Lucas Figueiredo/CBF
Lucas Figueiredo/CBF

Tite diz que não convocou Fernandinho para a seleção por ameaças à família

Técnico revela que volante do Manchester City sofreu ataques dos torcedores após a Copa da Rússia e pediu para não ser mais chamado

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2018 | 10h45

A seleção brasileira não contará mais com os serviços do volante Fernandinho, um dos mais longevos atletas do Manchester City e do próprio elenco canarinho. Quem revelou isso foi o próprio técnico Tite, que disse ainda que deixou de convocar o atleta contra a sua vontade.

No que dependesse do treinador do Brasil, o camisa 25 do time inglês continuaria a ser chamado para defender a seleção mesmo após o desempenho ruim diante da Bélgica nas quartas de final da Copa do Mundo da Rússia. Em seu segundo Mundial - ele também esteve na derrota por 7 a 1 contra a Alemanha em 2014 - o atleta passou de pilar do time a um dos bodes expiatórios da ira dos fãs.

Tite pensou em convocá-lo para o novo ciclo da seleção, que atualmente está em preparação para a Copa América de 2019. No entanto, o volante revelou que se tornou alvo de ameaças de torcedores nas redes sociais, inclusive com ataques diretos à sua família. E, assim, decidiu que não aceitaria mais defender o Brasil caso fosse chamado.

O técnico afirmou, em entrevista ao SporTV, que insistiu para contar com o futebol do volante.

"O primeiro atleta que senti vontade de convocar foi o Fernandinho. O número um. Ele é um jogador extraordinário, joga muito. Eu o preservei um pouquinho. Aí entrei em contato com ele, o Edu (Gaspar, diretor de futebol da seleção) entrou. Mas essa crueldade chegou à família dele e ele disse que prometeu à família que não vai voltar", explicou.

A recusa do volante não foi aceita logo de cara pelo comandante canarinho, que promete convocá-lo caso ele mude de ideia e aceite voltar a defender o Brasil.

"Eu disse (a Fernandinho): 'Conversa de novo (com a família)'. Fui falar pessoalmente com ele porque a seleção brasileira tem muito orgulho de ter um atleta com essa dignidade e competência profissional. Não sou burro de convocador jogador ruim. Vou torcer por ele, que tenha muita luz. Chega de Barbosas", afirmou, em referência ao ex-goleiro da seleção na Copa de 1950, que foi crucificado pelo gol sofrido contra o Uruguai na final daquele torneio e sofreu até os últimos dias da vida com a perseguição dos torcedores que o conheciam.

 

 

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