André Lessa/AE - 13/09/2011
André Lessa/AE - 13/09/2011

Tirone contraria Felipão e defende elenco do Palmeiras

Presidente do clube alviverde diz que grupo possui deficiências em algumas posições

Daniel Batista, O Estado de S. Paulo

17 de dezembro de 2011 | 00h05

SÃO PAULO - Enquanto o técnico Luiz Felipe Scolari mostra preocupação com o elenco que o Palmeiras terá em 2012, como deixou claro em entrevista ao Estado, o presidente Arnaldo Tirone se mostra mais otimista. Para o dirigente, o time alviverde é bom e mostrou isso nos clássicos, mas ele admite que o grupo precisa de novas peças. Também com exclusividade ao Estado, o cartola não quis comentar as declarações de Felipão, mas confirmou que não fará loucuras por reforços. Ele disse ainda que não dá bola para críticas e pensa em reeleição.

O que você pode falar sobre as declarações do Felipão ao JT?

Não vou me manifestar sobre o assunto. Falo na semana que vem. Agora é melhor não me pronunciar.

Haverá muitas mudanças no time para o ano que vem?

Todos os times vão mudar. Mas não podemos esquecer que o Palmeiras joga de igual para igual com qualquer time. Nos clássicos fomos muito bem e mostramos no fim do ano que não estávamos mortos, tanto que quase matamos um rival, que achou que estava vivo demais. Temos um bom conjunto, mas com deficiências em algumas posições e vamos tentar melhorar isso. Outros times também estão atrás e você pode ver que não estão conseguindo grandes contratações. Não é fácil. O Felipão apresentou uma lista de 12 nomes, mas ela já mudou bastante por causa das dificuldades.

Está mais difícil contratar bons jogadores do que o esperado?

O problema é que não podemos mais errar. Não é difícil contratar, é difícil acertar a peça que precisamos. Temos um elenco bom, por isso não serve qualquer um. O que precisamos é de jogador que venha para assumir responsabilidades.

Mas contratar esses jogadores exige altos custos...

Sim, mas tenho de ter responsabilidade ao ser presidente do clube. Não sou torcedor, que age pela emoção ou pela vaidade. Não me envolvo com esse papo de que tem de contratar seja qual for o preço.

Como analisa o seu desempenho no Palmeiras em 2011?

Quando eu assumi, já conhecia o tamanho dos problemas. Mas a teoria é diferente da prática. A primeira preocupação foi colocar as contas em dia, já que foi uma promessa de campanha. Vencemos os primeiros jogos e por isso resolvi mexer pouco no futebol. Mantive o que era bom, que eram a comissão técnica, Valdivia, Kleber, Marcos, Marcos Assunção e Lincoln, que infelizmente não conseguiu jogar tudo o que sabe. No geral, considero que fui bem neste primeiro ano de gestão, mas o caminho é difícil. Para ser sincero, só nos últimos três meses eu consegui vislumbrar o que precisamos fazer.

O Palmeiras deve começar o ano sem patrocínio na camisa. Acha que consegue resolver isso em breve?

Na verdade, eu gostaria que a Fiat continuasse. É um erro deles sair do Palmeiras. Falei com o presidente da Fiat esses dias, mas isso é uma decisão que veio da Itália. Eles vão perder muito saindo. Nós estamos trabalhando para irmos atrás de outros patrocinadores. Há sondagens de várias empresas, mas não é fácil achar uma empresa forte para nos patrocinar. A crise mundial atrapalha um pouco.

E o futuro do Marcos?

Ele tem uma bela história no clube e temos bom relacionamento com ele. Tudo tem uma hora para ser conversado e faremos isso assim que ele voltar das férias. Ele pode se aposentar durante o Paulista, mas isso é um palpite. Temos de conversar ainda, mas não acho que seja um problema.

Acha que errou na condução do ‘caso Kleber’?

Eu estava confiante de que essa situação teria um final feliz. Não é fácil repor a saída de um jogador do nível dele. É fácil mandar embora porque ele disse algo que não me agradou, mas temos de pensar antes de fazer as coisas. Não é porque ele fez beicinho que vou tirá-lo do time. O Kleber é moço e comete alguns erros. Ele vai perceber mais para frente que deveria ter sido mais cauteloso. Mas eu me dou bem com ele e espero que ele seja feliz no Grêmio.

Irrita o fato de muitos torcedores falarem que você é fraco e lhe chamarem de banana?

O que me irrita são as mentiras e leviandades que muita gente fala sobre o Palmeiras. Eu sei que não sou nada disso que falam. Eu sou mais palmeirense do que muitos que ficam me xingando. Podem me xingar que não ligo. Xingaram o meu pai na época da Academia e o Palmeiras ganhou 11 títulos e tinha sete jogadores na Seleção (o pai de Tirone foi diretor de futebol do clube na década de 60). Crucificaram Jesus Cristo... Ninguém agrada a todo mundo. Não vai ser o Tirone que conseguirá. Neste ano aprendi a viver sob pressão e consigo lidar bem com isso.

A relação com Felipão é complicada?

Todo técnico da grandeza dele é diferente de lidar porque ele sabe muito bem o que se deve fazer. Não dá para contestar o trabalho dele e ele tem, sim um temperamento forte, mas tem o grupo na mão. É normal nesses casos um ou outro jogador não gostar do treinador. Isso faz parte.

Você teve algum medo durante este ano?

Tenho medo de Deus e de errar, só. Mas eu sou bem intencionado e não tenho a vaidade de ser aplaudido. Minha vaidade é tomar banho de manhã, fazer a barba e trocar a camisa. O resto eu não ligo. O Palmeiras não é meu e vaidade é para quem acha que ganha tudo sozinho. Confesso que tive um pouco de medo antes da eleição porque tinha certeza de que iria ganhar e tinha de honrar o que prometi, mas não sabia o que iria encontrar nas gavetas.

Pensa em reeleição em 2013?

Se eu falar que não pensaria com carinho no assunto se a eleição fosse hoje, eu estaria mentindo. Mas temos um longo período pela frente. Esse ano fiz pouca política com conselheiros e queria ter feito isso mais. Mas fiquei mais preocupado em arrumar o clube. Se for para eu ser reeleito, serei sem forçar nada. O que sei é que vai ser difícil encontrar um presidente que saiba entender o que acontece na vida como eu sei.

Você é favorável às eleições diretas?

Sou a favor da democracia. Nesse momento, estou preocupado em arrumar um caminho para o Palmeiras. Se tiver eleição direta, acredito que vou ganhar se me candidatar. Eu sou uma pessoa de relacionamento e sou um candidato político.

Alguma promessa para 2012?

O Palmeiras é muito grande e vamos arrumar uma fórmula para conseguir reforçar o time. Já temos um caminho. Eu demorei um pouco para achar esse caminho, mas as coisas estão mais claras agora. Pode rolar uma parceria, vamos ver. Temos um acordo para o jogo contra o Ajax e vamos ver como vai ser esse encontro. Quem sabe não rola um namoro? Estamos na fase de nos conhecer, mais para frente podemos dar as mãos. Mas não é uma empresa que vai nos seduzir. Só vamos pensar no que é melhor para o clube.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.