Tevez terá sua biografia em livro

Tevez, apesar de sua juventude e de só ter iniciando sua carreira internacional recentemente, já tem um biógrafo e, em um mês, o livro "Cicatrizes do Futebol" será publicado na Argentina contando a história do ex-ídolo do Boca Juniors e esperança do Corinthians para 2005. Em entrevista à Agência Estado, o autor da biografia, o argentino Sérgio Levinsky, conta curiosidades sobre o início da carreira de Tevez, seu sucesso na seleção argentina e ainda acredita que o jogador pode ter um desempenho melhor no Brasil que na Europa. Eis os principais trechos da entrevista: Agência Estado - Como foi a infância de Tevez? Levinsky - A infância de Tevez foi muito pobre. Ele foi criado em um local chamado "Fuerte Apache", onde a vida se reduz ao futebol. Participou de torneios locais, onde havia permanentemente brigas. Quando era pequeno, seu primeiro clube importante foi o All Boys, que hoje joga na terceira divisão argentina. Seu nome na época era Carlos Alberto Martinez, porque usava o sobrenome da mãe. Para poder passar para o Boca Juniors, mudou de sobrenome e passou a utilizar o de seu pai, Tevez. Isso foi para não ter custos em sua transferência.AE - Quem foi o ídolo de Tevez? Levinsky - Seu ídolo principal, como para quase todos os meninos, foi Maradona. Mas o ídolo mais próximo foi Riquelme. Tevez chegou às divisões inferiores do Boca no mesmo período do grande momento de Riquelme, quando o Boca ganhou tudo. Tevez chegou a ser gandula quando Riquelme jogava e muitas vezes pediu para tirar fotos com seu ídolo. Em 2002, Riquelme foi ao Barcelona e então Tevez, já despontando, ficou como titular.AE - O que se espera de Tevez para a Copa do Mundo de 2006? Levinsky - Muito. Hoje, é um dos titulares indiscutíveis na seleção argentina. Foi considerado como um dos melhores da Copa América e foi a grande figura dos Jogos Olímpicos de Atenas. Desequilibrou tanto em algumas partidas que muitos já o consideram como o grande jogador do futuro no país, apesar de temer seu comportamento fora de campo, como seu pouco desejo de treinar e pouca preparação cultural para enfrentar situações novas.AE - Poderia se comparar Tevez à Maradona? Levinsky - É difícil dizer isso. Maradona foi superior em qualidade e em genialidade, mas Tevez resolveu partidas sozinho que há um ano ninguém imaginava. De fato, o jornal "El Pais" de Montevidéu acaba de escolher Tevez como melhor jogador sul-americano pelo segundo ano seguido, algo que não havia ocorrido antes na história. Não creio que chegue a ser um Maradona, porque não tem o toque genial de Diego, mas é um dos jogadores que mais se aproximam.AE - O Brasil é apenas um trampolim para que Tevez vá para a Europa? Levinsky - Hoje, Tevez não está fazendo seus planos na Europa, mas certamente seus agentes estão. Pessoalmente, creio que o Brasil lhe dará melhores resultados que a Europa pelas características de marcação e pelo ritmo de jogo. Minha única dúvida é que vejo Tevez como um torcedor do Boca, com amor demais por uma camisa e teremos que ver se será tão profissional com outro clube que não seja o Boca.AE - Porque escrever uma biografia sobre Tevez, mesmo sendo um jogador tão jovem? Levinsky - Porque desde o princípio o vi como uma figura controvertida e fascinante, o mais parecido a Maradona fora dos gramados. Também vejo certa pureza, uma certa ingenuidade, que eu gostaria de ir comprovando se continuará assim com o tempo, quando terá muito dinheiro e quando seja uma figura mundial. Estou convencido de que triunfará e queria que ficasse marcado como foram suas origens.

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