Matheus Lima/Cidade Clube
Matheus Lima/Cidade Clube

Time de melhor campanha do Paulistão pode ficar sem elenco durante a pandemia

Com contratos perto do fim, Santo André não sabe o que fazer caso a disputa do Estadual seja retomada

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

25 de março de 2020 | 07h00

A suspensão do Campeonato Paulista causada pela pandemia do novo coronavírus ameaça o sucesso do time de melhor campanha do torneio. Com a competição ainda sem data para voltar, o Santo André tem diante de si um futuro cheio de dúvidas. Quase todo o elenco só tem contrato até o fim do Estadual, em abril, e o clube alega não ter condições financeiras para prorrogar os vínculos por mais tempo caso o Paulista precise ser prolongado após a paralisação.

Antes do torneio ser interrompido por tempo indeterminado, o Santo André somava 19 pontos e acumulava bons resultados diante de São Paulo e Corinthians, além de ser líder do grupo do Palmeiras. A equipe dependia de mais uma vitória para se garantir nas quartas de final e os jogadores comemoravam a chegada de propostas. Como muitos assinaram contratos só para a disputa do Estadual, a boa campanha era sinônimo de emprego garantido em outras equipes pelo restante do ano.

Mas a situação mudou completamente com a pandemia. Os jogadores foram dispensados e agora treinam em casa com pouca perspectiva de futuro. O zagueiro Luizão, por exemplo, está em Vargem Alta (ES) e concilia as atividades com a torcida para o calendário do futebol retornar. 

"Eu só tenho contrato até o dia 7 de abril. O Paulista é uma vitrine e nosso time estava sendo muito observado, porque fazia grande campanha. O ruim é que todos os outros clubes não vão nos contratar porque não sabem quando vão jogar", lamentou. O defensor disse que tinha propostas de dois times da Série B do Brasileiro antes do Estadual ser interrompido.

Luizão e os demais colegas têm conversado para saber mais informações sobre a volta do calendário. A preocupação de todos é não ter emprego para depois de abril e muito menos saber se terá alguma competição em disputa no Brasil. "Mesmo se o campeonato voltar daqui dez dias, até a gente retornar ao clube e treinar, vai acabar o acordo de todos antes de terminar o calendário de jogos", afirmou.  

 

A cúpula do clube também é vítima do mesmo impasse. O diretor executivo Edgard Montemor afirmou ao Estado que 95% do elenco tem contrato até abril. Dos 26 inscritos no Paulista, apenas quatro tem um contrato que cobre o mês de maio. Caso a competição seja prolongada, por exemplo, o Santo André possivelmente teria de buscar novos jogadores e aproveitar garotos das categorias de base.

"A gente não consegue iniciar uma conversa para renovar não só pela parte financeira, mas por não saber o prazo. Vamos sentar com um atleta e propor quanto tempo? Até nisso ficamos de mãos atadas", disse o dirigente. O próprio Montemor, assim como o treinador Paulo Roberto Santos e demais membros da comissão técnica só têm contratos válidos até mês de abril.

O Santo André admite não ter condições financeiras para disputar com este elenco um Estadual mais longo. "No orçamento do clube a gente não comporta o pagamento de mais um mês de salários. Assim como outros times menores, nós não temos segundo semestre do calendário. A gente contava com várias receitas, como uma bilheteria de quartas de final. Mas agora virou uma bola de neve", explicou.

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