Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Tite diz ter orgulho por atitude de Neymar na Liga dos Campeões e revela voto em prêmio da Fifa

Técnico da seleção brasileira afirma que somente através da educação pode-se evitar atos racistas como o do jogo PSG x Istanbul Basaksehir

Redação, Estadão Conteúdo

14 de dezembro de 2020 | 09h00

O técnico Tite gostou da atitude tomada por Neymar e os outros brasileiros em campo na partida entre PSG e Istanbul Basaksehir, em que todos os atletas dos dois times se retiraram de campo após uma ofensa racista do quarto árbitro contra um membro da comissão técnica do time turco. O técnico também revelou ter votado no camisa dez da seleção brasileira para melhor do mundo na premiação da Fifa.

"Me deu orgulho, sim. Tanto do Neymar, quanto do Marquinhos, do Leonardo (dirigente do PSG) e outros brasileiros que estavam em campo. Saíram juntas as duas equipes e não voltaram depois, uma reação dessas é muito emblemática" comentou o treinador em entrevista ao canal de televisão Esporte Interativo.

"Atos racistas são lamentáveis, inaceitáveis e repugnantes enquanto ser humano. Procurei acompanhar e vir aqui com anotações, acompanhei o Rafael, lateral direito, que está muito próximo ao quarto árbitro no momento. Não tenho condição de entender a língua e a expressão, sei que a forma que se diz, a veemência, tom de voz, expressão corporal, fala mais do que aquilo que se diz", afirmou Tite.

Na sequência, o técnico da seleção brasileira relembrou outros casos. "Aí vê Neymar, Demba Da, Marquinhos tendo manifestação contundente é porque houve algo que feriu a todos. Há momentos em que a gente já cansou de ver, com Aranha, Tinga, Tyson e Dentinho, Lukaku, Balotelli, Elias, não devemos negar. Aceitar uma verdade e a partir dai qual é a solução? Aí fecho com uma observação do Tinga. 'A gente não nasce racista, aprende a ser racista, um caso de educação. Acredito em educação, a médio e longo prazo", opinou Tite.

Sobre a votação para melhor do mundo, Tite colocou três jogadores no topo, sendo que nenhum é Messi ou Cristiano Ronaldo. “Eu considero ele (Neymar), De Bruyne (do Manchester City) e Lewandowski (do Bayern de Munique) hoje no mesmo patamar, e se tivesse de votar, como votei, Neymar”, disse o técnico, se referindo ao prêmio The Best, da Fifa.

O treinador ainda se aprofundou na comparação entre Neymar e Messi. "Considero sim, de forma criativa, lúdica e imprevisível, o Neymar e o Messi (parecidos, no atual momento do brasileiro). Sempre que digo que CNTP (condições normais de temperatuta e pressão) o Neymar consegue, em momentos decisivos, tirar coelho da cartola", considerou.

No entanto, dos nomes citados por Tite como os melhores do mundo, apenas Robert Lewandowski ficou entre os três finalistas do prêmio da Fifa. Messi e Cristiano Ronaldo são os outros dois, deixando Neymar e De Bruyne fora da lista.

Em entrevista ao SporTV, o técnico da seleção brasileira voltou a elogiar o amadurecimento de Neymar desde a Copa do Mundo da Rússia, em 2018, que fez também com que o craque mudasse seu comportamento não só dentro, como fora de campo. O astro não só passou a jogar de forma diferente, como a entender o contexto social do mundo, o seu tamanho e as consequências de suas atitudes.

"Hoje ele sim está um atleta com 27 anos muito mais amadurecido, muito mais consciente das suas responsabilidades. E que tudo que ele fizer, em volta dele vai ecoar. E esses exemplos positivos nada mais servem do que reforçar a sua evolução", enfatizou o técnico. "Fico torcendo para que sua lesão não tenha sido nada grave."

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