Thiago Motta não consegue entrar em forma

Ricardo Gomes apostava muito no talento e na personalidade de Thiago Motta antes do início da Copa Ouro, mas está perdendo a esperança de poder colocá-lo no time por causa de sua má condição física. Ele abriu mão de escalar o jogador do Barcelona contra Honduras - como gostaria de ter feito - por saber que ele não suportaria os 90 minutos. Deixou para utilizá-lo no segundo tempo - Thiago entrou aos nove minutos, no lugar de Robinho -, mas novamente se decepcionou com o seu rendimento físico. "O Thiago cansou outra vez, sentiu mais do que no jogo contra o México. Se ele não der uma boa resposta nos treinos até domingo, evoluir bem, vai ser complicado", afirmou o treinador. O meia admite que está muito longe do ideal. "É difícil falar em porcentagem. Acho que estou com uns 50 ou 60% da minha condição física", avaliou. "Mas acho que dá para melhorar bem para o próximo jogo." Quando se apresentou à Seleção, no dia 7, Thiago Motta estava sem jogar desde o dia 22 de junho, quando o Barcelona enfrentou o Celta na última rodada do Campeonato Espanhol. Ele havia ficado 40 dias parado por causa de uma fissura no coccix e entrou no intervalo no lugar do argentino Sorín. Para tentar melhorar um pouco sua condição física antes da viagem para o México, o meia treinou sozinho no Palmeiras durante três dias (3, 4 e 5). Mas não foi o suficiente para deixá-lo apto a encarar a altitude de 2300 metros da capital mexicana e fazer dois jogos num intervalo de 55 horas. "Quando pensei em chamar o Thiago para a Copa Ouro, entrei em contato com ele e soube que estava parado por causa da lesão. Disse para ele se cuidar, mas a recuperação acabou demorando e ele perdeu muita condição física", disse Ricardo Gomes. Como só podia inscrever 18 jogadores na competição por exigência do regulamento, o treinador ficou em dúvida até a última hora entre o jogador do Barcelona e Paulinho, meia do Atlético-MG que ele admira muito mas que também vinha de contusão. Entre dois jogadores "baleados", ele optou pelo mais versátil. "Escolhi o Thiago porque ele pode fazer várias funções, o que é muito importante num grupo tão enxuto."O preparador físico Luiz Otávio pensa em fazer um trabalho diferenciado com o jogador, a partir de amanhã: Mas como o intervalo entre os jogos é curto vai ser difícil ele conseguir uma melhora muito grande no condicionamento físico. O que pode ajudar um pouco é se formos jogar em Miami, que fica ao nível do mar." Enquanto tenta melhorar o fôlego para assumir um lugar no time, Thiago Motta vive a expectativa de definir sua situação profissional. Seus representantes na Europa estão renenegociando seu contrato com o Barcelona. O atual vence só em 2005, mas foi assinado quando ele jogava no Barça B. Ele recebe 300 mil euros/ano e quer passar a ganhar 1,4 milhão de euros/ano. O trunfo de seu staff é que o Milan está muito interessado e já se dispôs a pagar 15 milhões de euros - sua cláusula rescisória é de 12 milhões. A negociação entre Barcelona e Milan pode ser fechada dia 30, quando os times se enfrentarão num amistoso em Washington. Nos próximos dias, Thiago Motta deve assinar um contrato com a Pepsi.

Agencia Estado,

16 de julho de 2003 | 16h45

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