Matheus Lima/Cidade Clube/Divulgação
Matheus Lima/Cidade Clube/Divulgação

Equipes com receitas menores sofrem com coronavírus e voltam mais fracas para o Paulistão

Clubes tiveram diversas modificações em seus elencos durante a pausa; confira como elas estão no momento

Redação, O Estado de S. Paulo

29 de junho de 2020 | 08h00

A paralisação do Campeonato Paulista atrapalhou diretamente a maioria dos 12 clubes pequenos. Com exceção do Red Bull Bragantino, que manteve em dia o pagamento dos salários e não perdeu jogador, os demais sofreram com o término de contratos de atletas e tiveram perdas nos grandes elencos. Como trabalha com verba anual enviada pela matriz, o Bragantino mantém foco na competição e sonha até mesmo em brigar pelo título. Líder do Grupo D, com 17 pontos, e já classificado para as quartas de final, o time de Bragança foi o primeiro a fazer exames de coronavírus e testes físicos, também voltando a treinar antes do combinado com a Federação Paulista, o que irritou demais os participantes do Paulistão.

"Fomos campeões da Série B no ano passado e entramos com disposição de ir longe na volta ao Paulistão", diz o presidente Marco Chedid, esperançoso em aproveitar o desmanche de alguns rivais do interior e as indefinições nos grandes clubes da capital, alguns com atrasos de salários, para se dar bem na disputa. "Estamos atentos à volta da competição, porque temos condições de brigar pelo título", acrescenta.

Na contramão do caminho traçado pelo Bragantino, aparecem três times que se destacavam até a pausa do Paulistão pela pandemia. O principal deles é o Santo André, que lidera a classificação geral com 19 pontos. O time perdeu 11 jogadores que disputavam a competição, entre eles o artilheiro da equipe, Ronaldo, com cinco gols, que se transferiu para o Sport. "A ideia é contratar por jogos que disputarmos para reforçar o time", disse o executivo de futebol Edgar Montemor Filho. A equipe enfraqueceu, não tem mais dinheiro e já não vê com bons olhos um torneio em que estava liderando. Seus dirigentes dizem que não há muito o que fazer. Pagar as contas é a principal meta hoje. O Paulista deveria ter terminado em abril. Serão, portanto, mais três meses de folha de pagamento.

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A ideia é contratar por jogos que disputarmos para reforçar o time
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Edgard Montemor, Diretor executivo do Santo André

O Mirassol também lamentou a parada, porque, na visão do presidente Edson Ermegenildo, "o time estava encaixado" em campo e praticamente classificado, com 16 pontos, no Grupo C. Mas com vários atletas em fim de contrato, só conseguiu segurar sete deles e buscou reforços agora mais preocupado com a disputa da Série D do Campeonato Brasileiro. "A pandemia tirou a nossa força, que era a força do conjunto. Tanto que já tínhamos evitado a queda para a Série A2", disse o dirigente. O clube não admite, mas vai cumprir tabela e pensar em subir para a Série C do Nacional.

O Novorizontino, com 16 pontos, sofreu dez baixas no elenco. Não tinha dinheiro para segurar os atletas, alguns com propostas de outros times. Era o único time invicto do Paulistão, mas com poucas chances de avançar à segunda fase. Com 16 pontos e em terceiro lugar no Grupo B, atrás de Palmeiras e Santo André, ambos com 19, a equipe de Novo Horizonte vai focar a disputa da Série D também. Terá de jogar com o que tem as duas últimas partidas da etapa de classificação do Estadual. A partir daí, tentará se refazer para colocar um time forte na Série D. O dinheiro acabou. Aproveita como pode ajuda oferecida pela CBF e FPF.

A principal baixa entre os times médios e pequenos se deu no Guarani e foi do atacante Júnior Todinho, vice-líder da artilharia geral com seis gols. Ele teria pedido alto para renovar seu contrato. O clube está com dois meses de salários em atraso e não conseguiu fazer uma oferta para segurá-lo. "Estas mudanças são pontuais, feitas dentro da realidade financeira do clube. O nosso grupo de jogadores é bom e continua", defendeu o técnico Thiago Carpini.

