Tite desabafa e pede mais reforços

O acusado de haver frustrado os torcedores e acabado com o clima de euforia se defendeu como nunca nesta segunda-feira à tarde. O calor de cerca de 32ºC deve ter influenciado e o técnico Tite, do Corinthians, pela primeira vez, demostrou sua raiva com as primeiras vaias dirigidas a ele e o coro de "burro" que teve de ouvir no Morumbi. E admitiu o óbvio: precisa urgente de reforços."Primeiro, não aceito essa história de galácticos. O Corinthians é um time desmontado, em formação, que ganhou dois grandes jogadores. Se imprensa e torcida não conseguem enxergar, eu preciso ter os pés no chão. Procurei a MSI no domingo e pedi dois reforços urgentes para o meio de campo. Não quero continuar a ganhar as partidas, ficar frustrado e ter de dar sorriso amarelo. Não foi para isso que aceitei continuar no Corinthians", desabafou o técnico.Ele percebeu que os dois reforços são necessários para que a equipe não crie dependência do Tevez e do Carlos Alberto. "Eles são grandes jogadores, mas precisam de outros atletas que retenham a bola, dois atletas vividos, experientes para dar equilíbrio ao time. Não dá para esperar só pelos dois. Fui bem claro com o Kia (Joorabchian). Ele foi ao Morumbi, viu e entendeu a minha necessidade. E garantiu que os atletas chegarão. Para tanta cobrança, as coisas precisam estar diferente no grupo", desabafa. Ele quer mais jogadores de qualidade.Tite revelou que se calou diante de situações que para ele eram óbvias. "Me cobraram sobre o fato de eu não ter deixado o Tevez cobrar o pênalti contra o América. Eu sabia que o Coelho havia treinado melhor.Poderia entrado no clima de festa e deixar o Carlitos bater. Só que eu não sou um medroso, um bundão que está no Corinthians para agradar aos outros. Sou o comandante do time, o técnico. Bate pênalti quem está melhor e acabou. Esse grupo tem comando."Sobre as vaias, o treinador não vai enfrentar o torcedor corintiano. "Quando me aplaudiram o ano passado, não reclamei. Não seria indigno agora de reclamar. Só quero explicar que enquanto o time não estiver formado, sou obrigado a garantir as vitórias como puder. Não me importa o adjetivo (retranqueiro) que as pessoas insistem em me rotular. Nas últimas partidas de 2004, o time teve uma média de 2,4 gols marcados. E o elenco era limitado. Eu gosto de atacar, mas a equipe irá o tempo todo no ataque quando tiver capacidade para isso. Não sou irresponsável."Tite tinha mais coisas engasgadas. "Fui vaiado por não ter colocado o Dinelson. Se não fosse por mim, ele teria ido embora em 2004. Ele estava entre os atletas que treinavam separados do grupo. Ninguém mais do que eu sabe o que ele pode fazer em campo. Mas ele irá jogar quando o time estiver pronto. O Marinho foi mais útil e garantiu a vitória."O desabafo só terminou para exemplificar que não teme o que ainda pode vir pela frente. "Ser mandado embora é um risco que os técnicos correm. Não tenho medo. Poderia estar comandando times formadinhos que me convidaram (Santos) ou com muito dinheiro para fazer sua reformulação (Cruzeiro). Fiquei porque acredito que meu estágio não terminou no Corinthians. E eu vou provar isso."

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