Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Time alternativo e cheio de 'operários' iniciou arrancada palmeirense ao título

Sob o comando de Felipão, jogadores como Deyverson ganharam espaço e retomaram boa fase

Ciro Campos, Estadão Conteúdo

25 de novembro de 2018 | 19h26

O Palmeiras considerado nos últimos anos tão badalado, rico e favorito chegou ao título brasileiro graças a uma tática diferente. O técnico Luiz Felipe Scolari comandou grande parte da campanha vitoriosa ao montar um elenco de operários, formado principalmente por jogadores considerados reservas, enquanto os titulares se concentravam em um primeiro momento na Copa do Brasil e na Copa Libertadores.

A separação de dois times para dar conta do calendário propiciou rodagem e motivação ao elenco. Quem antes mal tinha chance, acabou por se tornar protagonista na campanha. Jogadores como o lateral Mayke, o zagueiro Luan, o volante Thiago Santos, o meia Lucas Lima e o atacante Deyverson não se importaram em estar na chamada equipe B do clube. Todos toparam a missão de serem operários nessa conquista.

"O grupo do Palmeiras é muito grande, tem excelentes jogadores. O professor disse que pretende usar todo mundo e tem demonstrado isso. Todos nós gostamos dessa ideia", afirmou o meia Lucas Lima. Contratado para ser titular do time, o jogador não se importou com a presença em jogos talvez menos importantes que os da Libertadores e da Copa do Brasil.

A campanha no Campeonato Brasileiro ajudou o Palmeiras a elevar o potencial de jogadores. O Palmeiras descobriu alternativas. O próprio Lucas Lima, por exemplo, teve um primeiro semestre abaixo do esperado, para depois evoluir. O zagueiro Luan superou a reserva para se tornar capitão deste time alternativo. O parceiro dele de defesa, o paraguaio Gómez, chegou contratado como um reforço desconhecido, para se mostrar seguro na marcação e eficiente nas cobranças de pênaltis.

No meio, o volante Thiago Santos substituiu Felipe Melo à altura na marcação e Deyverson correspondeu quando chamado para substituir Borja. Se em uma análise rápida escalar o time B no Brasileirão parecia jogar a competição para segundo plano, na verdade serviu para estimular a participação de vários nomes. "Tenho neste time algo que não tinha em alguns, a forma como eles se uniram pela vitória. É bom de trabalhar. Eles são profissionais e dedicados", elogiou Felipão.

A postura de separar o elenco entre as diferentes competições terminou na parte final da temporada, após as eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores. O foco passou a ser apenas o Brasileirão. O momento poderia ser de frustração pelas quedas nas duas semifinais, mas como os operários do time B haviam feito uma campanha ótima no Brasileirão, o elenco não sentiu a decepção e se uniu para os jogos finais reforçado pelo trabalho da descoberta de vários titulares dentro do elenco.

 

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