Dan Chung/Reuters - 07/09/1996
Dan Chung/Reuters - 07/09/1996

Tevê vai pagar R$ 7,4 bilhões por temporada aos clubes ingleses

Novo acordo, que entrará em vigor na temporada 2016/2017, é o mais volumoso de um campeonato nacional na história do futebol

O Estado de S. Paulo

10 de fevereiro de 2015 | 18h42

A Premier League, associação de clubes que organiza o Campeonato Inglês, anunciou nesta terça-feira seu novo contrato de venda dos direitos de transmissão da competição. E ele é um assombro até mesmo para os padrões da Inglaterra, país em que a tevê paga mais caro para transmitir futebol.

Os canais Sky e BT, que dividem os direitos de transmissão, pagarão aos clubes nada menos do que 5,136 bilhões de libras pelo período de três temporadas, o que equivale a espantosos R$ 22,2 bilhões. Ou seja, a cada temporada os 20 participantes do campeonato dividirão um bolo de 1,712 bilhão de libras (R$ 7,4 bilhões). O acordo entrará em vigor na temporada 2016/2017.

O atual contrato entre a Premier League e os dois canais de tevê ingleses já é gigantesco, mas parece até modesto perto do novo. Atualmente, os clubes recebem 1,006 bilhão de libras (R$ 4,3 bilhões) por temporada, o que significa que o novo acordo representa um acréscimo de 70% nos ganhos dos participantes da competição.





Um levantamento feito pelo jornal The Guardian, de Londres, mostra a incrível evolução dos contratos de direitos de transmissão desde o primeiro da Premier League, em 1992 - ano em que a liga foi criada. O acordo inaugural, que valeu pelas seis edições iniciais da competição, rendeu aos clubes 38 milhões de libras por temporada. Desde então, outros sete contratos foram feitos, incluindo o que foi anunciado nesta terça-feira. A explosão nos valores desses contratos ocorreu no meio da primeira década deste século, quando a marca de 500 milhões de libras por temporada foi superada. Em 2013, entrou em vigor o acordo atual, de mais de um bilhão de libras a cada edição do Campeonato Inglês.

DIVISÃO

A divisão do dinheiro pago aos clubes ingleses pela tevê pode ser considerada a mais justa do mundo. O sistema é o seguinte: 50% do valor desembolsado pela Sky e pela BT é dividido igualmente entre os 20 times que disputam a competição; 25% do dinheiro é repartido de acordo com a classificação da edição anterior do campeonato (o campeão é quem leva a maior fatia e o último colocado, a menor); os 25% restantes são divididos de acordo com o número de jogos que cada clube teve exibidos pela tevê (esse critério dá mais dinheiro aos clubes mais populares).

Nesta semana, o jornal espanhol As fez um levantamento que escancara a vantagem que os clubes ingleses levam sobre os dos demais países da Europa. Levando em conta os contratos da temporada passada, o jornal mostrou que o Cardiff, clube que menos dinheiro recebeu na Premier League naquela ocasião, ficou com 74,5 milhões de euros (R$ 239 milhões, em valores atuais), muito mais do que o Bayern de Munique, clube que mais ganhou na Alemanha (36,9 milhões de euros, o equivalente a R$ 118 milhões). Se fosse um clube espanhol, o Cardiff só receberia menos do que Real Madrid e Barcelona, que ganharam 140 milhões de euros (R$ 449 milhões).

No Brasil, os clubes que levam as maiores fatias do contrato em vigor com a Rede Globo são Corinthians e Flamengo, com R$ 110 milhões cada um. Ou seja, os clubes mais populares do País recebem menos da metade do que o lanterna do Campeonato Inglês. E a distância vai aumentar muito com o novo contrato da Premier League.

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