Edmar Barros/Divulgação
Experiente, geração de 2016 é promissora Edmar Barros/Divulgação

TIME COM ALTA QUILOMETRAGEM VAI EM BUSCA DO OURO

Dunga aposta em garotos com experiência para se dar bem nos Jogos do Rio

Ciro Campos e Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2015 | 17h00

Jovem, porém já bem-sucedido, muitas vezes ídolo da torcida de um grande clube e dono de uma trajetória vitoriosa nas seleções de base. Esse é o perfil médio dos jogadores do time olímpico que buscará em 2016, no Rio, a inédita medalha de ouro para Brasil.

A base do time Sub-23 que disputará os Jogos no próximo ano será praticamente a mesma que foi convocada pela dupla Dunga e Rogério Micale para os amistosos contra República Dominicana e Haiti, em Manaus. Na primeira partida, sexta-feira passada, contra os dominicanos, o Brasil goleou por 6 a 0. Na segunda-feira, mais um placar elástico: 5 a 1 contra o Haiti.

Os garotos da seleção olímpica já não mais tão meninos assim. Muitos atuam na Europa. Outros já tiveram a experiência de jogar no exterior e agora estão de volta ao Brasil.

Vejam o exemplo de Vitinho, do Internacional. Com apenas 18 anos, ele despontou no Botafogo e despertou o interesse de Milan e Juventus após ser um dos destaques do torneio de juniores de Tirreno e Sport, na Itália. Assim que subiu para o profissional, foi eleito a revelação do Campeonato Carioca de 2013 e logo se transformou no principal jogador da equipe. Em agosto daquele ano, foi vendido para o CSKA Moscou por 10 milhões de euros (R$ 31,6 milhões na época).

O atacante sofreu com a adaptação na Europa e em janeiro deste ano foi contratado por empréstimo pelo Inter. No Sul, retomou o bom futebol dos tempos de Botafogo. É, ao lado de Valdivia, seu companheiro também de seleção olímpica, o artilheiro da equipe no Campeonato Brasileiro. Não à toa virou prioridade para a diretoria do Colorado renovar o contrato de empréstimo do jogador com o CSKA.

Há também casos de jogadores que não tiveram dificuldades para se adaptar ao futebol europeu e já brilham no exterior. Camisa 10 da Lazio, Felipe Anderson ganhou as manchetes na Itália graças às ótimas atuações que acumulou pelo time de Roma.

De acordo com o jornal italiano Corriere dello Sport, a diretoria estipulou que não venderá o brasileiro por menos de 100 milhões de euros (R$ 436,5 milhões). Na última janela de transferências do mercado europeu, o clube recusou as investidas de Chelsea, Manchester United e Juventus pelo meia.

Situação semelhante vive o lateral-esquerdo Wendell, do Bayer Leverkusen, da Alemanha. Criado nas categorias de base do Londrina, o jogador ganhou destaque no Brasil pelo Grêmio e foi vendido no ano passado por 6,5 milhões de euros (R$ 28,3 milhões). Titular do Bayer, agora entrou na mira do Real Madrid. Os dirigentes espanhóis pretendem, com a contratação de Wendell, fazer sombra ao titular Marcelo, que passou a reinar sozinho na lateral-esquerda da equipe desde a saída de Fábio Coentrão para o Monaco.

O comando dessa geração de jogadores está com Dunga e Rogério Micale. Pelo planejamento definido pela CBF, Dunga será o treinador da equipe nos Jogos do Rio. Como o time olímpico atua nas mesmas datas da seleção principal, o técnico durante os amistosos tem sido Micale.

As convocações são feitas pela dupla e, após cada jogo, Micale apresenta um relatório para Dunga com informações detalhadas sobre o desempenho de cada atleta.

“Trabalhamos em conjunto. Discutimos muito procurando definir um conceito de jogo, aquilo que acreditamos ser o futebol brasileiro e trocamos ideias. Com a coincidência de datas dos jogos dos dois times, a gente acaba definindo uma filosofia” explica Micale.

Ele foi o treinador da seleção brasileira que disputou o último Mundial Sub-20, na Nova Zelândia, em junho. Micale assumiu o time depois que a CBF resolveu demitir Alexandre Gallo por não concordar com os métodos para a escolha dos jogadores convocados.

Mesmo proibido pela Fifa de fazer modificações na lista, Micale levou o Brasil à final, quando perdeu diante da Sérvia. Mais do que o segundo lugar, o que chamou a atenção foi o futebol ofensivo apresentado pela seleção no torneio.

Agora, Micale tenta fazer o mesmo com o time olímpico e, para isso, promoveu jogadores que disputaram o Mundial Sub-20 para a equipe Sub-23. É o caso de Gabriel Jesus, do Palmeiras. O garoto prodígio do Palestra Itália, de apenas 18 anos, mostrou o seu cartão de visitas nos amistosos contra República Dominicana e Haiti. Fez um gol em cada jogo e cavou o seu espaço na equipe.

