Tevez aproxima argentinos e brasileiros

O jogador Carlos Tevez passou, em menos de um ano, de sofrer o desprezo de seus compatriotas - que o consideravam, além de estéticamente desagradável, de ser um jogador prepotente que aspirava ser Diego Armando Maradona - à inesperada admiração. Hoje, os jornais argentinos, que pouca atenção costumeiramente concedem aos campeonatos brasileiros, dedicaram longos artigos para relatar a obtenção do troféu do torneio por parte do Corinthians. Mas, mais do que o título obtido pelo time, os jornais e comentaristas esportivos na rádio e televisão atarefaram-se em exaltar o desempenho de "El Apache", apelido com o qual é conhecido Tevez. Além disso, os especialistas destacaram que Tevez poderá ser um símbolo de união entre os dois países, que durante séculos foram rivais militares, e que nas últimas três décadas e meia transformaram-se em ferozes inimigos nos estádios. Eles sustentam que não há nada melhor que o esporte para vincular dois países que apesar do imenso intercâmbio comercial proporcionado pelo Mercosul, continuam olhando um ao outro com desconfianças. O jornal "Clarín" tratou a vitória do Corinthians como se fosse um time argentino. "Carlitos campeão" foi a manchete do suplemento esportivo do principal periódico do país. Com uma foto de Tevez sendo levado triunfalmente nos ombros pela torcida corintiana, o jornal destacou que "o público o transformou em emblema e símbolo do campeão, Corinthians". Nas páginas internas referia-se, em português, no original, a Carlitos como "O Rei". O "Clarín" destaca declarações de Tevez, nas quais afirma que está surpreso com seu sucesso no país vizinho: "nunca poderia imaginar que ia conseguir tantas coisas no Brasil. Eu vinha com expectativas, mas não achava que as coisas iam acontecer tão rápido. Eu me enganei...e também se enganaram aqueles que diziam que não me convinha vir ao Brasil". O jornal também comenta que custou, mas Tevez conseguiu cativar o coração dos brasileiros em menos de onze meses: "se até o presidente Lula havia questionado sua contratação. Mas, Carlos Tevez primeiro os magnetizou e agora os conquistou...". Uma pesquisa feita pelo site do Clarín indicou que 51,5% dos internautas nunca acreditaram que Tevez teria grande êxito no Brasil. O jornal esportivo "Olé" ressalta que no "exílio", Tevez voltou a ser um rapaz "feliz". O "Olé", também surpreso com o sucesso de Tevez em terras brasileiras, destacou que "Carlitos" conseguiu o respeito dos brasileiros, inclusive o do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (que o havia criticado logo após sua contratação). O colunista Ezequiel Cogan sustenta que em São Paulo, Tevez transformou-se "em um homem de 21 anos". Para o jornal "Página 12", Tevez "foi a estrela do título do Corinthians". Segundo o jornal, "El Apache" é o "máximo ídolo da torcida" do Corinthians. O "Página 12" também destacou que ficaram enterrados no passado os "primeiros momentos dele no time, quando era alvo de questionamentos e protagonizou alguns confrontos com seus colegas". AMORES MÚTUOS - O tradicional jornal "La Nación" também celebrou o desempenho do argentino Tevez em solo brasileiro. O colunista Daniel Arcucci perguntava perplexo: "quem teria imaginado, há pouco tempo, que um argentino seria a máxima figura de um dos mais populares times brasileiros, o Corinthians, até conduzi-lo à consagração como campeão?". Arcucci, após desenrolar uma longa lista de elogios a Ronaldinho (sobre o qual o próprio Maradona teceu uma exaltada apologia), indica que existe uma boa surpresa entre o Brasil e a Argentina: "os brasileiros podem amar um argentino e vice-versa".

Agencia Estado,

05 de dezembro de 2005 | 16h12

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