Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Tite confia na individualidade, mas não abre mão de jogadas ensaiadas na seleção

'Estado' mostra sete estratégias do Brasil para superar os adversários na Copa do Mundo

Almir Leite e Leandro Silveira, enviados especiais / Sochi, O Estado de S.Paulo

13 Junho 2018 | 05h00

Tite tem pelo menos dez jogadas trabalhadas com a seleção. E pode ter mais que ainda serão mostradas na Copa. O Estado separou sete delas. O treinador defende agora os treinos fechados sob o argumento de que a privacidade é fundamental na preparação do time na Rússia. Há outros motivos. Um deles é evitar “dar o ouro ao bandido”, tentar “esconder” dos rivais detalhes que poderiam ficar claros em treinamentos abertos diariamente, com acesso de possíveis “espiões”. Longe dos olhos de todos, Tite tem preparado suas jogadas, que, espera, conduzam a equipe ao sucesso.

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O treinador tem insistindo em desenvolver ou aperfeiçoar pelo menos uma dezena de situações de campo nesse período de treinos táticos que começou dia 23 de maio, ainda em Teresópolis – a apresentação ocorreu dois dias antes, mas as primeiras atividades foram exames médicos e testes físicos. Ele treina ações ofensivas, na direita, na esquerda, pelo meio. Não se descuida da defesa. Aposta mais na força ofensiva.

Tite admite ter “momentos estratégicos” nos treinos fechados. Mas diz também que isso dá a todos, comissão técnica e jogadores, liberdade para cobranças e colocação de pontos de vista. “Ter privacidade é preciso na hora de fazer uma substituição, de dar uma dura. Eu não estou sempre bem-humorado, não estou todo dia alegre”, comentou. “Às vezes, sou mais contundente, então um pouquinho de privacidade acaba sendo importante para desenvolver o trabalho.”

A individualidade de Neymar, com suas arrancadas, dribles desconcertantes, visão de jogadas e facilidade de concluir em gol, é arma importante na Copa, talvez a mais pesada do Brasil. Em momentos difíceis, como no amistoso de dez dias atrás com a Croácia, foi o craque que tirou o time do sufoco. Mas Tite faz o possível para não depender só da individualidade.

 

Convicto de que ter variedade de jogadas pode facilitar o caminho da seleção, Tite tem feito do aperfeiçoamento delas uma obsessão. Uma destas jogadas, trabalhada desde o ano passado, tem o objetivo de deixar Neymar livre para concluir. Os meias se movimentam para um lado do campo, um lateral sobe, Gabriel Jesus puxa a marcação na área e o craque se desloca para o espaço vazio, ficando livre para penetrar e fazer o que mais gosta: destruir goleiros. Mesmo com a vigilância dura que recebe, Tite acredita ser possível uma ação para deixá-lo livre.

Quando se trata de pressão, o treinador trabalha em duas pontas. Ofensivamente, quer os atletas marcando forte a saída de bola do oponente. Marcação alta. Desde o goleiro quando a ocasião exigir, visando a retomada de bola o mais perto possível do gol rival. A intenção é impedi-lo de armar jogada com qualidade.

Na defesa, pede saída rápida e eficiente, no toque de bola, mesmo diante de forte marcação. Isso não deu certo com a Croácia. Nos dias que se seguiram, Tite treinou esse tipo de jogada, exigindo de zagueiros e laterais toques breves e movimentação veloz para alternativas de passe.

Tite não quer chutões e lançamentos longos. Com ele, é bola no chão. Só quando alguém estiver livre ou “de mano” com um inimigo. Os toques rápidos, objetivos, em direção ao gol, são vistos por ele como forma eficiente de “quebrar” as defesas fechadas. Para isso, cobra eficiência do quarteto formado por Neymar, Jesus, Coutinho e Willian. Eles devem se deslocar rapidamente, tentar tabelas e toques rápidos para iludir a defesa adversária. Paulinho sobe e penetra nos espaços abertos.

PELOS LADOS

Essa é uma jogada que pode ser desenvolvida pelo centro, mas Tite aprimora as triangulações pelos lados. No esquerdo, com Neymar, Philippe Coutinho e Marcelo; no direito, com Willian, Paulinho e Danilo.

Danilo e Marcelo também são armas ofensivas. O lateral-esquerdo tem liberdade para subir centralizado quando perceber espaço e brechas e aproveitar sua habilidade e visão de jogo para construir jogadas e fazer inversões de bola que podem pegar a defesa do rival desarrumada. Além disso, o contra-ataque, puxado por Willian, é considerado grande recurso.

Para o goleiro Alisson, a variação de jogadas e a proposta tática de Tite deram ao Brasil uma maneira clara de atuar. “É um jogo que começa desde a cobrança do tiro de meta. Somos um time consistente defensivamente, temos criatividade. E, quando a gente precisou de criatividade lá na frente, Neymar, Coutinho e Gabriel Jesus corresponderam.”

 

 

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