Outro garoto Sub-20 que está bem cotado com a comissão técnica é Gabigol, do Santos. Foram três gols nos amistosos: um no primeiro jogo e dois no segundo.

Apesar da pouca idade, o atacante já é bem “rodado”. Ele tem 117 partidas pelo time principal do Santos e vive a melhor fase da carreira. Desde a volta de Dorival Junior à Vila Belmiro, o garoto vem crescendo de produção e acumulando gols.

A experiência de jogadores como Vitinho, Felipe Anderson, Wendel, Gabriel Jesus e Gabigol é justamente um dos trunfos da seleção para a Olimpíada. Diante da pressão de jogar em casa, a expectativa é de que os jogadores não “tremam” e consigam se impor diante dos adversários.

Medalha de prata nos Jogos de 1984, em Los Angeles, o ex-zagueiro Mauro Galvão fez parte da seleção olímpica cuja base era o Internacional. Ele já tinha a experiência de jogar entre os profissionais desde 1979, mas muitos dos seus companheiros chegaram sem “bagagem” aos Estados Unidos. “Algumas seleções já tinham jogadores com bastante experiência e isso pesava”, lembra.

Na semifinal, por exemplo, o Brasil enfrentou a Itália com atletas de renome como Franco Baresi, Daniele Massaro e Walter Zenga.

MORAL COM O CHEFE

O zagueiro Marquinhos, do Paris Saint-Germain, e o lateral-direito Fabinho, do Monaco,   não participaram dos amistosos em Manaus, mas  só não estarão dos Jogos do Rio se algo de muito grave acontecer até lá.

Ambos têm idade inferior a 23 anos, estiveram com a seleção principal nos jogos contra Chile e Venezuela, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, e foram bastante elogiados por Dunga, principalmente Marquinhos. O zagueiro herdou a vaga de David Luiz, cortado por lesão, e foi titular contra a Venezuela.

O treinador gostou muito da atuação do jogador e também do seu comportamento fora de campo. “Fabinho entrou em alto nível contra os Estados Unidos (amistoso em setembro). Agora foi a vez do Marquinhos. São jogadores que estamos tentando colocar dentro da seleção”, explicou Dunga.

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'Esses jogadores têm muita experiência’, diz Ney Franco

Técnico campeão mundial sub-20 destaca potencial da geração

O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2015 | 17h01

O atual técnico do Coritiba, Ney Franco, liderou em 2011 uma safra vitoriosa. Campeão sul-americano e Mundial naquele ano, a geração de Lucas, Neymar e Oscar integra atualmente a seleção principal e para o treinador, a atual equipe de base também tem condições de fazer um bom papel.

Leia a análise de Ney Franco:

O Brasil conta hoje com uma geração muito forte de atletas com idade olímpica. Além da qualidade técnica, esses jogadores têm muita experiência. Em comparação com as gerações que já defenderam o Brasil em outras edições dos Jogos Olímpicos, essa é a que tem o maior número de atletas que já atuam nas equipes profissionais dos seus clubes. E, o mais importante, em altíssimo nível.

São jogadores rodados e titulares absolutos nos seus clubes. Muitos têm papel de destaque no Campeonato Brasileiro e outros já atuam até na Europa.

Sabemos que o fator emocional de disputar uma Olimpíada em casa e a obrigação de conquistar a medalha de ouro podem atrapalhar, mas esses jogadores, principalmente aqueles que atuam no Brasil, convivem semanalmente com jogos às quartas-feiras e aos domingos e a pressão da torcida. Arriscaria até a dizer que estão habituados a uma pressão maior do que a seleção brasileira terá em 2016.

A seleção olímpica terá nos Jogos uma comissão técnica super experiente, com Dunga e Gilmar Rinaldi, além do Rogério Micale. Tenho certeza de que eles vão saber criar um ambiente para que os jogadores possam desenvolver o melhor futebol, e não se sintam pressionados.

Aliado a tudo isso, pela primeira vez a CBF está fazendo um trabalho consistente de preparação para a Olimpíada. Por isso, essa seleção tem tudo para conquistar a medalha de ouro.

Depois dos Jogos Olímpicos, ainda vejo um futuro promissor para esses jogadores também na seleção adulta. Assim como vários nomes da geração de 2011 fazem agora parte do time principal, como Neymar, Lucas, Danilo, Oscar, Firmino e Philippe Coutinho, acredito que a base da seleção que disputará a Copa do Mundo de 2022 será formada por atletas deste time olímpico.

São jogadores que, quando chegarem à seleção principal, já terão uma longa trajetória nas equipes de base e, por isso, sentirão menos a transição. Temos exemplos de atletas que disputam até cem jogos nas seleções de base antes de terem uma oportunidade na equipe principal. O Lucão é um desses casos. Ele já vem sendo capitão da seleção desde o Sub-15.

NEY FRANCO FOI CAMPEÃO SUL-AMERICANO E MUNDIAL SUB-20 EM 2011. ATUALMENTE ESTÁ NO CORITIBA

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