Vanderlei Almeida/ AFP
Depois da Copa, Tite cobrou Neymar e confia no jogador Vanderlei Almeida/ AFP

Tite evita falar sobre conduta de Neymar: 'Vou ter uma conversa com ele'

Treinador não quis comentar a agressão do jogador a um torcedor após a final da Copa da França

Marcio Dolzan, Estadão Conteúdo

17 de maio de 2019 | 12h30

Mais uma vez na lista dos 23 convocados para a Copa América, o atacante Neymar foi o jogador que mais despertou interesse dos jornalistas na entrevista coletiva que se seguiu ao anúncio da lista feita pelo técnico Tite, nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro. E foi, ao mesmo tempo, o que mereceu as respostas mais evasivas por parte do treinador.

Alegando "respeito e educação", Tite não quis comentar a agressão do jogador a um torcedor após a final da Copa da França. "Neymar errou, Neymar errou. Por educação, eu enquanto técnico da seleção, vou ter uma conversa com ele. Assim como conversei com Douglas Costa e assim como vou conversar com Paquetá, por uma questão de conjunto", disse Tite.

O técnico foi questionado quatro vezes sobre o atacante - todas elas a respeito da conduta de Neymar sem a bola nos pés, e não propriamente sobre o seu futebol. Mas, em todas elas, evitou dar uma resposta direta.

"Eu não vou ficar aqui aventando possibilidades. Eu não quero falar, eu não vou falar, porque eu quero falar com o Neymar antes", insistiu Tite. "Eu vou responder no momento oportuno."

Indagado se os critérios de convocação de Neymar foram diferentes aos aplicados a Douglas Costa no ano passado - ele ficou de fora de uma lista após ter desferido uma cusparada num jogador adversário -, Tite demonstrou certo desconforto. "Quando foi colocado Douglas Costa, eu falei que isso não se fala por telefone. Tem que ter cuidado", comentou. O treinador disse ainda que, à época, o jogador também vinha de lesão.

Por fim, questionado sobre outra atitude de Neymar, que reclamou publicamente de colegas do PSG após a derrota na final da Copa da França, Tite foi direto. "Te dou a oportunidade de fazer outra pergunta", esquivou-se o técnico da seleção.

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Tite minimiza pressão e quer bom desempenho da seleção na Copa América

Técnico prega necessidade de time jogar bonito e de dar alegria para a torcida durante a competição

Marcio Dolzan, Estadão Conteúdo

17 de maio de 2019 | 13h06

Pressionado desde a eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo, o técnico Tite voltou a repetir nesta sexta-feira um mantra que carrega pelo menos desde que assumiu a seleção brasileira: a de que prefere bom desempenho a vitórias. O treinador minimizou a necessidade (implícita) de o Brasil conquistar a Copa América, competição que será realizada no País e que a seleção não vence há 12 anos.

"[Eu quero] Desempenho, sempre, sempre. Mesmo que eu tenha que incorrer em riscos", comentou Tite, logo após anunciar a lista de 23 convocados para a competição. "Resultado ,eu sei da importância, mas não tenho condições de controlar", continuou, repetindo uma frase que repete a cada convocação.

Para o treinador, mais importante do que vencer será apresentar um futebol vistoso. "Não vou fugir da responsabilidade. Tem que ser agradável, ter alegria, jogar bonito. Tem que ter solidez", afirmou Tite, para depois procurar afastar o peso da pressão em vencer a Copa América. "Eu me senti pressionado quando assumi o Guarany de Garibaldi no meu primeiro jogo. E vai continuar assim."

Tite insistiu que a meta, para ele, é o Brasil apresentar boa performance em campo. "Estou falando a verdade. Ela (seleção) está jogando no nosso País, há uma expectativa alta", pontuou. "Eu quero que a seleção faça seu melhor possível, que tenha desempenho. Quero que o Coutinho seja o melhor possível, o Neymar melhor possível, que ela seja competitiva."

O técnico disse ainda que a seleção brasileira vem tendo bom desempenho nos números, mas que nunca usou isso como defesa para eventuais críticas. "Nós temos 85% de aproveitamento. Quando falei isso? Eu entendo futebol dessa forma, não vou fazer de uma forma que não sei", disse Tite.

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Em retorno à seleção após críticas, Fernandinho ganha elogios de Tite

Volante não era convocado desde a Copa do Mundo da Rússia e volta gabaritado pelo título na Inglaterra

Marcio Dolzan, Estadão Conteúdo

17 de maio de 2019 | 12h46

Um dos jogadores mais criticados após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo da Rússia, no ano passado, o volante Fernandinho voltou a ser convocado para a seleção brasileira, nesta sexta-feira. O nome do jogador do Manchester City foi uma das surpresas da lista anunciada por Tite para a Copa América, já que Fernandinho não tinha sido mais convocado desde o Mundial - ele próprio havia pedido para ficar um tempo afastado.

