Lucas Diogo/CBF
Lucas Diogo/CBF

Tímido, VAR encara primeira decisão para chegar ao futebol brasileiro

Protagonista da Copa da Rússia esbarra em custo e logística para se tornar ferramenta presente em larga escala no Brasil

Renan Cacioli, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2018 | 07h00

Gianni Infantino acertou ao afirmar que o árbitro de vídeo (VAR) ganhou a confiança do torcedor na Copa do Mundo. O presidente da Fifa referia-se à utilização da imagem em momentos duvidosos dos jogos. No Brasil, o VAR é quase uma realidade. Recentemente, durante jogo da Série B, um atleta do Paysandu pediu ao juiz de campo que revisse lance polêmico fazendo o gestual com os dedos que indica a utilização do monitor de TV. Porém, ainda vai levar mais tempo até que o recurso se torne rotina nos torneios da CBF.

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O protagonista da Copa da Rússia, que ainda divide opiniões entre quem o considera a solução para eventuais injustiças no campo e quem prefere o jogo à moda antiga, ganhará sua primeira utilização mais efetiva no País a partir das quartas de final da Copa do Brasil, no dia 1.º de agosto. Até a decisão, serão 14 partidas equipadas com a estrutura do árbitro de vídeo.

Trata-se, no entanto, de uma exceção. Problemas de logística e custos inibem a aplicação em larga escala pelos campeonatos mais importantes do País. No Brasileiro, por exemplo, os clubes votaram contra, em fevereiro, justamente porque não queriam arcar com a despesa estimada – R$ 20 milhões nos 380 jogos da Série A.

No caso da Copa do Brasil, a conta ficará com a CBF, que contratou uma empresa por meio de edital e bancará aproximadamente R$ 50 mil por partida.

Pensar na utilização do árbitro de vídeo em todas as partidas dos Estaduais ou mesmo do principal campeonato nacional, então, beira a utopia. “Tudo depende de custos, de valores. Não é um processo tão barato. Vamos ter de treinar mais pessoas, ter mais gente certificada, o que leva tempo. Não é algo tão simples”, diz o presidente da Comissão Nacional de Arbitragem, Marcos Marinho.

"Estamos falando de dez jogos por rodada (Série A), ou seja, dez estruturas do VAR atuando. Então, aumenta o número de pessoas e equipamentos, é uma outra realidade do que fazer simplesmente a partir das quartas de uma Copa do Brasil”, disse.

PROTOCOLO

Além do custo, há procedimentos que precisam ser minuciosamente seguidos de acordo com a IFAB (International Football Association Board, o órgão responsável pelas regras do jogo). Não basta, portanto, só querer aplicar.

“Cada árbitro, assistente e operador de vídeo tem de passar por um período de testes para ser autorizado. Existe uma plataforma onde colocamos todo o material editado com todos os lances de treino para a IFAB avaliar”, explica Marinho.

Para a Copa do Brasil, foram 32 árbitros da elite reunidos durante 20 dias em Águas de Lindóia, no interior de São Paulo, para um curso intensivo. Na opinião de Marinho, o nível da arbitragem na Rússia foi “satisfatório”, e a experiência do VAR ajudou o público a entender a dinâmica do recurso, por mais que as discussões persistam. “Acho que os lances interpretativos ainda são a grande questão”.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

1. O VAR será muito diferente do utilizado no Mundial?

Não, o protocolo é o mesmo, todo o procedimento e gestual da arbitragem são iguais. Há duas diferenças: espaço onde ficarão os árbitros de vídeo e número de câmeras. Na Rússia, foi montada uma central única em Moscou. Por aqui, cada estádio utilizado terá uma salinha reservada para a equipe. Lá, eram mais de 35 câmeras por jogo. Na Copa do Brasil, espera-se algo em torno de 20. O mínimo necessário para o VAR são sete.

2. E se os jogadores cercarem o juiz, por exemplo, algo habitual no Brasil?

Qualquer reclamação excessiva será passível de cartão durante o procedimento.

 

 

 

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