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Vamos focar a volta do Paulistão para evitar o descenso e buscar o acesso na Série B
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Gustavo Bueno, Diretor de futebol da Ponte Preta

Para não cair para a Série A2, Ponte Preta e Inter de Limeira mantiveram seus elencos. O time de Campinas reduziu em 30% os salários, mas conseguiu pagar todos. O gerente de futebol Gustavo Bueno deixou claro os objetivos da equipe de Campinas para a retomada da temporada. "Vamos focar a volta do Paulistão para evitar o descenso e buscar o acesso na Série B", disse. A Ponte precisa vencer suas partidas.

O Água Santa teve várias baixas, inclusive, a saída do técnico Pintado. Outros clubes sofreram muitas perdas como Botafogo, Ituano, Ferroviária e Oeste, ainda ameaçados pelo risco de rebaixamento para a Série A2. "Estas mudanças já eram esperadas e vamos adequar o nosso planejamento financeiro com o esportivo", disse o técnico do Ituano, Vinícius Bergantin.

PONTE PRETA

Não houve saída de nenhum jogador, mesmo porque o time corre o risco de ser rebaixado. Por outro lado, de olho na Série B do Brasileiro e na Copa do Brasil, a direção já contratou os zagueiros Rayan (ex-Ferroviária) e Luizão (ex-Santo André), o lateral-esquerdo Ernandes (ex-Mirassol), o volante Neto Moura (ex-Mirassol) e o meia Camilo (ex-Mirassol). O atacante Moisés, do Concórdia-SC também está próximo. O dinheiro com a redução dos salários ajudou. 

O clube aguarda a liberação da prefeitura para fazer a intertemporada em Campinas. Os salários estão em dia. De abril para cá, reduziu até 30% os vencimentos de jogadores e funcionários. Com apenas sete pontos na tabela, para evitar a queda sem depender de ninguém, o time campineiro precisa vencer seus dois últimos jogos: Novorizontino (em casa), e Mirassol (fora).

GUARANI

Saíram o lateral-esquerdo Thallyson, o zagueiro Vitor Mendes, o meia Bady e os atacantes Júnior Todinho e Juninho Piauiense. O zagueiro Leandro Almeida também está de malas prontas. Chegaram o zagueiro Didi (ex-Botafogo-SP) e o meia Arthur Rezende (ex-Bahia). O zagueiro Walber, do Athletico-PR, está próximo de assinar. A direção aguarda liberação da prefeitura para fazer a intertemporada em Campinas, podendo levar os treinos para Americana. A situação financeira é delicada. Antes os salários estavam em dia, mas agora o clube está com quase dois meses de atraso.

Vice-líder do Grupo D, com 16 pontos – um atrás do classificado Bragantino –, o Guarani está praticamente classificado, porque tem cinco pontos de vantagem sobre Corinthians e Ferroviária. Vai visitar o Botafogo e receber o São Paulo.

OESTE

O elenco não sofreu mudanças: ninguém saiu e ninguém foi contratado durante a paralisação do Paulistão. A ideia é utilizar o CT em Barueri para a intertemporada. Não houve redução salarial por conta da paralisação. Na luta contra o descenso, o Oeste tem dez pontos. Nas últimas rodadas, visitará a Inter de Limeira e vai receber o Corinthians.

SANTO ANDRÉ

Perdeu 11 jogadores do elenco que vinha realizando a melhor campanha do Campeonato Paulista, sendo quatro titulares: o goleiro Fernando Henrique, o zagueiro Luizão, o volante Dudu Vieira e o artilheiro Ronaldo. A diretoria está atrás de substitutos para essas posições.

Como foi levantado um hospital de campanha no estádio Bruno José Daniel, o clube vai realizar a intertemporada em outra cidade e mandar seus jogos fora.

