Tevez, a estrela argentina que não fala

O melhor jogador da América do Sul não está nem aí para a imprensa, mas é todo atenção com os fãs. Tevez, o craque do Boca Juniors que ganhou a eleição promovida no final do ano pelo jornal uruguaio El País com jornalistas do continente, deu apenas uma entrevista desde que chegou ao Chile - no dia seguinte à vitória por 2 a 1 sobre a Bolívia na segunda rodada, quando fez seu único gol no torneio - e pediu para o assessor de imprensa Andrés "Coco" Ventura avisar que não aceita marcar exclusivas com ninguém.Mas a má vontade desaparece na hora de atender os torcedores. Ele é sempre o último a entrar no campo e o último a subir no ônibus, porque não recusa um pedido de autógrafo nem para posar para uma foto. É a alegria da garotada que acompanha os treinos na Universidad Ibañez.Na seleção argentina, apenas três jogadores ficam à disposição para entrevistas nos horários estabelecidos pela delegação. E a escolha é feita por Ventura e não pelos jornalistas - no Brasil, quando a assessoria determina que um número limitado de jogadores dará entrevista (principalmente depois das partidas), a escolha é feita pela imprensa. Segunda-feira, Gonzalo Rodriguez, Mariano Gonzalez e Medina falaram depois do treino físico da manhã e ninguém falou de tarde.Nesta terça-feira, nenhum jogador deu entrevista. Depois dos jogos, é difícil conseguir convencer algum atleta a falar no trajeto entre o vestiário e o ônibus. Tevez, é claro, não parou nenhuma vez. No Pré-Olímpico, ele ainda não jogou o que pode. E, se não fez mais gols, não foi por falta de oportunidades - teve várias chances em todas as partidas, mas falhou nas finalizações. Mesmo assim, é o jogador argentino mais temido por Ricardo Gomes. "Ele não foi eleito o melhor jogador da América por acaso. É muito habilidoso e pensa rápido. Precisamos ter muito cuidado com ele e é possível que seja marcado individualmente."O meia Diego, que o enfrentou nas finais da Libertadores do ano passado, também receita atenção especial com Tevez. "Ele é um excelente jogador. Tem força física, habilidade e pode decidir num lance." Em seguida, completou: "Mas nós também temos jogadores que podem desequilibrar e a Argentina vai ter que tomar cuidado."

Agencia Estado,

20 de janeiro de 2004 | 15h35

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