Odd Andersen/AFP
Odd Andersen/AFP

Thierry Henry faz trabalho psicológico especial com Lukaku

Ex-atacante francês é figura importante na comissão técnica da Bélgica

Almir Leite, enviado especial / Kazan, O Estado de S.Paulo

05 Julho 2018 | 05h00

Quando pediu para contratar Thierry Henry para a comissão técnica da Bélgica, o técnico espanhol Roberto Martínez queria colocar junto com os jogadores alguém com mentalidade vencedora. Quando começou a trabalhar, o ex-atacante francês, carrasco do Brasil na Copa de 2006, percebeu que deveria dar atenção especial a um atleta: o grandalhão Lukaku.

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Henry era admirador do futebol do atacante, mas o via como alguém sem objetividade e que se abatia facilmente. Primeiro procurou conquistar a confiança de Lukaku. Depois, começou a trabalhar em duas frentes: ensinar-lhe os segredos da área e torná-lo mais confiante.

Negro, Lukaku reclamava que era tratado com preconceito no país. “Quando faço gol, sou belga. Quando perco, falam que sou belga de origem congolesa”, queixou-se o artilheiro a Henry, de acordo com uma fonte que convive com o francês.

Henry, também negro e com pai nascido em Guadalupe e mãe na Martinica, ilhas do Caribe e departamentos ultramarinos da França, usou seu próprio exemplo para fazer Lukaku mudar a maneira de pensar. “Eu também era alvo de situações desse tipo, por causa da minha origem, mas resolvi deixar as críticas de lado e fazer meu trabalho. É o que você deve fazer.”

O atacante, hoje com 25 anos, seguiu o conselho, e seu futebol cresceu. Prova disso é que, nos últimos 11 jogos, ele fez 13 gols.

 

Para o bom aproveitamento de Lukaku também serviram, segundo o amigo de Henry, as recomendações técnicas do francês. Ele mostrou ao belga que era preciso aproveitar sua força física com objetividade, procurando se colocar sempre entre os zagueiros para cabecear ou chutar a gol e, mesmo nas arrancadas, tentar o chute assim que aparecesse uma brecha, para surpreender o goleiro.

Com o grupo, de maneira geral, Henry teve a missão de torná-lo mentalmente forte e com espírito vencedor. Um guru. Os belgas eram considerados bons atletas, mas tinham espírito derrotista na avaliação do téncico Martínez. Henry tratou de mudar isso, se dando como exemplo. Os prêmios individuais, assim como os títulos conquistados no Barcelona e no Arsenal, além da Copa de 1998 pela França, se tornaram exemplos. Ele trabalhou para colocar na cabeça de Hazard, De Bruyne, Witzel e Lukaku que era possível. Espécie de “sim, sim pode.”

Até agora, tudo deu certo. Desde que Martínez e seu auxiliar assumiram, em 2016, a Bélgica perdeu uma vez em 24 jogos – para a Espanha por 2 a 0, em 1.º de setembro daquele ano, na estreia da dupla. Depois disso, foram 18 vitórias e cinco empates.

 

 

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