Times brasileiros encaram aventuras para jogar na América do Sul

Confrontos pelas competições continentais incluem viagens longas, altitude e estádios sem estrutura

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

28 de setembro de 2012 | 17h30

SÃO PAULO - De vacas no gramado a balão de oxigênio no banco de reservas os times brasileiros já experimentaram diversas aventuras nas competições sul-americanas. O último capítulo foi do São Paulo. O elenco gastou 40h no trajeto de ida e volta para Loja, no Equador, onde enfrentou a LDU na última quarta-feira - mais um exemplo que viajar pelo continente esconde enrascadas e boas histórias.

A epopeia são-paulina para chegar à região Sul do Equador obrigou o elenco a fazer três trechos da viagem de avião: foi até Bogotá, depois parou em Guayaquil e na sequência, seguiu para Cuenca. De lá fez o restante do caminho de ônibus. Pelo menos em Loja o time sofreu apenas com o desgaste das 20h de deslocamento e nem tanto com outras adversidades encaradas pelas demais equipes do País.

O principal medo dos brasileiros em competições Sul-Americanas se chama Cordilheira dos Andes. A cadeia de montanhas se torna uma arma principalmente para equipes bolivianas, como o Real Potosí. A cidade localizada a 4 mil metros de altitude é um pesadelo em forma de ar rarefeito. O Flamengo foi precavido para jogar contra o time local na Libertadores de 2007 e antes do embarque simulou as condições do oxigênio para já acostumar os jogadores. Na hora da partida a comissão técnica levou até balão de oxigênio para o estádio.

Os locais onde os brasileiros tiveram de jogar costumam ser pitorescos pela América do Sul. Em 2005 o Palmeiras estreou na Pré-Libertadores contra o pequeno time paraguaio do Tacuary. A 'manutenção' do campo do estádio Roberto Bettega, em Assunção, era feita por vacas, que pastavam ali e tinham a responsabilidade de deixar a grama aparada.

O diário de viagem brasileiro também reúne memórias de violência. Em 2009 o Fluminense encarou o Cerro Porteño, em Assunção, pela semifinal da Sul-Americana. No fim do jogo a torcida local atirou inúmeras pedras nos jogadores do time carioca. Fred e seus companheiros resolveram se refugiar no centro do gramado, local que era o mais afastado possível da violência das arquibancadas. Escoltado pela polícia, o elenco esperou o tumulto terminar e entrou no vestiário.

Em 1997 o Atlético-MG não teve a mesma sorte. A primeira partida da final da Copa Conmebol terminou com um excelente 4 a 1 fora de casa sobre o Lanús, da Argentina. Mas a noite terminou mal, com uma confusão generalizada entre os jogadores dos dois times. A torcida local também participou da briga e agrediu o técnico Emerson Leão, que se feriu gravemente e teve que passar por uma cirurgia no rosto.

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