Andrzej Iwanczuk/AFP
Andrzej Iwanczuk/AFP

Zagueiro Thiago Cionek, o 24º jogador brasileiro em Sochi

Naturalizado polonês, jogador vai se preparar para a Copa na mesma cidade do 'QG' da seleção de Tite e pode encontrá-la nas quartas de final

Leandro Silveira, enviado especial a Sochi

09 Junho 2018 | 07h00

A seleção brasileira conta com 23 jogadores escolhidos por Tite para a disputa da Copa do Mundo, mas um 24º nome também estará presente em Sochi nos próximos dias, palco da fase final de preparação da equipe para o torneio. Trata-se do zagueiro Thiago Cionek, nascido em Curitiba, naturalizado polonês e convocado pelo técnico Adam Nawalka para a competição na Rússia.

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Thiago Cionek, hoje com 32 anos, é mais um exemplo de jogador brasileiro que deixou o País cedo, para tentar a sorte no futebol europeu e que teve êxito a ponto de optar por uma nova nacionalidade. A sua saída definitiva do Brasil se deu em 2008, quando se transferiu ao Jagiellonia Białystok, onde permaneceu por cinco anos, tendo faturado o título da Copa da Polônia em 2010, depois se mudando para o futebol italiano.

Foi pelo desempenho no Jagiellonia Białystok, time que foi vice-campeão nacional nas duas últimas temporadas, que surgiu o interesse na naturalização de Cionek. E isso foi facilitado pela origem polonesa da sua família, algo comum a muitos curitibanos. “Polonês” desde 2011, Thiago Cionek estreou pela seleção em 2014, foi convocado para a Eurocopa de 2016 e agora faz parte do grupo chamado por Nawalka para o Mundial da Rússia. “Estou muito feliz com esse momento que estou vivendo, disputar uma Copa do Mundo é algo que eu nunca tinha pensado, mas agora é um sonho prestes a ser realizado”, celebrou, em entrevista ao Estado.

Chamado para a Copa, Thiago Cionek viu uma coincidência reaproximá-lo do Brasil. Afinal, a Polônia definiu Sochi como palco da sua fase final de preparação para o torneio e concentração durante o torneio. E a cidade foi a mesma escolhida pela seleção de Tite como “quartel-general” na competição.

A proximidade é encarada como mais um fato especial por Thiago Cionek, ao mesmo tempo em que ele se aproxima do maior momento da sua carreira. “É o país onde eu nasci e cresci, mas também por conta dos meus familiares que ainda moram no Brasil”, afirmou, confirmando ainda seguir com uma base sólida no País.

 

 

Um outro encontro entre Cionek e a seleção , dessa vez dentro de campo, poderá ocorrer nas próximas semanas na Rússia, nas quartas de final. Para isso, será preciso que Brasil e Polônia avancem na primeira fase da Copa, com um deles se classificando em segundo lugar, e depois com ambos triunfando nas oitavas de final. Seria mais um momento marcante para o zagueiro.

“Primeiro nós vamos buscar a classificação, lutando jogo a jogo na fase de grupos para chegar nas oitavas, seja em primeiro ou segundo lugar. A seleção brasileira é uma das grandes favoritas, e qualquer time que a enfrentar precisa tomar cuidado. Tem grandes jogadores e que fazem a diferença”, avaliou Cionek.

A chegada do zagueiro à seleção coincide com um momento de ascensão da Polônia. Sob o comando de Nawalka desde outubro de 2013, ano em que fechou na modesta 76ª posição no ranking da Fifa, a seleção hoje figura entre as dez melhores da mesma lista – é a oitava colocada -, alcançou pela primeira vez as quartas de final da Eurocopa em 2016 e se classificou para a Copa do Mundo com ótima campanha, tendo somado 25 pontos em 30 possíveis no seu grupo nas Eliminatórias.

“Nós estamos numa caminhada legal, com um projeto bem bacana, o treinador está na seleção há algum tempo e isso fortifica o trabalho”, afirma Cionek. “Sabemos do nosso potencial e onde podemos chegar, e é isso que vamos trabalhar para acontecer”, projeta o zagueiro, que já atuou 17 vezes pela seleção nacional.

O bom momento polonês também passa pelas atuações exuberantes de Robert Lewandowski. O atacante do Bayern de Munique foi o artilheiro das Eliminatórias, tendo marcado 16 dos 28 gols da sua seleção e chegará para a Copa na Rússia com possibilidades reais de repetir o feito. “O Lewandowski é um líder nato, ele nos ajuda e nos ensina muito. É o nosso capitão, e essa liderança dele é importante dentro e fora dos gramados. Ele pode ser o artilheiro por tudo que ele já fez não só no clube, mas na seleção”, elogia Cionek.

 

 

A liderança e os gols de Lewandowski serão ainda mais importantes na Rússia, pois a Polônia está em um dos grupos mais imprevisíveis da Copa, ao lado das seleções de Colômbia, Senegal e Japão, todas elas com atacantes com histórico de sucesso em clubes do futebol europeu.

“É um grupo equilibrado, com seleções com seus próprios estilos de jogo. Cada uma conta com jogadores de muita qualidade, como o Falcão, James, Mané, Kagawa e outros que jogam em grandes clubes do mundo. Estamos trabalhando e estudando cada uma da melhor maneira possível para chegarmos preparados para os confrontos”, lembra o zagueiro. Hoje concentrado na preparação para a Copa, Cionek poderia ter se encontrado meses antes com o futebol brasileiro, pois em janeiro negociou com o Atlético-PR, mas acabou mesmo trocando o Palermo pelo SPAL na Itália, tendo êxito no objetivo de manter o modesto clube na primeira divisão em sua primeira participação após ficar fora da elite desde 1968. “Essas coisas eu procuro não pensar e deixo na mão dos meus empresários”, conclui o zagueiro, que agora vê o destino o colocar novamente ao lado do país onde nasceu.

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