Fabio Motta / Estadão
Fabio Motta / Estadão

Tite completa um ano na seleção invicto e com vaga na Copa de 2018

Técnico do Brasil conquistou nove vitórias seguidas e leva equipe ao Mundial da Rússia

Marcio Dolzan, Rio de Janeiro, O Estado de S. Paulo

05 de junho de 2017 | 07h00

A seleção brasileira treina nesta segunda-feira pela primeira vez em Melbourne, na Austrália, onde na próxima sexta-feira enfrentará a Argentina e, quatro dias depois, os donos da casa. Os amistosos marcarão o aniversário dos primeiros 12 meses de Tite à frente do time nacional. Sob a batuta do treinador, a equipe registrou nove vitórias consecutivas, recuperou a liderança do ranking mundial da Fifa e se classificou para a Copa do Mundo de 2018.

Tite foi anunciado oficialmente como técnico da seleção em 20 de junho do ano passado, seis dias após Dunga ser demitido devido à péssima campanha na Copa América Centenário – o Brasil acabou eliminado na primeira fase – e à situação preocupante nas Eliminatórias. À época, a seleção brasileira ocupava a sexta colocação e estava fora da zona de classificação para o Mundial da Rússia.

Ao assumir, Tite demonstrava um misto de felicidade e preocupação. Ao mesmo tempo em que dizia estar realizando um sonho por treinar o Brasil, era realista em relação ao trabalho duro que teria na terra árida deixada pelo seu antecessor. 

“O foco é a classificação ao Mundial, e não estamos em uma zona de classificação. Vamos trabalhar em cima disso”, disse, em sua primeira entrevista como técnico da seleção. “Claro que o Brasil corre risco (de ficar fora da Copa). Estou aqui porque infelizmente o resultado não veio. É fato real.” 

Tite também soube se distanciar do chefe Marco Polo del Nero, investigado nos EUA e Suíça por supostamente participar de esquemas ilícitos da CBF – seu padrinho e antecessor José Maria Marin está preso nos EUA.

Em campo, na parte que lhe pertencia, Tite tinha de passar pelo Equador na altitude de Quito e depois Colômbia, na Arena Amazônia, como primeiros desafios. As duas equipes estavam à frente do Brasil na tabela. A estreia com 3 a 0 sobre os equatorianos serviu de alento, e a vitória na sequência por 2 a 1 sobre os colombianos deixou a impressão de que a seleção começava a voltar aos trilhos.

A partir daí, o Brasil recuperou o apoio e carinho da torcida, voltou a se impor em campo e emendou uma sequência inédita de vitórias. Foram oito seguidas nas Eliminatórias, além do 1 a 0 sobre a Colômbia, em janeiro desde ano, em amistoso beneficente – realizado no Engenhão, Rio, apenas com atletas que atuavam no País.

Os bons resultados fizeram Tite se tornar uma unanimidade nacional, algo raríssimo no futebol brasileiro nos últimos anos. Nas redes sociais, memes começaram a surgir com o treinador usando a faixa de presidente da República. Mais do que brincadeira e afronta à Brasília, muitos brasileiros chegaram a considerar a possibilidade como algo real – em março, um instituto de pesquisas apontou que Tite seria votado por 15% dos brasileiros se decidisse concorrer à presidência. O técnico classificou a ideia como “irresponsabilidade”.

Em campo, as vitórias fizeram o Brasil se tornar a primeira seleção do mundo a garantir vaga na Copa de 2018 – além, é claro, dos donos da casa. Com o Brasil confirmado no Mundial, o treinador completa seu primeiro ano à frente do time com a chance de fazer alterações e testes já visando a montagem do grupo que vai desembarcar no ano que vem na Rússia. Seu trabalho também resgatou o respeito da comunidade internacional, perdido após os 7 a 1 sofrido para a Alemanha. 

Os amistosos deste mês serão os primeiros que permitirão ao treinador fazer experiências, como ele próprio queria lá atrás. Sem Neymar, poupado e de férias após temporada no Barcelona, ele poderá avaliar como o Brasil se sai quando não puder contar com sua maior estrela.

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