Time é a cópia da seleção do tetra

Carlos Alberto Parreira não mudou quase nada desde a conquista do tetra na Copa do Mundo de 94. Os conceitos são os mesmos, a mecânica do trabalho também. Emprega os mesmos termos para explicar o modelo da seleção brasileira ideal. Contra a Colômbia, neste domingo, em Barranquilla, pretende adotar esse mesmo estilo conservador que deu certo há nove anos. ?Coerência e bom senso?, disse depois do último treino em que definiu o time para estrear nas Eliminatórias da Copa de 2006. Quando fala em coerência, Parreira quer dizer que tem de ser fiel aos seus princípios, não importa se a geração é talentosa, se tem um punhado de pentacampeões no seu grupo. Por isso, recorreu a Emerson e Zé Roberto, dois jogadores contestados pela mídia e boa parte da torcida. Com Emerson e Zé Roberto mais Gilberto Silva, titular do Brasil na campanha do penta em 2002, Parreira consolidou suas idéias no meio-de-campo: alto poder de marcação e eficiência na hora de administrar a posse de bola. ?Tudo se desenvolve ali. Para conseguirmos a posse de bola, você tem de contar com jogadores que saibam roubar a bola e depois administrar. O Emerson e o Zé Roberto têm essa característica. E o Gilberto já mostrou sua capacidade no último Mundial.? Emerson, 27 anos, 53 jogos pela seleção, sabe muito bem qual a sua função no esquema de Parreira. ?No Brasil, a mentalidade dos críticos e da torcida é não dar valor ao jogador de equipe, que trabalha para a equipe e não para ele próprio. Essa posição não é valorizada. Mas pergunta para os jogadores de frente qual é a nossa importância. Desde o Zagallo, em 98, venho sendo convocado por todos técnicos da seleção. Não estou preocupado com os que me contestam.? Zé Roberto, 29 anos, 49 jogos pela seleção, também não está preocupado com os críticos. ?Amadureci muito desde que fui jogar na Europa (1997). O meu objetivo sempre é jogar de acordo com a orientação do treinador. Na seleção, faço o que o Parreira me pede.? O treinador vai apostar em Emerson e Zé Roberto até alguém conseguir provar que ele está errado. Contra a Colômbia, neste domingo, o grande teste. ?O Emerson deixa o time equilibrado. E o Zé Roberto exerce três funções: lateral-esquerdo, segundo volante e ponta. Perfeito, mano.? Com Emerson, Parreira formou um triângulo no setor direito ao lado de Cafu e Alex. Outro triângulo no setor esquerdo com Zé Roberto, Roberto Carlos e Rivaldo. Entre essas duas figuras geométricas, Ronaldo para resolver a equação: gols. No Mundial de 94, era quase a mesma coisa. Mauro Silva hoje é Gilberto Silva; Dunga é Emerson; Zé Roberto é Zinho. Na frente, Romário é Ronaldo. Nove anos foram embora desde aquela Copa do Mundo do tetra. A seleção de Parreira quase não mudou. Até Zagallo, seu mentor, continua na comissão técnica. Se bem que Zagallo anda comedido, sentindo o peso dos 74 anos.

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