Cesar Greco/Ag. Palmeiras
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Times brasileiros traem suas torcidas quando abrem mão de atacar após o gol marcado

Placar favorável não pode ser impeditivo para equipes seguirem buscando o ataque; futebol precisar ter "90 minutos"

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2022 | 05h00

Uma partida de futebol precisa ter 90 minutos. Parece óbvio, mas não é. Treinadores e jogadores estão se acostumando a bem menos do que isso. O resultado é a falta de paciência do torcedor para acompanhar o jogo, contentando-se apenas com os melhores lances, um resumo do que ocorreu. A desculpa para isso é o desgaste físico.

Mas não pode ser somente isso. Um atleta tem de estar preparado para atuar em intensidade os dois tempos de 45 minutos e os acréscimos, com até cinco substituições. Ou seja, dos 11 que começam, quase 50% podem ser trocados.

O que se faz hoje com o pobre torcedor é uma covardia. Digo mais: é uma traição. Não me venham com orientações fisiológicas ou clínicas. Os times estão jogando até o gol, como fez o Palmeiras diante do São Paulo na semana passada. Foram 15 minutos. Depois disso, com o marcador favorável, a equipe de Abel Ferreira recuou e apostou em sua defesa para manter a vitória. Ganhou, mas poderia ter perdido. Fez do goleiro Weverton o melhor do confronto. O Palmeiras, acima de tudo, foi covarde. Vale para os atletas e também para o seu treinador – melhorou contra o Santos.

O torcedor deveria pedir o dinheiro do ingresso de volta. E também o dinheiro do streaming ou do canal de TV pago. Comprou jogo de 90 minutos e só teve 15 de um dos lados.

O futebol brasileiro já perde de goleada para o europeu em tantos outros quesitos... Podia ao menos ter a decência de entregar 90 minutos intensos, bem ou mal tecnicamente, ao menos de mais disposição e vontade de correr e jogar, de fazer valer a máxima maior do futebol: o gol. Mas não faz.

O que os times mostram depois do gol marcado é irritante. Sábado, felizmente, o Corinthians nadou contra a corrente, fez o primeiro na Ponte Preta e partiu para cima de outros mais. Parou no 5 a 0. Ótimo. Tem o meu respeito por isso.

É preciso que outros enfrentem essa correnteza e resgatem a atenção do torcedor. Puxar o freio de mão é natural nos times quando eles estão à frente do placar. Não se deve acostumar com isso, porém. É caso para o presidente? Talvez seja. Que seja então! Baixe decreto. Meu time não desiste do gol. Meus jogadores buscam o gol até o fim. Meu técnico não se acovarda diante do rival.

Ter estratégia é uma coisa. Desistir do gol é outra. E o que temos visto nos jogos estaduais e da Copa do Brasil é a segunda alternativa. Chamo isso de incompetência e covardia quando o oponente é menor ou de igual tamanho.

O resultado disso é o total desprezo de todos. Não por mim, que grito, mas continuo fiel, mas pelas novas gerações de torcedores, que não acham graça tampouco aprovam esse comportamento sem coragem e ousadia e cheio de temor. Sem atração. Essa geração fica com os melhores momentos. Em breve, vai embora de vez.

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