 100 milhões. Perguntado pelo advogado de Manuel Burga, ex-presidente da Federação Peruana de Futebol, que também está sendo julgado, se o fato de ter obtido tantos recursos foi porque esteve ao lado das pessoas certas no mundo do marketing esportivo na Argentina, ele respondeu: "O fato de estar aqui parece que me alinhei com as pessoas erradas". Também foi julgado Juan Angel Napout, ex-vice presidente da Fifa.

Alejandro Burzaco admitiu que formou uma aliança com Julio Grondona, que foi presidente da Associação do Futebol Argentino por três décadas e faleceu em 2014, para fazer negócios com esportes em seu país. Ele reconheceu que obedecia também orientações de Grondona para pagar propina para determinadas pessoas a fim de ser favorecido comercialmente.

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