Nesta sexta, Tite disse que conversou com o volante, além de enaltecer suas qualidades dentro e fora de campo. "Ele é um cara muito transparente. Sabe da expectativa, da sua responsabilidade, do seu futebol, da condição técnica que ele tem", comentou Tite, que ressaltou também o fato de o jogador estar voltando a defender o seu País. "Como é bom estar na seleção brasileira!".

O preparador físico da seleção, Fabio Mahseredjian, também enalteceu Fernandinho, que acabou de faturar o bicampeonato inglês com o Manchester City. "Ele tem uma liderança no dia a dia. Ele é uma liderança no seu clube também. São várias qualidades num atleta só", considerou.

Além de Fernandinho, Tite chamou Allan e Casemiro para o setor, deixando de fora nomes como Fabinho, do Liverpool, e Renato Augusto, do Beijing Guoan, que eram aventados. "O Fabinho está num grande momento. Foi muito difícil a escolha. Qualquer um dos três estaria bem escolhido. Não tem demérito", alegou o técnico. "O Renato tem uma integridade moral extraordinária, e eu tenho uma admiração grande por ele."

A Copa América será disputada no Brasil entre 14 de junho e 7 de julho. E a seleção entra como uma das favoritas ao título, principalmente em razão da pressão após a campanha abaixo do esperado no Mundial da Rússia.

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ANÁLISE: Por segurança, Tite mantém base da Copa e renova pouco a seleção

Técnico vai na contramão de antecessores e muda pouco a convocação para a disputa do torneio continental

Ciro Campos*, O Estado de S. Paulo

17 de maio de 2019 | 12h45

A convocação da seleção brasileira para a Copa América do Brasil, realizada nesta sexta-feira, trouxe como novidade a falta de novidades. Dos 23 jogadores chamados para a disputa do torneio, 14 (60% do total) estiveram sob o comando do técnico Tite na Copa do Mundo do ano passado, na Rússia. A manutenção de tantos nomes é algo raro quando se trata desse torneio, que costuma marcar um ciclo de mudanças no elenco.

O Brasil tentará voltar a vencer uma Copa América após 12 anos com uma equipe muito menos renovada do que as escolhida para as edições anteriores do torneio. A competição continental, por ser realizada nos anos seguintes às Copas do Mundo, costuma marcar o início da preparação para o Mundial seguinte, com novidades, apostas em novatos e oportunidades de avaliação.

Isso possibilitou, por exemplo, o Brasil mudar intensamente o elenco para as Copas Américas de 2011 e de 2015, realizadas imediatamente no ano seguinte aos Mundiais de 2010 e 2014. Para a competição na Argentina, em 2011, Mano Menezes deu a primeira chance para Neymar disputar uma competição oficial e chamou somente nove jogadores que estiveram na África do Sul no ano anterior.

Em 2015, no Chile, Dunga deu ainda menos espaço para quem esteve na campanha da Copa de 2014. Apenas oito nomes ganharam chances para serem convocados, enquanto 15 jogadores ganharam espaço. Esses dois ciclos, no entanto, apresentam uma grande diferença em comparação à situação de Tite. O atual técnico da seleção brasileira já estava no cargo na Copa e, por isso, terá uma dose menor de perdão em caso de erro.

A eliminação na Copa da Rússia, os resultados pouco convincentes nos últimos amistosos e a cobrança por disputar uma competição oficial no Brasil fazem a Copa América ser para Tite uma missão especial, e não um laboratório, como foram as edições anteriores do torneio continental. Para encarar essa pressão, o treinador procurou recorrer a quem conhece e confia.

Nos oito amistosos realizados depois da Copa, Tite chamou 24 jogadores que não levou para a Rússia, dos quais 11 ganharam a chance de vestir a camisa da seleção pela primeira vez. De todo esse grupo, somente nove atletas conquistaram espaço entre os 23 convocados. A lista trouxe de volta até mesmo o volante Fernandinho, que não era chamado pela seleção desde o Mundial.

Portanto, o técnico mostro confiar muito nos jogadores que o ajudaram quando chegou à seleção, em 2016. Tite quer trabalhar nesse momento de pressão com quem conhece e pode lhe contribuir a enfrentar à dura missão de conter a pressão da torcida e buscar o título da Copa América.