Não houve necessidade de redução salarial, porque os contratos chegaram ao fim. O que houve foi um acordo em relação a alguns valores que estavam abertos antes da paralisação. Líder geral da competição com 19 pontos, o Santo André vai enfrentar o Santos, fora, e depois receberá o Ituano.

INTER DE LIMEIRA

Perdeu apenas um jogador no período de paralisação: o meia-atacante Thomas, que pertencia ao São Paulo, teve o contrato encerrado com o clube da capital e assinou com o Operário-PR para a disputa da Série B.

A direção não contratou nenhum jogador, mas manteve todo o seu elenco. O clube fez contratos curtos, para que pudesse terminar o Paulistão, mesmo porque não vai disputar a Série D do Brasileiro.

Mesmo durante a crise, pagou integralmente o salário de todos os jogadores durante a pandemia do novo coronavírus. Com a renda líquida do jogo com o Palmeiras (R$ 385.524,57), a diretoria conseguiu manter os salários em dia. O valor seria usado para a participação na Copa Paulista.

Em relação aos treinos, os jogadores se exercitavam por 90 dias em casa. Nos próximos dias, haverá mais uma bateria de exames físicos e médicos antes de um possível retorno. O clube aguarda a liberação para treinar presencialmente.

Com 11 pontos, o objetivo do clube é confirmar sua presença na elite em 2021. Para isso, espera somar pelo menos três pontos nos dois últimos jogos, em casa, com o Oeste e, fora, diante da Ferroviária.

MIRASSOL

O clube teve muitas dificuldades. Manteve, durante a pandemia, apenas oito jogadores: Kewim, Daniel Borges, Matheus Rocha, Renie, Wellington, Maicon Souza, Eduardo Junior e Bruno Mota. Foram contratados o lateral-direito Danilo Boza e o zagueiro Wellington Silva de olho na disputa da Série D.

O Mirassol realizou, nesta semana, testes ergométricos, físicos e de coronavírus. O retorno aos treinos será em 1.º de julho, conforme autorização do governo do Estado de São Paulo. Já foram realizadas as primeiras baterias de exames de covid-19, sendo todos os resultados negativos. Não houve redução de salários ao longo da pandemia. E todos foram pagos integralmente.

Na penúltima rodada vai visitar o Água Santa. Depois, receberá a Ponte Preta. Vice-líder do Grupo C, com 16 pontos – dois atrás do São Paulo – e quase classificado, o Mirassol não deve ter chances de ser competitivo no mata-mata.

BRAGANTINO

O clube deve ficar sem três jogadores que estavam no elenco por término de contrato. Pedro Naressi teve seu contrato encerrado e retornou ao Red Bull Brasil, que disputa a Série A2. Outros dois, vão ter seus vínculos encerrados no fim do mês: Leandrinho, com empréstimo junto ao Napoli a se encerrar em 30 de junho, assim como o vínculo de Ricardo Ryller, que foi cedido pelo Braga (Portugal).

Por outro lado, a direção renovou com Vitinho, vinculado ao Palmeiras. Trouxe Tomas Cuello que pertence ao Atlético Tucumán (Argentina). E Robinho teve seu empréstimo ao Red Bull Brasil cancelado, voltando para Bragança.

Como trabalha com orçamento fechado, independentemente de receitas com rendas e TV, o clube não reduziu salários e pagou a todos jogadores e funcionários. O time possui liberação da prefeitura de Bragança Paulista para os treinos. Inclusive, treinou durante uma semana, no começo de junho, mas voltou atrás da decisão após pedido da FPF. Já classificado à segunda fase, o time vai fazer dois jogos. Atuará fora contra o São Paulo e vai receber o Botafogo.

