João Godinho/Estadão
João Godinho/Estadão

Tinga recebe apoio da torcida em desembarque em Belo Horizonte

Jogador do Cruzeiro foi alvo de ofensas racistas no Peru, em partida contra o Real Garcilaso

Marcelo Portela, Agência Estado

14 de fevereiro de 2014 | 08h42

BELO HORIZONTE - Vítima de racismo por parte da torcida do Real Garcilaso na partida de estreia na Copa Libertadores, o volante Tinga, do Cruzeiro, recebeu a solidariedade de dezenas de torcedores celestes ao desembarcar em Belo Horizonte, na madrugada desta sexta-feira, no Aeroporto de Confins. Faixas, cartazes e cânticos tomaram conta do saguão para dar apoio ao atleta e recepcionar a delegação cruzeirense, que chegou no local às 23h40, com cerca de uma hora de atraso.

Tinga agradeceu a solidariedade da torcida e ressaltou que é "importante lutar contra o preconceito". "Não queria vir aqui para falar sobre essa situação (racismo). Gostaria de falar sobre o nosso time. Mas infelizmente aconteceu aquilo comigo. Esperamos que não aconteça com outros", desabafou o jogador.

"Nunca imaginei passar por isso, uma situação tão séria, tão grave", acrescentou o atleta, que desembarcou em Confins cercado pelos seguranças do clube.

Mesmo com o atraso de aproximadamente uma hora e meia em relação ao horário previsto para o desembarque da equipe, os torcedores não arredaram pé do terminal.

"Essa agressão foi contra o Brasil inteiro. Eu senti como se fosse comigo", afirmou o empresário Reginaldo Costa, que é negro e ostentava cartaz com as frases "Fechado com Tinga! Força Tinga".

Alguns torcedores pintaram os rostos de preto em solidariedade ao atleta. Tinga entrou no segundo tempo da partida realizada em Huancayo, no lugar de Dagoberto, e todas as vezes que tocava na bola parte da torcida imitava sons de macacos. Após as agressões ele lembrou que já atuou em vários países sem passar pelo problema.

"A gente fica chateado com uma coisa dessas. Joguei quatro anos na Alemanha e nunca aconteceu isso. Agora, num país tão próximo, acontece uma coisa dessas. Fiquei muito chateado", desabafou o atleta em entrevista à rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, depois do jogo que a Raposa perdeu por 2 a 0 para os peruanos.

A equipe não terá folga. Na tarde desta sexta-feira o grupo já se reapresenta na Toca da Raposa II para iniciar os preparativos para o clássico contra o arquirrival Atlético-MG pelo Campeonato Mineiro, no domingo. Apesar da rivalidade entre os dois times, as agressões racistas levaram até torcedores do Atlético a criarem um movimento na internet para dar apoio a Tinga ao jogador celeste no clássico, que terá a presença apenas de atleticanos nas arquibancadas do Independência.

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