Tinga terá torcida particular amanhã

Uma torcida particular aguarda ansiosa o início da partida desta quarta-feira à noite, no Estádio Olímpico. Trata-se de um grupo de amigos e parentes de Tinga do bairro onde ele foi criado: Restinga, na periferia da capital gaúcha. Faixas e cartazes com o nome do atleta serão exibidos nas arquibancadas. E parte de sua família vai assistir ao jogo pela TV, de casa, preparando um churrasco para comemorar, durante toda a madrugada, a eventual vitória do Brasil, se possível com um gol de Tinga. "Estão organizando uma festa, mas não posso pensar nisso antes da partida", comentou o jogador, o mais tímido do grupo de 22 à disposição de Luiz Felipe Scolari. Ele sabe, no entanto, que marcar um gol amanhã pode representar muito para seus ex-vizinhos e admiradores - Tinga mora atualmente em Ipanema, bairro nobre também em Porto Alegre. "Se isso acontecer, Restinga vai parar." O meia admite ter fixado-se nessa idéia para prestar uma homenagem especial: aos amigos do bairro pobre que enveredaram pela vida do crime. Muitos deles morreram em confrontos com outros bandidos e com a polícia. "É uma lembrança que me entristece." Novato na seleção, Tinga não acredita que a cobrança do torcedor seja maior sobre si pelo fato de atuar no Grêmio. "Essa relação deve ser igual com todos." Ele deixou claro um certo inconformismo com as suspeitas de que só foi convocado para enfrentar o Paraguai, em Porto Alegre, por que joga na cidade. Considerou um exagero essa associação, rechaçando a hipótese de "bairrismo" na lista de Scolari. A vitória sobre o Paraguai pode ser o início de seu retorno ao Japão.Em 1999, o atleta atuou pelo Kawasaki Frontale por um ano. Aprendeu termos básicos da língua japonesa, fez amizades e visitou templos budistas. Teve a sensação de que voltaria ao país o mais breve possível. Não imaginava, porém, que pudesse ser com a seleção, para disputar a Copa do Mundo.

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