Lucas Figueiredo/CBF
Lucas Figueiredo/CBF

Tite admite pressão por título na Copa América: 'Tem que ganhar'

Obrigação da conquista se deve pelo fato do torneiro ser realizado no Brasil no próximo ano

Estadão Conteúdo

02 Novembro 2018 | 13h34

O técnico Tite admitiu nesta sexta-feira que a seleção brasileira tem a obrigação de ganhar a Copa América, que será disputada em solo nacional, em junho do próximo ano. Mas ele garantiu que não está alterando o processo natural de renovação da equipe em razão da necessidade de fazer bonito diante da torcida.

"Tem que ganhar. Tem que estar sempre assim. A seleção brasileira te exige isso. Não sou nenhum puritano, nem Poliana, para não saber que é preciso ter desempenho e resultado. Resultado antes de desempenho", disse o treinador, em entrevista ao canal SporTV. "Sempre vou ficar atento ao desempenho porque aumenta a possibilidade de vencer."

Ele afirmou que a obrigação de vencer em casa também se deve à frustrada campanha do time na Copa do Mundo da Rússia, quando parou nas quartas de final. "Nós trouxemos essa carga, inclusive, por estar numa Copa do Mundo... Se tivéssemos chegado à semifinal, estaria dentro da minha expectativa. Mas a seleção esteve abaixo da minha expectativa", reconheceu. "Para mim, as quatro melhores seleções da Copa foram Bélgica, França, Brasil e Croácia."

Tite disse também que não vai alterar o processo de renovação visando a Copa de 2022 por causa da Copa América. "Na Copa, quando enfrentamos o México do Osorio, que é um time difícil de enfrentar, por que o alonga o time, afunda, deixa três na frente... Saímos jogando com pressão adiantada deles, demos 11 toques e fizemos um gol, saindo com o goleiro. É uma ideia [de futebol] que se acredita. E eu quase fui demitido do Grêmio no meu início. Se fizer de forma diferente vou estar indo contra meus princípios", afirmou.

"Tem necessidade (de resultado), mas tem antes a busca do desempenho. Vai ter goleiro saindo jogando, vai ter saída com sete, que é a saída sustentada, vai ter uma ideia de construção com bola chegando no Neymar pelo chão, não pelo alto. Por que é da qualidade deles. Se vier a ganhar, ótimo. Mas vou correr o risco de perder e ser demitido, sim."

O treinador também respondeu sobre a escalação que usou no ataque da seleção no Mundial. E reconheceu que poderia ter dado mais oportunidades a Roberto Firmino, no lugar de Gabriel Jesus, que passou em branco durante toda a Copa.

"O timing disso é desafiador... Nós fomos para a Copa do Mundo com 12 jogos e o Gabriel sempre bem, um dos destaques do time. Eu nunca o peguei em momento de baixa. Aí vamos para um jogo, a gente modifica taticamente, ele do lado e Neymar por dentro, ele dá uma sustentação com o [Philippe] Coutinho por dentro, depois entra o Firmino por dentro e eu digo: 'tenho variação importante com o Gabriel. Posso usar'. Ele fazia função que liberava mais Neymar, Coutinho. Então... eu fiquei na dúvida", afirmou, ao admitir que poderia ter feito mais trocas no ataque durante a competição.

"As modificações têm que ser mais rápidas. Poderia ter feito. Havia três jogadores que estavam irregulares. Tinham momentos bons e que caíam. Firmino estava pedindo passagem, entrou como meia em um jogo, depois como nove no outro", ponderou o treinador.

Tite voltará a comandar a seleção daqui a duas semanas, nos amistosos com Uruguai e Camarões, nos dias 16 e 20 deste mês, em Londres, na Inglaterra. Serão os dois últimos jogos da equipe neste ano.

Depois disso, o time voltará a campo apenas em março de 2019 para se preparar para a Copa América, que será disputada entre os dias 14 de junho e 7 de julho. O sorteio dos grupos será em 24 de janeiro, no Rio de Janeiro.

 

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