Thiago Ribeiro sonha alto no São Paulo

O fim de ano promete ser agitado em Pontes Gestal, cidade de 2.272 habitantes ? segundo o último censo ? localizada a 570 quilômetros de São Paulo. Nequinha estará passando as férias por lá. E, talvez, comemorando o título do Campeonato Mundial de Clubes da Fifa.Nequinha é filho de Zequinha. É também o apelido de Thiago Ribeiro, herdado do avô, com quem sempre foi muito apegado. Hoje, é a pessoa mais famosa da cidade.?Sou um pouco rei lá da minha cidade. Todo mundo gosta de mim, é uma delícia passar uns dias por lá?, revelou Thiago Ribeiro, que está no grupo de jogadores do São Paulo que embarca segunda-feira para o Japão, onde irá disputar o Mundial de Clubes.Os dias de férias serão tranqüilos. ?É o de sempre. Muito churrasco, futebol com os colegas e de noite a gente vai na praça. Ou nas cidades vizinhas?, contou. O assédio feminino é grande. ?Mas não é só por lá, não. Sempre tem menina dando em cima de jogador, não é só comigo.?Apesar de ser a opção menos conhecida do elenco são-paulino, Thiago sonha com uma participação efetiva na luta pelo Mundial. Não quer apenas esquentar o banco. ?Já que estou aqui, vou lutar para jogar?, avisou.E os sonhos de Thiago contemplam essa possibilidade. ?Antes, eu ficava imaginando se teria uma chance de ir ao Mundial. Agora, fico pensando que vou entrar no final e fazer o gol do título. Já que é para sonhar, não vou deixar de me incluir nessa conquista.?O sonho pode estar distante, mas já esteve mais. À sua frente, estão Amoroso, Christian, Grafite e Aloísio, mas também ja estiveram Diego Tardelli, Roger, Davi e Vélber. Em quatro meses, desde que chegou ao clube, conseguiu o seu espaço.Neste domingo, contra o Atlético-PR no Morumbi, Thiago vai jogar. Não sabe se começará a partida ao lado de Grafite ou se o substituíra no segundo tempo. Carrega a expectativa de uma nova boa partida, como aquela em que fez três gols na vitória por 4 a 2 contra o Figueirense no dia 19 de novembro. ?Aquele jogo foi muito bom, me deu força no elenco para lutar por mais coisas aqui dentro.?Uma atuação que, somada àquela contra o Flamengo, quando fez um belo gol na goleada por 6 a1, dia 16 de outubro, lhe deu a chance de jogar o Mundial. ?Eu levo muito a sério a minha profissão. Sempre quis ser jogador de futebol e vou lutando para as coisas acontecerem. Não quero ser como o Itamar?, revelou Thiago.Itamar é um grande meia-esquerda lá de Pontes Gestal. Foi convidado a treinar na Ponte, mas não foi. ?Ele gostava mesmo é de futebol para brincar. É um craque, mas não quis seguir carreira. Eu quero ir longe?, lembrou Thiago.E ele já foi. Esteve no Bordeaux, da França, ano passado, depois de aparecer muito bem no Paulistão de 2003 pelo Rio Branco de Americana. Não deu certo.?O fato de não ter jogado lá no Bordeaux não me abalou. Sei que a culpa não foi minha. O treinador, Michel Pavón, é que não gostava de jogadores estrangeiros. Ele chegou a declarar isso.?Para vencer no São Paulo, pediu ao pai e à mãe, Sandra, que venham morar com ele em São Paulo a partir de janeiro. ?Aqui é muito grande, difícil de acostumar. Ele tem mais experiência e pode me ajudar?, disse o jogador. ?Sou funcionário público e vou conseguir um afastamento por dois anos?, afirmou José de Lima, o pai.Em 18 de janeiro, o São Paulo estréia no Campeonato Paulista. E aí entra em campo o outro sonho de Thiago Ribeiro. ?Talvez eu já tenha conseguido um espaço maior no elenco e possa ser o titular. É o que eu quero, mas não vou ficar colocando metas assim. Quando tiver a chance, vou estar pronto.?

Agencia Estado,

03 de dezembro de 2005 | 10h51

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