José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Thiago Silva quer ver sonho de erguer a taça virar realidade no Maracanã

Zagueiro e capitão da seleção provou que pode superar obstáculos em todos os sentidos

ALMIR LEITE - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2013 | 08h00

RIO - Nas últimas semanas, Thiago Silva fixou uma imagem na mente: ele, sorriso rasgado, olhos vibrantes e semblante vitorioso, ergue a taça de campeão da Copa das Confederações no palco montado no Maracanã. Na noite deste domingo, a imagem poderá sair de sua mente e ganhar o mundo. Como capitão, caberá ao zagueiro a honra de levantar o troféu se a seleção brasileira conquistar o terceiro título seguido.

Será a maior vitória na carreira de Thiago Emiliano da Silva e Souza, carioca de 28 anos, 1,83m, criado no bairro de Santa Cruz (zona oeste) e que ralou muito para chegar onde está. Dentro e fora do campo. Precisou de persistência, como tantos outros. Mas, acima de tudo, precisou nadar contra a corrente ao se negar a aceitar um diagnóstico que poderia ter acabado com sua carreira.

O ano era 2005 e Thiago estava no Dínamo de Moscou, da gélida Rússia, emprestado pelo Porto, para onde fora um ano antes para jogar no time B. Por causa do frio, contraiu tuberculose. Acabou internado e com um diagnóstico aterrorizante: os médicos queriam cortar parte de um de seus pulmões.

Thiago se assustou. Estava sozinho, num minúsculo quarto de um hospital moscovita. Então, recebeu uma visita que lhe deu ainda mais forças para lutar: a de Isabele, hoje sua mulher e mãe de seus filhos Isago, de 4 anos, e Iago, de 2.

Na época, eles namoravam. "Fui para visitá-lo, mas ele estava triste, cabisbaixo, num lugar como aquele... Não queria deixar meus estudos (ela cursava o ensino médio), mas aquilo mexeu comigo e decidi ficar", contou Isabele ao Estado.

Ela recorda que, mesmo nos momentos mais difíceis da internação, que durou cinco meses, Thiago jamais pensou em parar de jogar. Não sabia, porém, como se livrar dos médicos e do Dínamo. Até surgir em sua vida outro personagem fundamental: Ivo Wortmann.

O técnico havia comandado Thiago no Juventude, em 2004. Ao reencontrá-lo, também se assustou. "Ele estava deformado (engordou muito por causa da medicação) e diziam que tinham de operá-lo. Não sou médico, mas não sou bobo. Tinha de ajudá-lo", recorda Ivo.

Ajudou. Primeiro conseguiu um médico em Portugal. Ele se curou. Depois, em 2006, ao assumir o Fluminense para curta passagem, indicou o tricolor Thiago Silva ao clube. "Ninguém sabia quem ele era, mas ele tem uma qualidade excepcional para um zagueiro, um tempo de bola muito bom. Merecia a chance."

Thiago foi contratado, mas precisou de tempo para se recuperar. Quando isso ocorreu, o zagueiro que se livrou dos médicos russos virou o monstro, no bom sentido, para a torcida do Fluminense.

Logo o Flu que o reprovara duas vezes em peneiras. Aliás, Thiago Silva tentou a sorte inúmeras vezes em clubes do Rio, grandes e pequenos, e nada. Só conseguiu chance no desconhecido Barcelona carioca. Depois, foi ao RS, time de Paulo César Carpegiani. Dali, passou, já profissional, ao Juventude.

Faltava a seleção, que veio com Dunga, em 2008. "Foi uma realização grande para ele'", testemunhou Isabele.

As convocações se tornaram constantes e, depois de 2010, a titularidade também. Nesse meio tempo veio o Milan. Agora, está no PSG, e o Barça (o da Espanha, não o de Jacarepaguá) o quer. Mas isso não mudará Thiago, um cara que gosta de curtir a família, de bater bola com os filhos, de boliche. "Ele é uma pessoa centrada, focada no que faz", atesta a esposa. "É um cara de caráter, humilde. E um craque", completa Ivo.

E o sonho de erguer a taça, Thiago? "Penso nisso todos os dias. Se dissesse que não, estaria mentindo."

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