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Time alemão fará amistoso para integrar refugiados e voluntários

St. Pauli convidou imigrantes para verem partida contra o Borussia

Estadão Conteúdo

04 de setembro de 2015 | 13h54

Antinazista, antirracista e anti-homofóbico por estatuto, o St. Pauli, clube de Hamburgo que disputa a segunda divisão do Campeonato Alemão, vai aproveitar o amistoso contra o Borussia Dortmund, na terça-feira, para tentar ajudar os refugiados que moram na cidade e nos seus arredores.

A diretoria do clube denominou a partida como "Refugiados, bem-vindos" e convidou para ela os cerca de mil imigrantes acomodados na região de Hamburgo e também os "muito dedicados voluntários".

O St. Pauli cresceu como um clube de operários, mas hoje o bairro no qual está localizado, de mesmo nome, é considerado uma região boêmia de Hamburgo. A ideia da diretoria é que as pessoas que moram nos arredores do clube se dirijam ao estádio e lá tenham contato com esses imigrantes "para mostrar a eles que suas experiências e sua cultura são bem vindas".

Uma ação dedicada a crianças também está sendo planejada pelo St. Pauli, que já vendeu 21 mil ingressos para o amistoso. O clube, que tem uma caveira como símbolo, é considerado um dos clubes mais "alternativos" do mundo. Apesar da torcida relativamente pequena, é o quarto colocado da segunda divisão.

MAIS AÇÕES

Na quinta, o Bayern de Munique anunciou que vai doar 1 milhão de euros e criar um centro de treinamento para crianças e adolescentes quem entram no país vindo de países em guerra ou atingidos por dificuldades sociais.

"A Alemanha está experimentando um grande fluxo de refugiados nas últimas décadas. E isto apresenta um desafio especial ao estado e à sociedade. O Bayern de Munique decidiu tomar parte neste desafio e, trabalhando junto à cidade de Munique e ao estado da Bavária, vai contribuir financeiramente, materialmente e com ajuda prática", anunciou o clube, em comunicado.

O centro de treinamento receberá crianças e adolescentes refugiadas, que terão acesso a aulas de alemão, equipamentos esportivos e terão direito a refeições no local. O clube também ajudará os estrangeiros através de sua fundação.

O pontapé inicial desta campanha será na partida contra o Augsburg, no dia 12 de setembro. Neste jogo do Campeonato Alemão, os jogadores do Bayern entrarão em campo de mãos dadas com filhos de estrangeiros, de um lado, e crianças locais, do outro. O clube, assim, quer que o ato se torne "símbolo da integração dos refugiados" na Alemanha.

Na semana passada, o Mainz convidou 200 imigrantes para assistir ao jogo contra o Hannover, pelo Alemão. Agora espera mais 400 para a partida contra o Hoffenheim, no dia 18. "Este é um momento difícil para estas pessoas. Esta é uma pequena contribuição para eles se distraírem um pouco da rotina diária", justificou o clube, em nota.

Hannover e Schalke anunciaram iniciativas semelhantes, assim como times de divisões inferiores, como Fortuna Düsseldorf e Dynamo Dresden. O Babelsberg, da terceira divisão, chegou a criar um time somente de imigrantes no ano passado, em Berlim. Em diversas partidas do Campeonato Alemão vêm sendo comum faixas de apoio aos imigrantes, com mensagens até boas-vindas.

A Alemanha vem recebendo uma quantidade sem precedentes de imigrantes neste ano. O país deve receber cerca de 800 mil refugiados somente neste ano, um aumento considerável em comparação ao ano passado. Somente na terça-feira desta semana, Munique recebeu 2 mil estrangeiros, que viajaram de trem até a cidade, bancados por doações de moradores alemães.

APOIO DAS TORCIDAS

No fim de semana, diversas torcidas das duas divisões do campeonato alemão exibiram faixas em apoio aos refugiados. As ações partiram dos torcedores mais fanáticos, os chamados 'ultras', famosos por seus cantos e bandeiras nos estádios do país.

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