ÁGUA SANTA

A paralisação atrapalhou os planos do Água Santa, que fazia uma campanha de recuperação para se livrar do rebaixamento. O atacante Dadá Belmonte foi emprestado ao Náutico, com opção de compra e o técnico Pintado acertou sua ida para o Juventude, que vai disputar a Série B. O comandante dos últimos dois jogos não foi definido. O time de Diadema ainda vai enfrentar o Mirassol, em casa, e o Palmeiras, fora. Com 10 pontos, em 14.º lugar, ainda está ameaçado pelo rebaixamento.

O clube se viu obrigado a reduzir salários em 30% durante a paralisação, mas não tem atrasos. Possui liberação da prefeitura de Diadema para os treinos e espera se manter na elite em 2021.

FERROVIÁRIA

A equipe de Araraquara anunciou a chegada do técnico Dado Cavalcanti para o lugar de Sérgio Soares e se reforçou já de olho na disputa do Brasileiro da Série D. O clube já acertou a chegada dos zagueiros Matheus Salustiano, Anderson Salles e Fabão; dos meio-campistas Dener, Salomão e Dudu Vieira; e os atacantes Felipe Sampaio, Will Viana e Bruno Mezenga. Além disso, renovou contrato com o meia Tony e confirmou a permanência do goleiro Saulo.

Por outro lado, perdeu alguns jogadores importantes para o restante do Paulistão, como o zagueiro Rayan que já foi para a Ponte Preta. Ainda saíram Euller, Patrick Brey, Henan, Caio Rangel e Carlão.

Fora de campo, o time grená aguarda aval para voltar aos treinamentos in loco, mas fez testes de coronavírus no elenco. Com equilibrada saúde financeira, não precisou fazer cortes nos vencimentos do elenco.

Com 11 pontos, em 11.º lugar, ainda vai ter de evitar o rebaixamento nas últimas duas rodadas, quando vai visitar o Ituano e receber a Inter de Limeira na Fonte Luminosa.

ITUANO

Sem confirmar nenhum corte nos salários e aguardando o aval para retomar as atividades presenciais, o time de Itu anunciou a contratação do atacante Mateus Barbosa; e as renovações com o meia Gabriel Taliari, o volante Paulinho Dias e o lateral Breno Lopes. Além disso, os meias Guilherme e Xavier, que estavam, respectivamente, no Oeste e no Sertãozinho; e o zagueiro Léo, que deixou o Criciúma; retornam de empréstimo. Por outro lado, perdeu o zagueiro Ricardo Silva, o lateral Jonas e optou por liberar os atacantes Minho, Keké e Yago. Com 10 pontos, em 13.º lugar, o Ituano vai receber a Ferroviária e visitar o Santo André.

BOTAFOGO

Na zona de rebaixamento, o Botafogo conseguiu segurar boa parte do seu elenco. Deixaram o clube apenas o zagueiro Didi, que acertou com o Guarani, e o volante Willian Oliveira, reforço da Chapecoense. O clube estuda buscar peças de reposição, mas o principal reforço veio de dentro do elenco. Dodô, recuperado de uma cirurgia no joelho direito, poderá fazer sua estreia na temporada.

Em meio à crise de saúde, o Botafogo optou por reduzir entre 25% a 35% os salários de funcionários e jogadores. O clube também não conseguiu a liberação para realização de treinos presenciais, haja vista que a cidade de Ribeirão Preto está na zona vermelha da pandemia.

NOVORIZONTINO

Único invicto do Campeonato Paulista, o Novorizontino perdeu dez jogadores do seu elenco. São eles: o goleiro Gustavo, o zagueiro Everton Silva, os laterais Celsinho e William Formiga, o meia Higor Leite, além dos atacantes Capixaba, Daniel Martins, Felipe Marques, Jenison e Thiago Ribeiro.

Para conter os gastos, a diretoria ainda fez um corte salarial de 25% a 70%, se utilizando de medida provisória do governo federal. Neste tempo, o clube não fez contratações e só as fará pensando na Série D. Para o retorno do Paulistão, manterá a base e completará a equipe com jogadores da base. A prefeitura já havia liberado os treinos presenciais.

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