Juan Medina/Reuters e Lucas Uebel/Gremio FBPA
Juan Medina/Reuters e Lucas Uebel/Gremio FBPA

Time de 'refugos', Grêmio desafia o poderio do Real Madrid na final

Time gaúcho formado com elenco barato tenta título mundial em Abu Dabi diante de um dos clubes mais ricos do mundo

Ciro Campos, Daniel Batista, O Estado de S. Paulo

16 de dezembro de 2017 | 07h00

A final do Mundial de Clubes, neste sábado, às 15h (horário de Brasília), em Abu Dabi, vai trazer um novo ingrediente para a habitual comparação de disparidade entre europeus e sul-americanos. Real Madrid e Grêmio mostram o quanto filosofias opostas na montagem de elenco podem levar ao mesmo resultado.

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O favorito Real Madrid e o azarão Grêmio levarão a campo para a disputa do título mundial 22 jogadores escolhidos de acordo com maneiras antagônicas de planejamento. O rico time espanhol pode se dar ao luxo de contratar o reforço que desejar, porém admite ser difícil enfrentar um adversário montado a baixo custo e com atletas desprezados por outros clubes.

"O Grêmio merece estar na final, assim como nós. É um jogo só, então não há favoritos", disse em entrevista coletiva o técnico do Real, o francês Zinedine Zidane. "Temos pela frente um adversário técnico, forte e que joga no contra-ataque. É um time bem melhor que o da semifinal (Al Jazira)", afirmou.

Após poupar alguns titulares na estreia, a equipe espanhola vai com força máxima para ganhar o sexto título mundial. A provável formação titular exemplifica como o clube se organiza para buscar as conquistas. Dos 11 jogadores, o único formado pelo próprio time é o lateral Carvajal, mas que só ganhou espaço no Real Madrid depois de ter sido negociado com o Bayer Leverkusen, da Alemanha, e na sequência, comprado de volta.

O elenco madrilenho mantém a base há tempos e vem de dois títulos mundiais conquistados nos três últimos anos, sequência que, segundo Zidane, não diminui a vontade de nova conquista. “Encaramos a final com esperança. Queremos levar para casa outro título e por isso estamos aqui trabalhando há uma semana”, diz o técnico.

Para o Grêmio, a sonhada vitória teria o peso de uma façanha histórica. Em todos os sentidos. O segundo título mundial consagraria um elenco montado a baixo custo e com atletas contratados após perderem espaço em outros times, casos de cinco titulares: Fernandinho, Cortez, Edilson, Geromel e Barrios. Todos tiveram passagens por clubes paulistas, de onde saíram em baixa após não terem sido muito aproveitados. 

A volta por cima dessa turma no futebol brasileiro se deu no Grêmio, time que também conseguiu a reação graças ao grupo. Até ser campeão da Copa do Brasil, em 2016, o clube estava havia 15 anos sem títulos nacionais. O elenco gremista também tem como principais pilares jogadores criados no próprio clube, como o goleiro Marcelo Grohe e o atacante Luan. Outro titular de destaque oriundo da base é o volante Jailson.

A grande diferença para o Real Madrid levou até mesmo o técnico Renato Gaúcho, habitual falastrão, a adotar discurso humilde. "É um privilégio estar em uma final de Mundial enfrentando uma das maiores equipes do mundo, com jogadores de seleção. Temos muito respeito por eles, mas o Grêmio também tem seus méritos por estar aqui", comentou Renato. 

O discurso de respeito do treinador gaúcho não vai longe. O adversário assusta, é claro, mas o Grêmio não vai alterar a forma de atuar somente por se tratar do Real Madrid. O time deve continuar a pressionar a saída de bola e, nas palavras de Renato, vai dificultar bastante a ambição espanhola de conquista.

"O Real Madrid quer muito o título, mas o Grêmio também quer. O Real é o favorito, mas precisa provar dentro das quatro linhas. Vamos fazer de tudo para o Grêmio ser campeão mundial", avisou o treinador. 

POLÊMICA

As entrevistas coletivas dos dois treinadores tiveram um tema controverso. Renato Gaúcho voltou a comentar que foi melhor atacante do que o português Cristiano Ronaldo. A declaração foi questionada por Zidane. O francês defendeu o seu principal jogador.

O técnico do Real Madrid classificou a comparação do colega como "um pouco forte" e evitou criticar a postura do gremista. "Cada um pode opinar e ele tem esse direito. Renato foi um bom jogador, mas não concordo que tenha sido melhor do que Cristiano Ronaldo. É isso o que ele disse e temos de respeitá-lo", afirmou o francês.

O duelo entre Cristiano Ronaldo e Renato Gaúcho começou dias atrás, quando o treinador fez o primeiro comentário sobre o português. Questionado novamente sobre o tema na véspera do jogo, o gremista não recuou. "Eu mantenho (a opinião). É muito fácil vocês (jornalistas), que não me viram jogar, elogiar o Cristiano Ronaldo. Eu repito: bato palmas para ele. Mas para saber o que joguei teriam de falar com muitas pessoas que me viram jogar também", explicou o técnico.

Renato pode ser o primeiro brasileiro a ser campeão mundial como jogador e treinador e o quinto em toda a história. Em 1983, ele ajudou o Grêmio a bater o Hamburgo na decisão realizada no Japão.

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