* REPORTER DO ESTADÃO

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ANÁLISE: Brasil está longe do seu torcedor, jogadores não têm carisma e Tite não vai mudar Neymar

Independentemente da lista da Copa América, sem Lucas Moura e Vinicius Junior, seleção e seus representantes ainda vivem em 'outro mundo', se fecham entre eles e não dão a mínima para quem está fora

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2019 | 12h16

Tite não é mais o mesmo, tampouco sua condição no comando da seleção brasileira. O treinador está na defensiva, como todos os outros que assumiram o cargo antes dele. O fracasso na Copa do Mundo da Rússia não o tirou do cargo, como era praxe, mas o fez mais amargo. Tite comete o mesmo erro dos outros, mostrando não ser diferente de nenhum deles. Tite defende seus jogadores como se eles não cometessem erros, no caso de Neymar, por exemplo, não se vale da transparência para onde o mundo caminha, prefere usar a máxima do "prefiro conversar com os atletas reservadamente antes de comentar com vocês..." Ocorre que nunca traz essas informações depois.

O soco de Neymar dado num torcedor na França não o faz mudar o discurso. O brasileiro queria explicações, atitudes, até punições se fosse o caso. Mas Tite prefere não dizer nada. A seleção brasileira não pertence à CBF nem à comissão técnica no cargo. Ela pertence a todos nós. Explicações deveriam ter sido dadas, sem medo, sem receios, com mais transparência.

O fato de Sylvinho também ser desligado da comissão também aponta para problemas de gestão. Sylvinho foi anunciado como treinador do sub-23 recentemente, era auxiliar de Tite no time principal para os próximos quatro anos até chegar ao Catar em 2022. E, de repente, o cara que estava no projeto aceitou outra oferta de trabalho num clube da Europa não revelado. Sorte ao profissional em seu novo desafio, mas isso aponta problemas na gestão da comissão técnica, enfraquece do ponto de vista do "estamos todos juntos", como apregoa Tite.

A lista, como todas, aponta buracos. Gostos e desgostos. Lucas Moura e Vinicius Junior são dois ausentes que gostaria de ver na relação. Os atacantes poderiam estar no grupo para a Copa América porque estão em boa fase, diferentemente de Gabriel Jesus, por exemplo, que é reserva no Manchester City. Mas há, talvez, um sentimento de gratidão ao garoto que saiu do Palmeiras. Gabriel é bom jogador, mas está pior do que alguns concorrentes. A volta de Fernandinho também me parece um ato de agradecimento ou talvez para limpar a barra do jogador que foi injustamente apontado por alguns como responsável pelo fracasso do Brasil diante da Bélgica na Copa da Rússia. Primeiramente, queria dizer que não foi. Que Fernandinho é muito bom jogador, excelente no meio de campo no City, sob o comando de Pep Guardiola, o melhor de todos para mim, mas talvez seu tempo na seleção já tenha passado.

Então, vejo sua convocação como uma gratidão de Tite a ele. Não sei se Fernandinho estará no Catar. "Ele sabe de sua responsabilidade e do tipo de trabalho que tem de fazer", disse o treinador.

Edu Gaspar, coordenador de seleções,  pontuou que Tite chamou nos últimos oito amistosos 44 jogadores ao todo, 24 deles não estiveram no Mundial e 11 fizeram suas estreias no Brasil. Disse isso para apontar que muita coisa mudou depois do Mundial perdido - o Brasil não ganha uma Copa desde 2002. Tite sabe que cada brasileiro ou treinador tem sua próprio lista. Não é isso o que está em jogo nesta Copa América. Mas é o fato de o Brasil jogar bem, ganhar campeonatos, não pipocar, dar alegria aos brasileiros e não viver trancafiado entre seus representantes na Granja Comary e nos hotéis.

Há muito tempo o elenco nacional não dá a mínima para ninguém fora do grupo. Eles se respeitam entre eles, não respeitam quem está do lado de fora. Os jogadores são assim. A comissão técnica é assim. A CBF é assim. Nenhuma dessas partes aceita críticas, aceita conversar num mesmo nível. Neymar, por exemplo, não entende o que o torcedor pensa dele, nem a mídia. Estão todos errados? Seu pai não entende isso também. E tudo isso faz com que o torcedor se afaste da seleção, prefira ir ai cinema ao ver um jogo do time nacional. Essa imagem precisa ser melhorada. Mas com esses "representantes" talvez seja impossível. A seleção brasileira não tem mais carisma. Esses jogadores não se identificam com ninguém. O que Tite fala já virou gozação. E isso é uma pena.     

LISTA DO BRASIL NA COPA AMÉRICA

Goleiros

Alisson, Cássio e Ederson;

Laterais

Alex Sandro, Daniel Alves, Fagner, Filipe Luís

Zagueiros

Marquinhos, Miranda, Thiago Silva, Éder Militão

Meio-campistas

Allan, Arthur, Casemiro, Fernandinho, Lucas Paquetá, Philippe Coutinho;

Atacantes

David Neres, Everton, Firmino, Gabriel Jesus, Neymar e Richarlison;

 

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